A história da mineração na Bahia começa no século XVIII, quando o estado se envolveu ativamente no ciclo do ouro colonial. Três séculos depois, se consolida no cenário mineral brasileiro, no terceiro lugar no ranking nacional de produção — uma conquista expressiva diante da hegemonia histórica de Minas Gerais e Pará.
Em 2024, o setor mineral baiano gerou receitas de R$ 10,1 bilhões, correspondentes a 3,7% do faturamento nacional. A produção abrange 47 substâncias, revelando uma diversificação que se tornou marca registrada do estado. Dados do primeiro trimestre de 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), confirmam a manutenção dessa posição estratégica.
Onda bilionária de investimentos
Até 2029, o estado prevê receber US$ 8,9 bilhões em investimentos — 13,2% dos US$ 68,3 bilhões previstos para todo o país. Novamente, apenas Minas Gerais (24%) e Pará (19,7%) superam a participação baiana nesse fluxo de capital.
Segundo o Ibram, três grandes projetos de minério de ferro lideram a carteira de empreendimentos em andamento, distribuídos por seis municípios, com aporte estimado em US$ 2,6 bilhões. Paralelamente, avançam expansões significativas na mineração de ouro, cobre, grafita e vanádio, cada um deles com pelo menos um projeto.
Entre as iniciativas greenfield — projetos completamente novos —, destacam-se dois empreendimentos de fertilizantes e um de terras raras, além de um projeto de titânio. A infraestrutura logística, elemento vital para o escoamento da produção, mobiliza quatro projetos que somam US$ 4 bilhões em investimentos.
A Exposibram, principal evento do setor no Brasil, ocorre este ano no estado e dá ainda mais visibilidade às mineradoras baianas, algumas delas líderes nacionais na extração de pelo menos 18 substâncias minerais.
Produção diversificada e exportações em alta
As exportações minerais baianas alcançaram US$ 1,5 bilhão em 2024, com o ouro respondendo por US$ 747 milhões desse total. O vanádio, mineral do qual a Bahia é a única produtora nas Américas, gerou US$ 76 milhões em divisas. Outro caso de exclusividade continental: a produção de ferro-cromo.
O portfólio do estado inclui outras raridades nacionais. A Bahia detém o monopólio da produção brasileira de urânio e lidera a extração de magnesita. Ocupa ainda a segunda posição nacional na mineração de cobre e grafita, além de manter presença relevante no mercado de rochas ornamentais e fertilizantes fosfatados — insumos essenciais para o agronegócio.
No segmento de minério de ferro, destaca-se o empreendimento de Caetité, um dos mais relevantes do país. O projeto conta com logística integrada por meio da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e escoamento pelo Porto Sul, em Ilhéus.
Liderança nacional em pesquisa mineral
A Bahia consolida-se também como centro de excelência em pesquisa mineral — etapa fundamental para a descoberta de depósitos. Conforme a revista Brasil Mineral, o estado registrou 1.600 requerimentos de pesquisa à Agência Nacional de Mineração (ANM) em 2024, a segunda maior quantidade do país, concentrados sobretudo em minerais críticos e estratégicos.
A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico aponta como diferencial competitivo o mapeamento aerogeofísico (com aviões, helicópteros e drones) e geológico atualizado, que facilita a atuação dos empreendedores. Atualmente, mais de 85 substâncias minerais estão sendo pesquisadas no território baiano.
Dados da ANM revelam que a Bahia mantém a liderança nacional em investimentos em pesquisa mineral desde 2014. Entre 2014 e 2023, o estado destinou R$ 2,22 bilhões à atividade — montante superior aos R$ 2,1 bilhões aplicados por Minas Gerais. Segundo o Ibram, 84% desses recursos foram direcionados à expansão das reservas já conhecidas.
A mineração baiana emprega diretamente 15,8 mil profissionais, respondendo sozinha por 7,2% dos postos diretos do setor no Brasil. Quando considerados os empregos indiretos, a estimativa alcança 170 mil postos de trabalho — evidenciando o efeito multiplicador da atividade na economia estadual.

