Pesquisadora da UFRPE e Inabim analisando planta hiperacumuladora para estudos de agromineração sustentável na região agrícola.
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Cientistas mapeiam plantas que simplificam extração de metais

Espécies hiperacumuladoras podem aproveitar depósitos de baixo teor ou coletar rejeitos, com menor custo industrial e ambiental

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 09/01/2026

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  • Pesquisadores da UFRPE e Inabim mapeiam plantas hiperacumuladoras capazes de extrair metais estratégicos de forma sustentável através da agromineração.
  • Plantas hiperacumuladoras representam 0,2% da flora conhecida, mas concentram metais como níquel, zinco e terras raras centenas de vezes acima dos níveis normais, permitindo recuperação por incineração e refino.
  • A tecnologia conecta biodiversidade brasileira, biotecnologia e mineração para gerar retorno econômico, recuperação ambiental e apoiar a transição energética global descarbonizando o setor mineral.
Resumo revisado pela redação.

Os minerais biologicamente essenciais são obtidos, em grande parte, pela ingestão de vegetais que contêm as quantidades suficientes dos elementos e substâncias necessários. Um grupo de pesquisadores reunidos pela UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) trabalha para mapear as espécies capazes de fazer essa absorção em larga escala, assim como nas técnicas de refino mais econômicas e sustentáveis.

O Inabim (Instituto Nacional de Biotecnologias para o Setor Mineral) – centro de pesquisas que integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), liderado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) – atua em quatro eixos: identificação de plantas que acumulam metais, remediação biotecnológica de áreas degradadas, biomineração para extração de metais e o desenvolvimento de tecnosolos vegetados.

Clístenes Nascimento, professor titular da UFRPE e coordenador do Inabim, explica que a agromineração utiliza plantas hiperacumuladoras para extrair metais estratégicos. “Essas espécies representam apenas 0,2% da flora conhecida, mas concentram elementos como níquel, zinco, cobre, manganês e terras raras em níveis centenas de vezes superiores aos das plantas comuns. A biomassa resultante pode ser incinerada, e os metais são então recuperados das cinzas por técnicas de refino, criando uma alternativa sustentável à mineração tradicional”, esclarece o engenheiro agrônomo, em artigo no portal Brasil Mineral.

Segundo Nascimento, a pesquisa avança com o uso de fluorescência de raios X portátil (FRXp) para triagem de acervos de herbários em larga escala. O método já permitiu analisar 12 mil espécimes em coleções científicas de Pernambuco, Bahia, Distrito Federal e Amazonas, resultando na descoberta de espécies brasileiras com potencial para a fitoextração. “Estamos construindo um catálogo de plantas que podem ser cultivadas em áreas degradadas ou barragens descaracterizadas, gerando retorno econômico e contribuindo para a recuperação ambiental”, adianta.

Biodiversidade como oportunidade industrial

O professor da UFRPE argumenta que a conexão entre biodiversidade, tecnologia e indústria é essencial para o futuro da mineração. “Temos condições naturais únicas: solos ultramáficos ricos em metais e uma flora extremamente diversa. Com ciência e colaboração, podemos transformar esses recursos em soluções para a transição energética global e para a descarbonização do setor mineral”, afirma.

A criação do Inabim, aprovado pelo CNPq como Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), marca um passo importante na consolidação da pesquisa em biotecnologias para o setor mineral. A rede reúne 40 cientistas de todas as regiões do Brasil e 11 pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos, com um aporte de R$ 10,9 milhões para quatro linhas de atuação: identificação de plantas hiperacumuladoras; remediação de áreas contaminadas com fitoextração e microrganismos; biomineração com microrganismos; e desenvolvimento de tecnosolos para sequestro de carbono.

“A ideia é criar soluções aplicáveis, que façam a ponte entre a biodiversidade brasileira e a economia circular”, resume Nascimento.

Outro projeto de INCT, também aprovado neste ano, relacionado à geologia e às ciências biológicas, é liderado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), com um aporte de R$ 11,8 milhões. O eixo é o desenvolvimento de metodologias avançadas de mapeamento e uso sustentável dos solos, com sensores, inteligência artificial e estudos em escalas que vão de propriedades rurais a microbacias. 

“Esse esforço conjunto reforça a capacidade do Brasil de liderar pesquisas de ponta em ciência do solo e mineração sustentável”, avalia Carlos Schaefer, professor da UFV coordenador do grupo de pesquisadores.

Dúvidas mais comuns

Plantas hiperacumuladoras são espécies raras que representam apenas 0,2% da flora conhecida, mas possuem a capacidade extraordinária de concentrar elementos químicos como níquel, zinco, cobre, manganês e terras raras em níveis centenas de vezes superiores aos das plantas comuns. Essas plantas conseguem absorver e acumular metais estratégicos em suas estruturas, tornando-as ferramentas valiosas para a extração sustentável de minerais.

A agromineração utiliza plantas hiperacumuladoras para extrair metais estratégicos de forma sustentável. As plantas são cultivadas em áreas degradadas ou barragens descaracterizadas, onde absorvem os metais do solo. Após o crescimento, a biomassa é incinerada e os metais são recuperados das cinzas através de técnicas de refino, criando uma alternativa econômica e ambientalmente responsável à mineração tradicional.

A Alocasia macrorhiza, conhecida popularmente como orelha-de-elefante-gigante, é uma planta identificada pela Universidade Federal do Amazonas como biorremediadora eficaz em áreas contaminadas. Além dessa espécie, pesquisadores da UFRPE e do Inabim estão mapeando diversas plantas hiperacumuladoras brasileiras com potencial para fitoextração de metais pesados, incluindo espécies endêmicas com capacidade de acumular níquel e outros elementos estratégicos.

O Inabim atua em quatro eixos principais: identificação de plantas hiperacumuladoras, remediação biotecnológica de áreas degradadas, biomineração para extração de metais e desenvolvimento de tecnosolos vegetados. Com um aporte de R$ 10,9 milhões e uma rede de 40 cientistas brasileiros e 11 pesquisadores internacionais, o instituto busca criar soluções aplicáveis que façam a ponte entre a biodiversidade brasileira e a economia circular, apoiando a transição energética global.

A fluorescência de raios X portátil (FRXp) permite a triagem em larga escala de acervos de herbários, possibilitando análises rápidas e não-destrutivas de espécimes. Essa tecnologia já permitiu aos pesquisadores da UFRPE analisar 12 mil espécimes em coleções científicas de Pernambuco, Bahia, Distrito Federal e Amazonas, resultando na descoberta de espécies brasileiras com potencial para fitoextração de metais.

O Brasil possui condições naturais únicas, incluindo solos ultramáficos ricos em metais e uma flora extremamente diversa. A conexão entre biodiversidade, tecnologia e indústria permite transformar esses recursos naturais em soluções para a transição energética global e descarbonização do setor mineral, gerando retorno econômico enquanto contribui para a recuperação ambiental de áreas degradadas.

As plantas hiperacumuladoras podem extrair diversos metais estratégicos, incluindo níquel, zinco, cobre, manganês e terras raias. O níquel é particularmente importante, sendo utilizado na fabricação de baterias, ligas metálicas e aço inoxidável. Esses metais são essenciais para a transição energética e para a produção de tecnologias limpas, tornando a fitoextração uma alternativa valiosa à mineração convencional.

As plantas hiperacumuladoras podem ser cultivadas em áreas degradadas ou barragens descaracterizadas, onde simultaneamente extraem metais do solo e promovem sua recuperação. Esse processo, conhecido como fitoextração, gera retorno econômico através da recuperação de metais valiosos enquanto restaura a qualidade ambiental das áreas contaminadas, criando uma solução que beneficia tanto a economia quanto o meio ambiente.