A Bahiagás iniciará em alguns meses o fornecimento de gás natural para as operações da RHI Magnesita e da Largo, na Bahia. A informação foi confirmada pela diretora Técnica da companhia, Larisse Stelitano, durante uma apresentação sobre o atendimento de gás natural em sua área de concessão, na qual detalhou o avanço do Gasoduto do Sudoeste.
No caso da RHI Magnesita, o atendimento será feito inicialmente por meio de redes locais dedicadas, abastecidas por gás transportado via caminhão, enquanto o trecho final do gasoduto ainda estiver em obras.
O Gasoduto do Sudoeste terá 306 km de extensão e visa a interiorizar o fornecimento de gás no estado da Bahia, atendendo 12 novos municípios. O projeto é considerado vital para a transição energética de grandes indústrias na região, com destaque para o polo de mineração.
“Como a gente tinha prometido para a Magnesita que íamos atendê-los em 2026, eu vou fazer uma rede local e atender por caminhão até a gente construir o gasoduto”, afirmou Stelitano.
A solução antecipa o acesso ao gás natural para as mineradoras, que atualmente utilizam majoritariamente óleo combustível em seus processos, permitindo que avancem em seus cronogramas de descarbonização. “A Magnesita está no pacto global. Então ela precisa descarbonizar”, complementou a diretora.
O avanço do gasoduto

Carlos César, gestor de Grandes Clientes da Bahiagás, destacou que o projeto é um pilar da diretriz de “Interiorização” da companhia. Ele compartilhou o status atualizado da construção, que é dividida em três fases principais:
- Trecho 1 (Itajibá a Jequié): Com 73 km, está em fase final, faltando apenas 100 m para conclusão.
- Trecho 2 (Jequié a Maracás): Com 77 km, o duto está fisicamente concluído. O início da operação aguarda a finalização de discussões contratuais com a Largo, principal cliente âncora do trecho, que passa por modificações processuais e mudanças na gestão.
- Trecho 3 (Maracás a Brumado): O trecho final, que atenderá à RHI Magnesita, está em fase de licenciamento e foi dividido em três lotes para licitação. A rede local anunciada para 2026 funcionará como uma ponte até que esta etapa seja concluída.
O plano de expansão prevê um aumento no investimento da distribuidora. “Hoje estamos com uma suplementação orçamentária de R$ 260 milhões e estamos programando o plano de investimento para 2026, de R$ 340 milhões. Estamos desenvolvendo muito o interior do estado”, pontuou Larisse.
Gás natural como vetor para a mineração
O foco no setor mineral foi enfatizado por Carlos César, que citou uma cooperação técnica firmada entre a Bahiagás e a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).
O objeto da parceria é promover a mútua cooperação com vista ao movimento de ações conjuntas relacionadas ao uso eficiente de gás natural e ao fomento de práticas sustentáveis no setor de mineração. A ideia é otimizar o uso de energia e reduzir o impacto ambiental, alinhando-se às políticas públicas de transição energética.
Substituto do óleo combustível nos fornos e caldeiras, o gás natural é uma alternativa para as frotas de veículos pesados das mineradoras, em vez de diesel.
Além das empresas no traçado do Gasoduto do Sudoeste, a Bahiagás mantém negociações com outras mineradoras, como a Ero, perto de Juazeiro. O plano não envolve a construção de um gasoduto, mas o atendimento com biometano produzido localmente pela Agrovale.
Biometano e diversificação
O biometano, gás renovável produzido a partir de resíduos orgânicos, é outra frente de atuação da Bahiagás para a descarbonização. César informou que a companhia realizou chamadas públicas para aquisição do insumo em 2022 e 2024, e está em fase de negociação com os proponentes.
Segundo o gestor, o potencial de produção de biometano na Bahia é estimado em 2,5 milhões de m3/dia, com dados atualizados previstos para serem divulgados em novembro de 2025.
Essa diversificação de fontes inclui também o suprimento de gás natural fóssil. A concessionária compra atualmente o energético de 11 fornecedores. Segundo César, essa estratégia de diversificação gerou uma economia de meio bilhão de reais para seus clientes em 2024, comparando o preço médio da Bahiagás com o de outras distribuidoras.
Atualmente, a Bahiagás distribui 4,5 milhões de m3/dia de gás, sendo 78% para o mercado cativo e 22% para o mercado livre. A empresa é a maior distribuidora do Nordeste e a segunda maior do Brasil em volume não térmico, com uma rede de 1.300 km e mais de 90 mil clientes.
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