- A USA Rare Earth adquire 100% da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões, integrando a mina Pela Ema em Goiás à sua plataforma de mineração, separação e produção de ímãs de terras raras.
- Pela Ema é a única produtora em escala comercial dos quatro elementos magnéticos de terras raras fora da Ásia, com contratos de offtake de 15 anos e financiamento de US$ 565 milhões da agência de desenvolvimento dos EUA.
- A operação reposiciona o Ocidente na cadeia de suprimento de terras raras, reduzindo dependência da China em insumos críticos para veículos elétricos, turbinas eólicas, defesa e semicondutores.
A empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou acordo definitivo para adquirir 100% da Serra Verde, controladora da mina e planta de processamento Pela Ema, em Goiás. O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias. O movimento pode reposicionar o ocidente na questão das terras raras, uma vez que Pela Ema é a única produtora em escala dos quatro elementos magnéticos de terras raras — neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — fora da Ásia.
Esses insumos são usados em ímãs permanentes aplicados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica, defesa e semicondutores.
A USA Rare Earth anunciou em comunicado oficial que aquisição amplia a integração vertical da companhia, que passa a combinar mineração, separação, metalização e produção de ímãs em uma única plataforma. Com isso, a projeção da empresa é de gerar EBITDA (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) de US$ 1,8 bilhão até 2030.
Para a Serra Verde, a operação incorpora à nova estrutura uma mina que entrou em produção comercial em 2024, após mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A empresa projeta atingir capacidade nominal de 6,4 mil toneladas por ano de óxidos totais de terras raras até o fim de 2027, com EBITDA anualizado entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões. 
O acordo também incorpora contratos estratégicos já firmados pela operação brasileira. Entre eles está um contrato de offtake de 15 anos para 100% da produção da fase 1 dos quatro elementos magnéticos, com veículo capitalizado por entidades ligadas ao governo dos Estados Unidos e investidores privados. O arranjo inclui pisos de preços para os minerais, mecanismo que, segundo a companhia, reduz a exposição à volatilidade.
A operação também traz para a companhia combinada uma linha de financiamento de US$ 565 milhões, estruturada pela U.S. International Development Finance Corporation para financiar expansão e otimização da operação brasileira. 
Acordo é estratégico globalmente
O anúncio ocorre em um momento de reconfiguração geopolítica das cadeias de minerais críticos, em meio ao esforço dos Estados Unidos e aliados para reduzir a dependência da China no fornecimento e processamento de terras raras. Nesse contexto, a mina em Goiás passa a ocupar papel mais estratégico dentro dessa reorganização.
Com a transação, o CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, assumirá a presidência da empresa combinada e passará a integrar o conselho. Mick Davis, chairman da Serra Verde e ex-Xstrata, também ingressará no board. 
A potencial expansão da fase 2 da Pela Ema, ainda em avaliação, poderá dobrar a produção de minério bruto extraído diretamente da frente de lavra (mina) antes de qualquer tratamento (run-of-mine) antes de 2030, segundo a USA Rare Earth. Se confirmado, ese volume amplia a escala de uma operação que passa a ser tratada não apenas como ativo brasileiro, mas como peça de uma cadeia estratégica de suprimento mineral.