Os minerais biologicamente essenciais são obtidos, em grande parte, pela ingestão de vegetais que contêm as quantidades suficientes dos elementos e substâncias necessários. Um grupo de pesquisadores reunidos pela UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) trabalha para mapear as espécies capazes de fazer essa absorção em larga escala, assim como nas técnicas de refino mais econômicas e sustentáveis.
O Inabim (Instituto Nacional de Biotecnologias para o Setor Mineral) – centro de pesquisas que integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), liderado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) – atua em quatro eixos: identificação de plantas que acumulam metais, remediação biotecnológica de áreas degradadas, biomineração para extração de metais e o desenvolvimento de tecnosolos vegetados.
Clístenes Nascimento, professor titular da UFRPE e coordenador do Inabim, explica que a agromineração utiliza plantas hiperacumuladoras para extrair metais estratégicos. “Essas espécies representam apenas 0,2% da flora conhecida, mas concentram elementos como níquel, zinco, cobre, manganês e terras raras em níveis centenas de vezes superiores aos das plantas comuns. A biomassa resultante pode ser incinerada, e os metais são então recuperados das cinzas por técnicas de refino, criando uma alternativa sustentável à mineração tradicional”, esclarece o engenheiro agrônomo, em artigo no portal Brasil Mineral.
Segundo Nascimento, a pesquisa avança com o uso de fluorescência de raios X portátil (FRXp) para triagem de acervos de herbários em larga escala. O método já permitiu analisar 12 mil espécimes em coleções científicas de Pernambuco, Bahia, Distrito Federal e Amazonas, resultando na descoberta de espécies brasileiras com potencial para a fitoextração. “Estamos construindo um catálogo de plantas que podem ser cultivadas em áreas degradadas ou barragens descaracterizadas, gerando retorno econômico e contribuindo para a recuperação ambiental”, adianta.
Biodiversidade como oportunidade industrial
O professor da UFRPE argumenta que a conexão entre biodiversidade, tecnologia e indústria é essencial para o futuro da mineração. “Temos condições naturais únicas: solos ultramáficos ricos em metais e uma flora extremamente diversa. Com ciência e colaboração, podemos transformar esses recursos em soluções para a transição energética global e para a descarbonização do setor mineral”, afirma.
A criação do Inabim, aprovado pelo CNPq como Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), marca um passo importante na consolidação da pesquisa em biotecnologias para o setor mineral. A rede reúne 40 cientistas de todas as regiões do Brasil e 11 pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos, com um aporte de R$ 10,9 milhões para quatro linhas de atuação: identificação de plantas hiperacumuladoras; remediação de áreas contaminadas com fitoextração e microrganismos; biomineração com microrganismos; e desenvolvimento de tecnosolos para sequestro de carbono.
“A ideia é criar soluções aplicáveis, que façam a ponte entre a biodiversidade brasileira e a economia circular”, resume Nascimento.
Outro projeto de INCT, também aprovado neste ano, relacionado à geologia e às ciências biológicas, é liderado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), com um aporte de R$ 11,8 milhões. O eixo é o desenvolvimento de metodologias avançadas de mapeamento e uso sustentável dos solos, com sensores, inteligência artificial e estudos em escalas que vão de propriedades rurais a microbacias.
“Esse esforço conjunto reforça a capacidade do Brasil de liderar pesquisas de ponta em ciência do solo e mineração sustentável”, avalia Carlos Schaefer, professor da UFV coordenador do grupo de pesquisadores.
Dúvidas mais comuns
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Plantas hiperacumuladoras são espécies raras que representam apenas 0,2% da flora conhecida e possuem a capacidade de absorver e concentrar metais em níveis centenas de vezes superiores aos das plantas comuns. Essas plantas armazenam metais como níquel, zinco, cobre, manganês e terras raras em quantidades tão grandes que podem ser utilizadas para limpar áreas poluídas e até mesmo extrair metais de forma sustentável, transformando a mineração tradicional em um processo mais ecológico.
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A agromineração utiliza plantas hiperacumuladoras para extrair metais estratégicos de forma sustentável. As plantas são cultivadas em áreas degradadas ou barragens descaracterizadas, onde absorvem os metais do solo. Após o crescimento, a biomassa é incinerada e os metais são recuperados das cinzas através de técnicas de refino econômicas. Esse processo gera retorno econômico enquanto contribui para a recuperação ambiental das áreas utilizadas.
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As plantas hiperacumuladoras podem extrair diversos metais estratégicos, incluindo níquel, zinco, cobre, manganês e terras raras. Esses elementos são essenciais para a transição energética global e para tecnologias modernas. O Brasil possui condições naturais únicas com solos ultramáficos ricos em metais, o que torna o país especialmente adequado para o desenvolvimento dessa tecnologia de extração sustentável.
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Os pesquisadores utilizam a fluorescência de raios X portátil (FRXp) para triagem de acervos de herbários em larga escala. Esse método não destrutivo permite analisar rapidamente milhares de espécimes em coleções científicas. Até o momento, foram analisados 12 mil espécimes em coleções de Pernambuco, Bahia, Distrito Federal e Amazonas, resultando na descoberta de espécies brasileiras com potencial para a fitoextração.
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O Instituto Nacional de Biotecnologias para o Setor Mineral (Inabim), aprovado como Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e liderado pela UFRPE, atua em quatro eixos principais: identificação de plantas hiperacumuladoras, remediação biotecnológica de áreas degradadas, biomineração com microrganismos e desenvolvimento de tecnosolos para sequestro de carbono. A instituição reúne 40 cientistas de todas as regiões do Brasil e 11 pesquisadores internacionais, com investimento de R$ 10,9 milhões para criar soluções que façam a ponte entre a biodiversidade brasileira e a economia circular.
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A agromineração fornece uma alternativa sustentável à mineração tradicional para a extração de metais estratégicos essenciais para a transição energética global, como terras raras e outros elementos críticos. Ao utilizar plantas hiperacumuladoras e técnicas biotecnológicas, o processo reduz o impacto ambiental da mineração convencional, descarboniza o setor mineral e permite a recuperação de áreas degradadas simultaneamente, alinhando-se aos objetivos de sustentabilidade ambiental.
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O Brasil possui condições naturais únicas para a mineração sustentável: solos ultramáficos naturalmente ricos em metais e uma flora extremamente diversa com espécies hiperacumuladoras ainda não totalmente mapeadas. Essa combinação de recursos naturais, aliada à pesquisa científica de ponta e à colaboração internacional, posiciona o país como líder potencial em biotecnologias para o setor mineral, transformando a biodiversidade em oportunidade industrial e econômica.
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A fitoextração utiliza plantas hiperacumuladoras para remover metais pesados de solos contaminados, limpando áreas poluídas enquanto gera biomassa com valor econômico. Além das plantas, microrganismos também podem ser utilizados para potencializar o processo de remediação. Dessa forma, a tecnologia resolve simultaneamente dois problemas: recupera ambientalmente áreas degradadas e produz matéria-prima para a extração de metais, criando um modelo de economia circular.