Da direita: Gustavo Pimenta (Vale) e Abrão Neto (Amcham Brasil) debatem sobre os bastidores da gestão de uma das maiores empresas do país
Da direita: Gustavo Pimenta (Vale) e Abrão Neto (Amcham Brasil) debatem sobre os bastidores da gestão de uma das maiores empresas do país. Crédito: Redação Radar Mineração.

CEO da Vale detalha estratégias de execução e tecnologia da empresa em evento no Rio

Em painel com presidente da Amcham Brasil, Gustavo Pimenta debateu o reposicionamento da mineradora com foco em disciplina, cultura organizacional e expansão de mercados

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 26/05/2026

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A busca da Vale para retomar o protagonismo global e reestruturar sua eficiência operacional foi o tema da participação de seu CEO, Gustavo Pimenta, no evento “CEO Fórum: O Desafio da Execução”. Organizado pela Amcham Brasil no auditório da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, o encontro promoveu um diálogo direto entre o executivo e o CEO da entidade, Abrão Neto, abordando os bastidores da gestão de uma das maiores empresas do país.

Ao abrir o painel, Abrão Neto questionou sobre o alinhamento entre estratégia e execução em uma empresa com a escala da Vale, que conta com cerca de 60 mil empregados diretos. “Como se faz para assegurar que as diretrizes estratégicas da empresa estão chegando à ponta e sendo executadas de maneira coordenada e coerente por esse grande contingente?”, perguntou.

“O grande desafio de uma organização do nosso tamanho não é a falta de uma estratégia, mas sim fazer com que ela permeie toda a companhia e chegue de forma clara a quem está na operação”, respondeu Gustavo Pimenta. Para solucionar essa complexidade, o executivo explicou que a mineradora adotou um plano simplificado e consolidado em uma única página, estruturado sob três pilares: portfólio, cultura e reputação.

Comunicação e disciplina do foco

A reputação corporativa passou a integrar diretamente o balanço de metas da equipe liderada por Pimenta, sendo considerada a própria engrenagem de crescimento. “A reputação é a nossa licença para operar e expandir os negócios da companhia”, afirmou Pimenta. O executivo apontou que o papel do CEO moderno exige uma postura de comunicador ativo diretamente na ponta. Como exemplo prático de alinhamento, ele citou o “Encontro 360”, iniciativa desenhada para conectar simultaneamente todos os empregados. O próximo evento ocorre nesta quarta-feira (dia 27/5), em Mangaratiba, no litoral fluminense, com transmissão para todos os colaboradores.

No gerenciamento estratégico, a liderança da mineradora mapeou dez alavancas de capacidade competitiva. A manutenção desse direcionamento exige o que o CEO classificou como um rigor institucional necessário. “Para manter o foco, é preciso ter uma disciplina extrema para rejeitar distrações operacionais e propostas que diluam o objetivo principal da empresa”, destacou Pimenta.

Um grande caminhão basculante de mineração amarelo com o número 6003 na traseira está estacionado em uma estrada de terra em um local de mineração, ilustrando uma parte importante da estratégia da Vale. Colinas verdes e céu azul são visíveis ao fundo.
Mina de Brucutu (MG) foi a primeira a operar com caminhões 100% autônomos no Brasil. Crédito: Caterpillar

O papel da tecnologia no campo

Abrão Neto levantou a questão do papel prático da liderança na adoção de inovações tecnológicas e inteligência artificial no dia a dia da mineração. O CEO da Vale, então, detalhou como as novas ferramentas têm transformado as atividades em campo. “A inovação é um vetor indispensável para otimizar as pessoas e os ativos fixos da mineradora. Hoje, ferramentas de predição nos permitem antecipar falhas mecânicas complexas com alta precisão, como prever o desgaste de um pneu de caminhão em operação na Região Amazônica com uma hora de antecedência”, explicou.

A aplicação prática desse modelo de digitalizado reflete-se na operação da mina de Brucutu, em Minas Gerais. Totalmente autônoma, a unidade se tornou uma referência interna de produtividade, registrando uma redução de 30% nas emissões de dióxido de carbono em função da otimização dos traçados percorridos pelos veículos e à queima eficiente de combustível.

De acordo com o executivo, a transição para esse modelo digital impõe um desafio que vai além dos softwares. “A transformação tecnológica é, majoritariamente, um desafio cultural. Isso demanda programas contínuos de requalificação (upskilling) para preparar os funcionários para as novas funções que surgem no setor”, afirmou Pimenta. No campo da sustentabilidade, ele também relembrou investimentos recentes na frota marítima, com destaque para a entrega do primeiro navio graneleiro do mundo movido a etanol, projetado para operar com combustíveis flexíveis.

Portfólio de longo prazo e transição energética

Ao analisar o cenário macroeconômico global, caracterizado pelo executivo como geopoliticamente fragmentado e desafiador, a conversa avançou para o posicionamento de mercado da companhia. “Nossa estratégia de portfólio de longo prazo está diretamente conectada à transição energética”, disse Pimenta. A Vale direciona suas apostas para atender à descarbonização industrial por meio de três commodities estratégicas:

  • Minério de Ferro: Após reaver em 2025 o posto de maior produtora global da commodity, a companhia planeja consolidar sua liderança global concentrando esforços no fornecimento de minério de alto teor, essencial para viabilizar projetos futuros de “aço verde” via hidrogênio.
  • Cobre: Com as operações focadas em Carajás — onde os teores do metal são quatro vezes superiores à média registrada no mercado chileno —, a meta estipulada pela gestão é, no mínimo, dobrar até 2035 a produção atual de 380 mil toneladas anuais para reduzir a distância histórica em relação aos concorrentes globais.
  • Níquel: Mantendo-se como a principal fornecedora do mercado ocidental, a Vale posiciona este ativo como peça central tanto para a cadeia de baterias de veículos elétricos quanto para o setor de defesa, suprindo 60% da demanda de níquel consumida pelo departamento de defesa dos Estados Unidos.

“A nossa grande pauta hoje é recolocar a Vale nessa agenda protagonista de crescimento dentro da indústria, retomando um papel mais propositivo com base nas competências que temos para crescer e ser uma companhia cada vez maior”, concluiu Pimenta.

Dúvidas mais comuns

A estratégia da Vale está estruturada em três pilares fundamentais: portfólio, cultura e reputação. Segundo o CEO Gustavo Pimenta, essa abordagem simplificada e consolidada em uma única página permite que as diretrizes estratégicas permeiem toda a companhia de forma clara e coordenada, chegando até os colaboradores na operação.

A Vale utiliza um plano estratégico simplificado e adota iniciativas como o 'Encontro 360', que conecta simultaneamente todos os empregados para garantir alinhamento. O CEO também enfatiza a importância da disciplina extrema para rejeitar distrações operacionais e manter o foco nas dez alavancas de capacidade competitiva mapeadas pela liderança.

A reputação corporativa é considerada a engrenagem de crescimento da Vale e integra diretamente o balanço de metas da liderança. Segundo Pimenta, a reputação é a licença para operar e expandir os negócios da companhia, sendo fundamental para o posicionamento global da mineradora.

A Vale utiliza ferramentas de predição para antecipar falhas mecânicas complexas com alta precisão, como prever o desgaste de pneus de caminhões com uma hora de antecedência. A mina de Brucutu, totalmente autônoma, exemplifica essa transformação, registrando redução de 30% nas emissões de CO2 e maior produtividade através da otimização de traçados e queima eficiente de combustível.

O maior desafio na transformação tecnológica é cultural, não apenas técnico. A Vale implementa programas contínuos de requalificação (upskilling) para preparar os funcionários para as novas funções que surgem no setor, reconhecendo que a adoção de inovações vai além da implementação de softwares.

A estratégia de portfólio está diretamente conectada à transição energética, focando em três commodities estratégicas: minério de ferro de alto teor para viabilizar aço verde via hidrogênio, cobre com meta de dobrar a produção até 2035, e níquel como peça central para baterias de veículos elétricos e defesa, suprindo 60% da demanda do departamento de defesa dos EUA.

A Vale pretende, no mínimo, dobrar sua produção atual de 380 mil toneladas anuais de cobre até 2035. As operações estão focadas em Carajás, onde os teores do metal são quatro vezes superiores à média registrada no mercado chileno, permitindo à companhia reduzir a distância histórica em relação aos concorrentes globais.

O CEO moderno deve ser um comunicador ativo que se conecta diretamente com a ponta operacional da empresa. Gustavo Pimenta exemplifica isso através de iniciativas como o 'Encontro 360', que permite diálogo direto com todos os colaboradores, garantindo que as estratégias corporativas sejam compreendidas e executadas de forma coerente em toda a organização.