- AngloGold Ashanti triplicou o fluxo de caixa livre para US$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela valorização do ouro e estabilidade operacional.
- A produção brasileira cresceu 16% no período, com avanço das operações subterrâneas do Complexo Cuiabá em Minas Gerais, que alcançou 67 mil onças de ouro.
- A mineradora amplia investimentos em descarbonização com tecnologia de equipamentos elétricos subterrâneos e dobra alocação de recursos sociais para R$ 30 milhões em Minas Gerais durante 2026.
A AngloGold Ashanti (AGA) registrou fluxo de caixa livre de US$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2026. O resultado é recorde da operação brasileira e foi impulsionado pela valorização do ouro e pela estabilidade operacional de seus ativos, segundo a companhia. A mineradora também ampliou em 16% a produção brasileira no período, com avanço das operações subterrâneas em Minas Gerais.
Dados divulgados pela empresa na última sexta-feira (08/05), em Londres, mostram que produção global alcançou 724 mil onças de ouro entre janeiro e março deste ano, volume 1% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Na América Latina, as operações no Brasil e na Argentina somaram 117 mil onças, com destaque para o desempenho brasileiro, responsável por 67 mil onças.
O fluxo de caixa livre da AGA cresceu 190% na comparação anual, passando de US$ 403 milhões para US$ 1,169 bilhão. O CEO da companhia, Alberto Calderón, afirmou que a estratégia da empresa segue concentrada em eficiência operacional e controle de custos. “Nosso foco continua sendo controlar o que podemos controlar: gerenciar os custos operacionais e garantir resultados operacionais seguros e previsíveis. Isso nos permitiu, mais uma vez, gerar fluxo de caixa livre recorde e retornos de caixa para nossos acionistas, ao mesmo tempo em que impulsionamos nossos projetos de crescimento orgânico”, disse.
Complexo Cuiabá impulsiona desempenho no Brasil
O principal avanço operacional da companhia foi sustentado pelo aumento da produtividade nas frentes subterrâneas do Complexo Cuiabá, em Minas Gerais. “O coração das operações no Brasil continua sendo a Operação Cuiabá, que compreende as minas subterrâneas de Cuiabá e Lamego. Toda a produção converge para a planta metalúrgica do Queiroz, em Nova Lima”, afirmou Luís Lima.
Atualmente, a mina Cuiabá é considerada a mina subterrânea mais profunda do país, com galerias que chegam a 1.600 metros abaixo do solo. De acordo com a empresa, sondagens recentes identificaram mineralização em profundidades superiores a 2.400 metros, o que pode abrir espaço para novos investimentos e ampliação da vida útil da operação.
Na Argentina, a unidade Cerro Vanguardia produziu 50 mil onças no trimestre, crescimento de 6% frente ao mesmo período do ano anterior.
Eletrificação e investimentos sociais
Outro destaque operacional do trimestre foram os testes com a primeira autobetoneira elétrica em operação subterrânea no Brasil. O equipamento, desenvolvido pela Normet, começou a operar na mina Cuiabá e integra a estratégia de descarbonização da AGA. A tecnologia elimina emissões de gases no subsolo e pode reduzir em até 4°C a temperatura em determinadas frentes de trabalho, ainda de acordo com a mineradora.
A companhia também anunciou ampliação dos investimentos sociais no país. O Instituto AngloGold Ashanti destinará R$ 30 milhões para cerca de 70 projetos em Minas Gerais ao longo de 2026. O montante corresponde a mais que o dobro dos R$ 13 milhões aplicados em 2025 e esses recursos devem ser direcionados a iniciativas nas áreas de saúde, educação, cultura, esporte, meio ambiente e geração de renda.