CEO da Vale, Gustavo Pimenta
Gustavo Pimenta, CEO da Vale (Foto: World Economic Forum Annual Meeting via Flickr)

CEO da Vale destaca atuação consolidada da companhia em minerais críticos

Em Davos, executivo afirma que a companhia ocupa posição relevante na transição energética e na economia verde

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 29/01/2026

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  • A Vale possui posição consolidada na produção de minerais críticos, sendo a maior produtora mundial de níquel para veículos elétricos e minério de ferro de alto teor, com compromisso de dobrar produção de cobre nos próximos dez anos.
  • O ciclo de 15 anos para operacionalizar projetos de mineração cria gargalo estrutural de oferta global, enquanto demanda por minerais críticos cresce impulsionada pela transição energética e desenvolvimento tecnológico.
  • O Brasil possui oportunidade geopolítica para fortalecer cadeias de fornecimento internacionais de minerais críticos mediante parcerias público-privadas que viabilizem licenciamento ambiental, infraestrutura e incentivos.
Resumo revisado pela redação.

Em meio aos debates sobre minerais críticos no Fórum Econômico Mundial de 2026, em Davos, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a companhia já possui uma atuação consolidada e relevante na produção desses insumos estratégicos. 

Segundo o executivo, os minerais críticos constituem um dos três grandes temas debatidos globalmente, ao lado da transição energética e do avanço da inteligência artificial. Esses insumos são considerados fundamentais para a descarbonização da economia e para o desenvolvimento de novas tecnologias.

Embora a demanda por esses minerais seja crescente, Pimenta destacou que há um gargalo estrutural do lado da oferta. Ele explicou que o ciclo para colocar um projeto de mineração em operação, desde a descoberta da reserva até o início da produção, leva cerca de 15 anos. 

Nesse contexto, Pimenta ressaltou que a Vale é a maior produtora de níquel para carros elétricos do mundo ocidental e uma das principais fornecedoras globais de cobre, com o compromisso estratégico de dobrar a produção desse metal ao longo dos próximos dez anos.

Outro ativo central da companhia é a produção de minério de ferro de alto teor, da qual a Vale é a maior produtora mundial. Esse tipo de minério é considerado vital para a descarbonização da indústria siderúrgica ao permitir processos produtivos mais eficientes e com menor emissão de carbono.

Oportunidade geopolítica para o Brasil

Para o CEO, o Brasil tem uma oportunidade geopolítica relevante diante do crescimento da demanda global por minerais, especialmente os críticos. “Observa-se um movimento de países como Estados Unidos, Canadá e nações da Europa para fortalecer e diversificar suas cadeias de fornecimento. Isso cria uma oportunidade para o Brasil se tornar um grande ofertante internacional desses produtos, que o país possui em abundância e alta qualidade”, afirmou.Ele ressalta que o Brasil possui diversidade geológica, reservas abundantes, é uma democracia estável e tem posição neutra na cena internacional, figurando como parceiro e fornecedor estratégico.

Para concretizar esse posicionamento, Pimenta destacou que a parceria público-privada é fundamental, uma vez que a mineração depende intrinsecamente do Estado, especialmente em temas como licenciamento ambiental, infraestrutura e incentivos.

O executivo reforçou que a Vale permanece focada na produção de minerais nos quais já possui vantagem competitiva, com destaque para minério de ferro de alto teor, cobre e níquel. Pimenta argumentou ainda que não seria lógica, segundo ele, uma expansão desenfreada para novos tipos de minerais. A estratégia da companhia, explicou, é aprofundar a liderança nos metais essenciais para a economia verde, onde a Vale já conta com operações robustas e eficiência operacional.

De commodity a soluções

O CEO também afirmou que o retorno da Vale à liderança na produção de minério de ferro segue um “caminho natural”, sustentado não apenas pelo volume produzido, mas pela capacidade logística e pela eficiência de suas operações.

Segundo ele, uma mudança central na estratégia da companhia é a transição de um modelo baseado na venda de commodities puras para um modelo orientado a soluções. Na prática, a Vale pode utilizar sua cadeia de fornecimento sofisticada e seus centros de blendagem para oferecer “soluções de minério” ajustadas às necessidades específicas dos clientes, criando uma vantagem frente a concorrentes com menor flexibilidade.

A estratégia prioriza metais essenciais para a descarbonização e a transição energética, nichos nos quais a Vale já possui posição competitiva e escala. Outra iniciativa destacada é a expansão geográfica focada no desenvolvimento das operações existentes no Brasil, Canadá e Indonésia, em vez da entrada em novos territórios. O objetivo é tornar essas operações maiores, mais eficientes e mais lucrativas, aproveitando a logística e o conhecimento já instalados.

“Já a estratégia financeira foca na operação eficiente dos ativos e na prudência ao alocar capital em novos projetos, visando destravar o valor das ações da companhia, que acreditamos ter muito potencial de valorização”, resume Pimenta.

Dúvidas mais comuns

Minerais críticos são insumos estratégicos fundamentais para a descarbonização da economia e o desenvolvimento de novas tecnologias. Eles constituem um dos três grandes temas debatidos globalmente, ao lado da transição energética e do avanço da inteligência artificial. Esses minerais são essenciais para a produção de carros elétricos, painéis solares, baterias e outras tecnologias limpas.

A Vale possui uma atuação consolidada e relevante na produção de minerais críticos. A companhia é a maior produtora de níquel para carros elétricos do mundo ocidental, uma das principais fornecedoras globais de cobre com compromisso de dobrar a produção nos próximos dez anos, e a maior produtora mundial de minério de ferro de alto teor. Essa diversidade de ativos coloca a Vale em posição estratégica no mercado global.

O principal gargalo na oferta de minerais críticos é o longo ciclo de desenvolvimento de projetos de mineração. Desde a descoberta da reserva até o início da produção, o processo leva aproximadamente 15 anos. Essa demora estrutural cria uma defasagem entre a crescente demanda global por esses insumos e a capacidade de aumentar a oferta rapidamente.

O Brasil possui uma oportunidade geopolítica significativa devido à crescente demanda global por minerais críticos. O país tem diversidade geológica, reservas abundantes de alta qualidade, é uma democracia estável e possui posição neutra na cena internacional. Países como Estados Unidos, Canadá e nações europeias buscam diversificar suas cadeias de fornecimento, criando espaço para o Brasil se tornar um grande ofertante internacional desses produtos.

A Vale está transitando de um modelo baseado na venda de commodities puras para um modelo orientado a soluções. A companhia utiliza sua cadeia de fornecimento sofisticada e centros de blendagem para oferecer 'soluções de minério' ajustadas às necessidades específicas dos clientes, criando vantagem competitiva frente a concorrentes com menor flexibilidade.

O minério de ferro de alto teor é vital para a descarbonização da indústria siderúrgica, pois permite processos produtivos mais eficientes com menor emissão de carbono. Como a Vale é a maior produtora mundial desse tipo de minério, a companhia desempenha papel estratégico na transição para uma economia mais sustentável.

A Vale prioriza o desenvolvimento das operações existentes no Brasil, Canadá e Indonésia, em vez de entrar em novos territórios. O objetivo é tornar essas operações maiores, mais eficientes e mais lucrativas, aproveitando a logística e o conhecimento já instalados. Essa abordagem busca maximizar o valor dos ativos existentes e destravar o potencial de valorização das ações da companhia.

A mineração depende intrinsecamente do Estado em temas como licenciamento ambiental, infraestrutura e incentivos. A parceria público-privada é essencial para concretizar o posicionamento do Brasil como grande ofertante internacional de minerais críticos, garantindo que as políticas governamentais e os investimentos privados trabalhem em conjunto para viabilizar projetos de larga escala.