Homem e mulher analisando gráficos de negócios e dados de mercado com laptops, relatórios e uma bandeira do Brasil na mesa de escritório.
Foto: Indypendenz / Shutterstock / Modificada com IA

Brasil deve investir US$ 18,4 bilhões em minerais críticos até 2029

Setor prevê salto de 49% em projetos de terras raras e amplia foco em minerais estratégicos, logística e sustentabilidade no ciclo de 2025 a 2029

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 01/12/2025

Baixar PDF Copiar link

Os minerais críticos estão entre os destaques da mineração no ciclo de 2025 a 2029: devem receber 27% dos US$ 68,4 bilhões de investimentos esperados no período. O maior incremento nesse grupo acontece nos projetos de terras raras, cujos investimentos podem crescer 49% em relação à previsão anterior, que considerava o intervalo de 2024 a 2028.  

Os dados são do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e mostram que os minerais críticos podem ter uma participação equivalente aos aportes na área de minério de ferro, que sozinha responderá por 28,7% dos investimentos nos próximos cinco anos. No balanço do terceiro trimestre de 2025 (3T25), a mineração de ferro respondeu por 52% do faturamento do setor, que somou R$ 76,2 bilhões.

Para Raul Jungmann, diretor-presidente do Ibram, os minerais críticos e estratégicos vão decolar nos próximos anos em termos globais, porque estão ligados ao desenvolvimento de várias áreas, da segurança alimentar (fosfato e potássio, entre outros) à eletrônica (produção de semicondutores). “Quando se fala da transição da economia baseada em fóssil para baixo carbono, a demanda pode ser seis vezes maior”, disse em evento do instituto em que foram divulgados os números do 3T25.

Tabela comparativa entre minerais críticos e minerais estratégicos, destacando suas características, demandas e aplicações na economia.
Critérios utilizados na qualificação relativa de minerais estratégicos e críticos neste trabalho (FONTE: Apuração IBRAM.)

Segundo ele, o Brasil é uma “anomalia geológica”, com reservas de quase todos os minerais críticos e estratégicos. Jungmann ressaltou que os conceitos de criticidade e de estratégia dependem da avaliação de cada país. Ele também destacou a ativação do Conselho Nacional de Política Mineral, considerada uma iniciativa importante para o setor.

Ibram aponta expansão regional e alta no faturamento do setor

O peso da mineração na economia brasileira se confirma pelos dados apresentados pelo Ibram, que mostram um crescimento de 34% no faturamento do segmento no 3T25 em relação ao mesmo período de 2024. Em termos de participação regional, Minas Gerais foi responsável por 39% do montante faturado, seguido por Pará (35%) e pela Bahia (5%), que se confirma na terceira posição.

A mineração pode situar o Brasil entre os
protagonistas globais da inovação tecnológica e
da transição para uma “economia verde”.
Até 2040, a demanda por cobre, lítio, níquel, cobalto, grafita e terras raras deve aumentar mais de 80% (Fonte: IEA – International Energy Agency, 2025.)

As exportações também aumentaram 6,2%, somando US$ 12,2 bilhões, sendo que o minério de ferro respondeu por 65% do valor. As importações aumentaram em valor (3,3%), totalizando US$ 2,5 bilhões, mas tiveram queda em volume.

O saldo da balança comercial mineral foi de US$ 9,64 bilhões, equivalente a 62% do saldo da balança comercial brasileira. Em termos de arrecadação tributária, o setor aumentou em 34% sua contribuição no 3T25 em relação ao 3T24. Somente em CFEM, compensação financeira que as mineradoras pagam pela exploração de recursos minerais, a contribuição foi de R$ 2 bilhões no período.

Tabela comparativa de mineração e produção de minerais entre 2024-2028 e 2025-2029, destacando variações percentuais e participação de mercado.
A previsão é de US$ 18,45 bilhões até 2029 para minerais críticos. Outras substâncias: grafita, vanádio e nióbio. (FONTE: Apuração IBRAM.)

O ciclo de investimentos de 2025 e 2029 aponta ainda duas áreas importantes em termos de volume de aportes. A primeira delas é a socioambiental, que vai receber 16,6% dos US$ 68,4 bilhões previstos, sendo a segunda com maior investimento. Já a área de logística, é a terceira de maior aporte, com US$ 10,9 bilhões, concentrados principalmente na construção ou ampliação de infraestrutura ferroviária e portuária.

Dúvidas mais comuns

De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o Brasil deve investir US$ 18,4 bilhões em minerais críticos até 2029, o que representa 27% dos US$ 68,4 bilhões de investimentos esperados no setor de mineração no período. Esse montante coloca os minerais críticos em posição equivalente aos investimentos em minério de ferro, que responderá por 28,7% dos aportes.

O Brasil possui reservas de quase todos os minerais críticos e estratégicos, sendo considerado uma 'anomalia geológica' nesse aspecto. Os principais minerais críticos com projetos em andamento no país incluem lítio, grafita, níquel, cobre, titânio, vanádio, nióbio e elementos de terras raras. Além desses, o Brasil também possui reservas de fosfato e potássio, importantes para a segurança alimentar.

Os minerais críticos são essenciais para diversas áreas estratégicas, desde a segurança alimentar (fosfato e potássio) até a eletrônica e produção de semicondutores. Na transição da economia baseada em combustíveis fósseis para um modelo de baixo carbono, a demanda por esses minerais pode ser seis vezes maior, tornando-os fundamentais para o desenvolvimento tecnológico e sustentável global.

Os investimentos em projetos de terras raras devem crescer 49% em relação à previsão anterior, que considerava o intervalo de 2024 a 2028. Esse crescimento expressivo reflete a importância crescente das terras raras para a transição energética e para a produção de tecnologias avançadas, posicionando esse segmento como o maior incremento dentro do grupo de minerais críticos.

Os minerais críticos e o minério de ferro têm participações muito semelhantes nos investimentos previstos para 2025-2029. Enquanto os minerais críticos receberão 27% dos US$ 68,4 bilhões (US$ 18,4 bilhões), o minério de ferro responderá por 28,7% dos investimentos. Essa equiparação é significativa, considerando que o minério de ferro respondeu por 52% do faturamento do setor no terceiro trimestre de 2025.

Segundo a International Energy Agency (IEA), a demanda por cobre, lítio, níquel, cobalto, grafita e terras raras deve aumentar mais de 80% até 2040. Esse crescimento expressivo é impulsionado principalmente pela transição para uma economia de baixo carbono e pelo desenvolvimento de tecnologias limpas e sustentáveis.

O Conselho Nacional de Política Mineral foi ativado como uma iniciativa importante para o setor de mineração brasileiro. Sua atuação é fundamental para coordenar políticas e estratégias relacionadas aos minerais críticos e estratégicos, considerando que a criticidade e a estratégia de cada mineral dependem da avaliação e das prioridades de cada país.

Além dos minerais críticos (27% dos investimentos), a mineração brasileira vai investir significativamente em duas outras áreas: a socioambiental, que receberá 16,6% dos US$ 68,4 bilhões previstos, e a logística, que é a terceira de maior aporte com US$ 10,9 bilhões, concentrados principalmente na construção ou ampliação de infraestrutura ferroviária e portuária.