Trabalhador manuseando componentes de uma bateria de íon de lítio em uma instalação de mineração, evidenciando estratégias de circularidade na mineração.
Foto: Scharfsinn / Shutterstock

Circularidade na mineração avança com materiais para baterias

Além da reciclagem de aço e alumínio, o reaproveitamento de metais se amplia nos casos de lítio e de cobalto

Por Redação, 4 min de leitura

Publicado em 20/02/2026

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A indústria de metais e mineração tem uma meta ambiciosa de reduzir sua participação nas emissões de gases de efeito estufa. Segundo relatório da McKinsey, a participação passaria de 20%, em 2024, para 6% em 2035. Nessa jornada, a circularidade pode ser grande aliada.

A consultoria aponta que o aumento na utilização de materiais reciclados pode contribuir com um quinto da redução prevista. Para os especialistas responsáveis pelo estudo, a circularidade tem um papel estratégico ao desbloquear o valor da sucata, da reciclagem e dos modelos de negócio circulares.

Taxas de coleta e recuperação de metais

Os dados da McKinsey apontam que o volume de materiais reciclados entre os metais aumentou entre 2015 e 2024. No entanto, a participação dos materiais reciclados no volume total da produção mineral primária (extraída das minas) só aumentou significativamente nos casos do zinco e dos materiais relacionados à produção de baterias, entre eles cobalto, lítio e níquel.

O documento ainda destaca o porquê do incremento da reciclagem de alguns metais. Para o lítio, o forte crescimento no volume reciclado (2.156%) foi impulsionado tanto por melhorias nas taxas de coleta quanto nas taxas de recuperação.

Para o cobalto e níquel, o aumento nos materiais reciclados foi puxado pelo aumento nas taxas de coleta, devido às iniciativas de reciclagem de baterias. No caso do níquel, a recuperação por meio de sucata de aço inoxidável é excluída, o que mantém sua participação reciclada relativamente baixa.

Em relação ao zinco, o aumento no volume e na participação do metal reciclado aconteceu pela maior disponibilidade de aço galvanizado para reciclagem e também pela mudança para a produção de aço em fornos elétricos a arco.

O cenário é diferente para metais como o alumínio, que já tem práticas de reciclagem estabelecidas. Para esse caso, os especialistas projetam que o progresso provavelmente virá de melhorias incrementais nos sistemas de coleta, além do escalonamento de tecnologias avançadas de reciclagem.

Fluxos globais de sucata

Sucata metálica prensada destinada ao mercado secundário, empilhada em blocos para reciclagem de metal.
Foto: kao / Shutterstock

Ainda na avaliação da McKinsey, os países ocidentais continuam sendo exportadores líquidos de sucata para os países orientais. Os exemplos de aço, cobre e alumínio são os mais destacados.

Em relação aos dois primeiros, a Europa e a América do Norte exportam sucata de aço e cobre principalmente para o Oriente Médio e Norte da África, além de alguns países asiáticos. A China e a Índia, nesse caso, têm uma necessidade limitada de importação de sucata de aço, pois suas indústrias são baseadas em fornos de oxigênio básico, alimentados por sucata doméstica, minério de ferro e carvão metalúrgico.

Já os fluxos de sucata de alumínio são mais complexos. A sucata de alta qualidade tende a permanecer nos mercados maduros. A sucata de baixa qualidade, misturada ou contaminada é tipicamente exportada para países de custo mais baixo para triagem manual e reutilização.

A China, devido à restrição de sua produção primária de alumínio e à pressão por descarbonização, está expandindo rapidamente a capacidade do mercado secundário. Isso aumentou a demanda por importações de sucata de alta qualidade, enquanto restringe o material de baixa qualidade.

Outra informação do relatório é sobre a diferença de preço transatlântica, que resultou em um aumento de 44% nas importações de sucata de alumínio dos Estados Unidos, provenientes da União Europeia (UE) entre o segundo trimestre de 2024 (2T24) e o mesmo período (2T25) de 2025. Detalhe: a  União Europeia introduziu um monitoramento rigoroso das exportações de sucata.

Modelos de negócio

De acordo com a McKinsey, as estratégias e modelos de negócio desenvolvidos na circularidade em mineração tem como objetivo principal garantir o fornecimento de sucata e otimizar sua utilização, conforme as iniciativas resumidas a seguir:

Captura de fluxos downstream: O foco nesse caso é trabalhar com fabricantes de equipamentos originais (OEMs), fabricantes e consumidores para capturar sucata pós-industrial e de fim de vida.

• Segurança de acesso à sucata: A estratégia envolve o estabelecimento de contratos de longo prazo com fornecedores de sucata para mitigar a volatilidade de preço e disponibilidade.

• Investimento em infraestrutura de coleta: Esse modelo envolve a expansão da infraestrutura para fechar o ciclo de reciclagem. Isso inclui a implementação de esquemas de devolução (por exemplo, para carros antigos) e sistemas de depósito-reembolso (por exemplo, para latas de alumínio na Europa).

• Parcerias para circularidade: Foco na colaboração com fornecedores e clientes para aumentar a circularidade e obter acesso direto à sucata.

• Certificação de insumos: Envolve a adoção de plataformas de rastreabilidade digital para certificar insumos e provar a credibilidade ESG (Ambiental, Social e Governança), gerando diferenciação competitiva.

Tecnologias atuais e emergentes

Exposição de baterias de lítio em destaque
Foto: humphery / Shutterstock

Enquanto as indústrias tradicionais (aço, alumínio) dependem de processos estabelecidos, o futuro da circularidade é impulsionado por tecnologias de separação avançadas (para sucata mista) e inovações em design de produtos (como novas químicas de bateria), além de sistemas digitais (rastreabilidade) para gerenciar o fornecimento de sucata de forma mais eficiente.

O caso do aço é um exemplo tradicional, com índices de coleta e recuperação de 95% (para sucata pura, no caso da recuperação) entre 2015 e 2024.

Por outro lado, a reciclagem de baterias mostra a circularidade em novas fronteiras. De acordo com o relatório, houve um melhoramento significativo de materiais reciclados para cobalto, lítio e níquel, impulsionado por um aumento nas taxas de coleta.

Os especialistas indicam que, para avançar na circularidade, especialmente para lidar com fluxos de sucata complexos e garantir o fornecimento de materiais críticos, são necessárias tecnologias avançadas e inovações habilitadoras.

Entre elas está a tecnologia para separar sucata mista, crucial para fechar o ciclo de reciclagem de metais tradicionais como o alumínio. Outra aposta está nas máquinas de reciclagem inovadoras.

Otimização de recursos

Embora não sejam tecnologias de reciclagem em si, as inovações no design de produtos também reduzem a demanda por materiais difíceis de reciclar ou de fornecimento concentrado, aliviando a pressão sobre a cadeia de fornecimento primária e secundária.

Entram nessa lista, por exemplo, as baterias de íons de sódio, que eliminam a necessidade de lítio, níquel e cobalto. A produção foi anunciada por montadoras de automóveis até 2027.  Outra linha envolve os motores síncronos eletricamente excitados, que podem excluir a dependência de ímãs de elementos de terras raras.

Os avanços igualmente podem ocorrer quando as empresas investem em sistemas de rastreamento para melhorar a coleta e a transparência da sucata. Nesse contexto, há até plataformas para certificar insumos e comprovar a credibilidade ESG das iniciativas.