Visão geral da plateia durante abertura do Vale Summit 2026, conduzida pelo presidente da Vale, Gustavo Pimenta
Visão geral da plateia durante o painel de abertura do Vale Summit 2026, conduzido pelo presidente da Vale, Gustavo Pimenta (Foto: Vitor Lopes/ Vale)

A inovação que nasce na operação e renova o trabalho na Vale 

No primeiro dia do Vale Summit 2026, projetos criados no dia a dia, de pequenos ajustes em campo a simuladores virtuais, mostram como a inovação ajuda a reduzir riscos, aumentar eficiência e desenhar o futuro da mineração  

Por Hélvio Macellane e Vitor Lopes *, 4 min de leitura

Publicado em 05/08/2026

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O Espírito Santo, onde a Vale mantém operações estratégicas há décadas, tornou-se nesta semana o ponto de encontro para discutir o futuro da mineração. 

Entre os dias 5 e 7 de agosto, a capital capixaba recebe o Vale Summit 2026, evento que reúne funcionários da mineradora, startups, universidades, fornecedores e especialistas para debater tendências em inteligência artificial, robótica, biotecnologia, sustentabilidade e segurança aplicadas à indústria mineral. 

No primeiro dia, o encontro mostrou que a inovação não nasce apenas em laboratórios ou centros de pesquisa. Muitas vezes, ela começa na linha de frente das operações, a partir de uma dor concreta, de uma escuta atenta e da disposição de fazer diferente. 

Na abertura do evento, Gustavo Pimenta, presidente da Vale, conectou a cultura da empresa à capacidade de inovar e desenvolver novas soluções. Segundo ele, apresentar tantos projetos só é possível quando as pessoas se sentem seguras para propor ideias, expor dúvidas e submeter soluções à avaliação dos colegas. 

Gustavo Pimenta, presidente da Vale
Gustavo Pimenta, presidente da Vale (Foto: Zele/ Vale)

“Isso exige coragem e segurança para trazer os trabalhos, apresentá-los, aprová-los e até criticá-los. Ter segurança para falar tem tudo a ver com o Vale Summit”, afirmou. 

Essa visão coloca os colaboradores no centro da transformação. Para Samanta Pillar, vice-presidente de Pessoas da Vale, novas ferramentas e tecnologias só ganham sentido quando encontram o olhar de quem vive a operação todos os dias. 

“Vocês são as melhores pessoas para fazer a transformação no dia a dia. Podemos dar a direção e as condições, mas vocês é que estão entendendo onde estão as dores e sendo criativos para buscar soluções”, disse a executiva, assistida por centenas de participantes durante o painel de abertura. 

Samanta Pillar, vice-presidente de Pessoas da Vale
Samanta Pillar, vice-presidente de Pessoas da Vale (Foto: Zele/ Vale)

Essa inovação prática aparece em projetos de diferentes escalas. Um deles é o teste com Biodiesel B100 em caminhões fora de estrada, iniciativa ligada à estratégia de descarbonização da Vale e à meta de zerar emissões líquidas até 2050.  

A proposta busca ampliar o uso de combustíveis renováveis sem comprometer a confiabilidade dos equipamentos. 

“Esse trabalho demonstra que excelência operacional e inovação podem andar juntas”, resumiu Fábio Santos, responsável pela manutenção de equipamentos. 

Outro salto tecnológico apresentado foi o Digital Twin de usinas, um simulador de alta fidelidade para o beneficiamento de minério. A ferramenta permite treinar operadores em ambiente virtual, testar cenários críticos e reduzir riscos de capacitação em plantas reais. 

Na prática, a tecnologia funciona como um ambiente seguro para tomada de decisão. Ela reproduz fielmente a dinâmica da operação e permite que profissionais se preparem para situações complexas sem exposição a riscos operacionais ou impactos na produção. 

Inovação exige cultura e método 

Durante uma roda de conversa sobre inovação, executivos da Vale reforçaram que tecnologia é parte do processo, mas não resolve sozinha os desafios da indústria. Para inovar em mineração, é preciso método, colaboração e uma cultura capaz de sustentar mudanças. 

Rogério Nogueira, vice-presidente Comercial e de Novos Negócios, destacou que a inovação está menos associada ao brilho da tecnologia e mais à disposição de questionar a forma como o trabalho sempre foi feito. 

“Inovação tem muito a ver com cultura. Às vezes pensamos muito em tecnologia, mas ela está mais associada a uma mentalidade, à curiosidade de fazer diferente e à coragem para propor e implementar”, afirmou. 

Essa coragem, segundo ele, precisa vir acompanhada de persistência. Em ambientes industriais complexos, novas soluções passam por testes, ajustes, resistências e aprendizados antes de ganhar escala. 

Rafael Bittar, vice-presidente Executivo Técnico, reforçou que inovar também significa equilibrar o presente e o futuro. A companhia precisa manter a excelência das operações atuais ao mesmo tempo em que desenvolve alternativas para os próximos ciclos da mineração. 

Ele destaca que “empresas que não inovam e não cultivam essa capacidade de olhar para a frente correm o risco de estagnar. Precisamos manter a excelência do nosso negócio principal e, ao mesmo tempo, criar alternativas e ver as coisas de forma diferente.” 

A discussão mostrou que inovação é um trabalho coletivo. Para transformar boas ideias em resultados, é necessário reduzir silos, aproximar áreas técnicas e operacionais e estimular a replicação de soluções que já deram certo. 

O cuidado com as pessoas 

Se a inovação é o motor, a segurança é a bússola. No Vale Summit 2026, projetos voltados à redução de riscos mostraram como soluções simples, quando bem aplicadas, podem mudar rotinas críticas da operação. 

O troféu de ouro do reconhecimento em segurança ilustra essa lógica. Uma equipe redesenhou a atividade de ativação e desativação de contrapesos em correias transportadoras. O procedimento, antes realizado a sete metros, passou a ser executado no piso zero, eliminando os riscos na atividade. 

“A inovação nas soluções é um ciclo virtuoso que começa quando colocamos o foco em pessoas e segurança”, afirmou Carlos Medeiros, vice-presidente de Operações, ao comentar os resultados. 

A tecnologia também aparece como aliada na prevenção. O projeto Predictive Biometrics utiliza dados biométricos para monitorar sinais fisiológicos de operadores e prever fadiga antes que ela se torne um risco operacional. 

Nos testes apresentados, a solução alcançou 91,7% de assertividade e conseguiu antecipar sinais de fadiga, em média, 2h40 antes de outras ferramentas reativas. A iniciativa também reduziu em 50% a exposição ao risco fisiológico. 

Ao fim das apresentações, os aplausos na arena reforçaram uma premissa que atravessou todo o evento: na mineração, inovação só faz sentido quando melhora a vida de quem trabalha, aumenta a segurança e gera valor para a operação. 

A frase de Giovanni dos Santos, mecânico que ajudou a criar um dispositivo mais seguro para a troca de tambores, sintetizou esse espírito: 

“Na mineração, equipamentos movem minério. Pessoas movem a empresa. E a nossa missão é cuidar das pessoas. 

* Especial para o Radar Mineração.