Unidade de processamento da Serra Verde, em Minaçu (GO), especializada na extração e beneficiamento de terras raras.
Unidade de processamento da mineradora Serra Verde, em Minaçu (GO), especializada na extração e beneficiamento de terras raras | Foto: Divulgação/ Serra Verde

Brasil tem prazo para liderar corrida global das terras raras, aponta novo estudo do governo

Levantamento encomendado pelo MCTI conclui que país reúne recursos minerais e capacidade técnica, mas alerta que o sucesso dependerá da rapidez para desenvolver refino

Por Mariana Sgarioni, 2 min de leitura

Publicado em 15/07/2026

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A oportunidade para o Brasil ocupar uma posição de destaque na cadeia global de terras raras é real, mas não permanente. Essa é a principal conclusão do estudo “Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026–2040”, elaborado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), por encomenda do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

O texto aponta que o país reúne recursos minerais suficientes para se tornar líder nesse mercado. O diferencial, porém, não estará na disponibilidade das reservas, vantagem que o Brasil já possui, mas na rapidez com que conseguir transformar esse potencial em capacidade industrial.

Segundo o estudo, o que diferencia os países que conseguiram desenvolver cadeias produtivas relevantes fora da China não é a disponibilidade de recursos minerais nem a capacidade científica, já consolidada nas instituições de pesquisa nacionais. O fator decisivo é a rapidez e a consistência das políticas públicas voltadas ao setor.

“Quatro elementos institucionais são insubstituíveis para que a janela seja capturada: marco regulatório estável de longo prazo, mecanismo soberano de proteção a preços, acordos bilaterais com transferência efetiva de tecnologia e uma entidade operacional de Estado com mandato contratual claro”, pontua o estudo.

Um globo digital iluminado destaca o Brasil, cercado por elementos gráficos futuristas em tons de azul e roxo. Uma faixa roxa exibe a mensagem “Terras Raras no Brasil”, apresentando informações sobre um plano estratégico para as terras raras do Brasil de 2026 a 2040.
Capa do estudo encomendado pelo MCTI

Na avaliação dos pesquisadores, o desafio brasileiro está em transformar sua vantagem geológica em capacidade industrial. Embora o país disponha de recursos suficientes para participar de forma relevante do mercado global de terras raras, o maior potencial econômico está nas etapas de maior valor agregado, como o refino, a metalurgia e a fabricação de materiais avançados, e não apenas na extração mineral.

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Amazônia

O estudo também destaca a importância estratégica da Amazônia para o futuro da cadeia de terras raras. As ocorrências de argilas de adsorção iônica são apontadas como uma reserva de longo prazo, com potencial para sustentar a participação brasileira no mercado internacional além de 2040.

Durante a apresentação do levantamento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou que a próxima década será decisiva para definir se o Brasil permanecerá como exportador de matérias-primas ou se avançará para uma posição mais relevante na nova economia baseada em tecnologias de baixo carbono.

Além de diagnosticar o cenário nacional e internacional, o documento propõe um roteiro estratégico para orientar políticas públicas, investimentos, desenvolvimento tecnológico e ações coordenadas entre governo, academia e indústria ao longo dos próximos 15 anos. 

A proposta é criar as condições necessárias para que os recursos minerais sejam convertidos em capacidade industrial, inovação e maior competitividade.


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