Em meio aos debates sobre minerais críticos no Fórum Econômico Mundial de 2026, em Davos, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a companhia já possui uma atuação consolidada e relevante na produção desses insumos estratégicos.
Segundo o executivo, os minerais críticos constituem um dos três grandes temas debatidos globalmente, ao lado da transição energética e do avanço da inteligência artificial. Esses insumos são considerados fundamentais para a descarbonização da economia e para o desenvolvimento de novas tecnologias.
Embora a demanda por esses minerais seja crescente, Pimenta destacou que há um gargalo estrutural do lado da oferta. Ele explicou que o ciclo para colocar um projeto de mineração em operação, desde a descoberta da reserva até o início da produção, leva cerca de 15 anos.
Nesse contexto, Pimenta ressaltou que a Vale é a maior produtora de níquel para carros elétricos do mundo ocidental e uma das principais fornecedoras globais de cobre, com o compromisso estratégico de dobrar a produção desse metal ao longo dos próximos dez anos.
Outro ativo central da companhia é a produção de minério de ferro de alto teor, da qual a Vale é a maior produtora mundial. Esse tipo de minério é considerado vital para a descarbonização da indústria siderúrgica ao permitir processos produtivos mais eficientes e com menor emissão de carbono.
Oportunidade geopolítica para o Brasil
Para o CEO, o Brasil tem uma oportunidade geopolítica relevante diante do crescimento da demanda global por minerais, especialmente os críticos. “Observa-se um movimento de países como Estados Unidos, Canadá e nações da Europa para fortalecer e diversificar suas cadeias de fornecimento. Isso cria uma oportunidade para o Brasil se tornar um grande ofertante internacional desses produtos, que o país possui em abundância e alta qualidade”, afirmou.Ele ressalta que o Brasil possui diversidade geológica, reservas abundantes, é uma democracia estável e tem posição neutra na cena internacional, figurando como parceiro e fornecedor estratégico.
Para concretizar esse posicionamento, Pimenta destacou que a parceria público-privada é fundamental, uma vez que a mineração depende intrinsecamente do Estado, especialmente em temas como licenciamento ambiental, infraestrutura e incentivos.
O executivo reforçou que a Vale permanece focada na produção de minerais nos quais já possui vantagem competitiva, com destaque para minério de ferro de alto teor, cobre e níquel. Pimenta argumentou ainda que não seria lógica, segundo ele, uma expansão desenfreada para novos tipos de minerais. A estratégia da companhia, explicou, é aprofundar a liderança nos metais essenciais para a economia verde, onde a Vale já conta com operações robustas e eficiência operacional.
De commodity a soluções
O CEO também afirmou que o retorno da Vale à liderança na produção de minério de ferro segue um “caminho natural”, sustentado não apenas pelo volume produzido, mas pela capacidade logística e pela eficiência de suas operações.
Segundo ele, uma mudança central na estratégia da companhia é a transição de um modelo baseado na venda de commodities puras para um modelo orientado a soluções. Na prática, a Vale pode utilizar sua cadeia de fornecimento sofisticada e seus centros de blendagem para oferecer “soluções de minério” ajustadas às necessidades específicas dos clientes, criando uma vantagem frente a concorrentes com menor flexibilidade.
A estratégia prioriza metais essenciais para a descarbonização e a transição energética, nichos nos quais a Vale já possui posição competitiva e escala. Outra iniciativa destacada é a expansão geográfica focada no desenvolvimento das operações existentes no Brasil, Canadá e Indonésia, em vez da entrada em novos territórios. O objetivo é tornar essas operações maiores, mais eficientes e mais lucrativas, aproveitando a logística e o conhecimento já instalados.
“Já a estratégia financeira foca na operação eficiente dos ativos e na prudência ao alocar capital em novos projetos, visando destravar o valor das ações da companhia, que acreditamos ter muito potencial de valorização”, resume Pimenta.