Entre 6 e 8 de julho de 2026, a Vale, em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), realizou a segunda edição do evento Carajás Roundtable. O fórum reuniu participantes de diferentes regiões e setores para discutir as tendências, oportunidades e desafios para o futuro da mineração. Os debates resultaram em dez conclusões sobre os rumos do setor.
Lidas em conjunto, elas trazem a cronologia da mineração e ajudam a entender o momento. Durante décadas, a indústria foi vista como extrativista: tirar recursos do solo e entregá-los aos mercados. Essa definição já não dá conta do que o setor se tornou. Em Carajás, o retrato foi o de uma atividade que deixou de olhar apenas para as minas e passou a buscar conhecimento, tecnologia, confiança e inteligência geopolítica.
Da essencialidade à prosperidade compartilhada
O reconhecimento de que a mineração é essencial não basta. Ela fornece os materiais que sustentam a vida cotidiana e os minerais que impulsionam os avanços tecnológicos e viabilizam a transição energética. Mas o passo seguinte é demonstrar como essa essencialidade se converte em prosperidade compartilhada, com as comunidades dos territórios atuando como parceiras desde a concepção dos projetos, o que lhes dá legitimidade e resiliência.
Visão estratégica e geopolítica
Num mundo marcado por tensões geopolíticas, visão estratégica torna-se vantagem competitiva. Ganha força a ideia de uma “cadeia de suprimentos de relacionamentos” — redes de confiança para responder a choques —, enquanto países em desenvolvimento buscam diversificar parcerias para preservar autonomia.
Mineração + conhecimento
O setor está se tornando cada vez mais intensivo em conhecimento, com automação, IA e modelagem avançada. A capacidade de transformar ciência, dados e tecnologia traz vantagem competitiva sustentável.
Cadeias, capital e descarbonização
Novas minas não bastam para criar novas cadeias de minerais críticos: é preciso um ecossistema industrial completo, e o acesso ao capital segue como gargalo. Na descarbonização do aço, o desafio tem sido mais financeiro do que tecnológico — a questão é quem assumirá os riscos da implementação em larga escala.
IA e o fator humano
A inteligência artificial acelera decisões e torna as operações mais preditivas, mas seu valor depende de transformação organizacional e, sobretudo, de pessoas capazes de interpretar dados e exercer julgamento.
A janela do Brasil
O país reúne mercado, instituições e arcabouço regulatório para atrair investimentos, mas convive com desequilíbrios fiscais e incertezas. A oportunidade está em transformar esses fundamentos em prosperidade sustentável, combinando responsabilidade fiscal com investimentos em inovação, tecnologia e produtividade.
A síntese do Carajás Roundtable revela que a mineração do futuro não será definida apenas por quem tem minério, mas por quem reunir conhecimento, tecnologia, confiança e capacidade de cooperação.