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CO2 pode ser convertido em combustível marítimo para estimular a descarbonização

No Brasil, Porto do Açu e Repsol Sinopec estão liderando a pesquisa sobre o desenvolvimento do novo combustível renovável

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 08/09/2025

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Uma iniciativa pioneira do Porto do Açu, em parceria com a Repsol Sinopec Brasil (RSB), pretende desenvolver uma alternativa sustentável para o setor marítimo, por meio da produção de um combustível renovável gerado a partir do dióxido de carbono (CO2) capturado nas operações. 

A ação é uma das estratégias desenvolvidas para atender à determinação que estabelece que, a partir de 2028, todo o transporte marítimo internacional deve reduzir as emissões de dióxido de carbono em 20% (até 2030), eliminando-as até 2050. 

Para as empresas que não cumprirem os limites, haverá aumento de custos operacionais: a partir de 2028, os navios terão de arcar com uma penalidade de US$ 380 por tonelada, para cada tonelada extra de CO2 equivalente que emitirem acima de um limite fixo de emissões. Há ainda uma penalidade de US$ 100 por tonelada.

CO2 como combustível renovável

Para contornar essa questão e promover o uso de combustíveis renováveis no segmento, várias soluções estão sendo desenvolvidas. Uma delas é a captura de CO2 do ar, para a conversão do gás carbônico em combustível renovável, usado não apenas como combustível marítimo, mas, também, como um produto destinado ao setor de aviação (SAF, ou combustível sustentável de aviação). 

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A expectativa das empresas envolvidas no projeto é de que a planta-piloto, já em testes, consiga capturar 5 mil toneladas de CO2 por ano e produzir cerca de 300 litros de combustível sustentável por dia, o qual será testado nas embarcações. 

Eugenio Figueredo, CEO do Porto do Açu, ressaltou em nota à imprensa que este projeto é um “marco para a indústria brasileira e global”, impulsionando a transição energética e a busca por metas climáticas através da inovação.

O projeto foi um dos 43 aprovados (de um universo de 76 inscrições) por uma chamada pública do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), cujo objetivo é a descarbonização do setor marítimo, incluindo mudanças na composição ou a substituição dos combustíveis de origem fóssil.[

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Etanol também é alternativa para descarbonizar

Além da tecnologia para captura e transformação de CO2 em combustível, os biocombustíveis, especialmente o etanol, vêm ganhando importância como alternativa para o “biobunker” (mistura de etanol ou biodiesel com óleo combustível tradicional). As projeções indicam que o combustível proveniente da cana-de-açúcar, milho e de outros vegetais pode reduzir as emissões de CO2 em até 80% nas rotas marítimas entre Brasil e Europa.

O Brasil já se posiciona como um produtor relevante, com uma demanda potencial de 4 milhões de toneladas anuais (ou 4 bilhões de litros) de biocombustível marítimo, segundo estudo da consultoria Hedgepoint. O biodiesel, no entanto, demanda outros cuidados, pois é um produto com alto poder higroscópico, sendo que a absorção de água pode levar à perda de suas características, levando à necessidade de maiores cuidados no uso e armazenamento. O etanol, por sua vez, se mostra promissor. A Companhia Brasileira de Offshore (CBO) anunciou, em julho, o contrato do Projeto Etanol, para início da conversão de um motor marítimo de grande porte para operar com sistema dual-fuel diesel/etanol. Com menor pegada de carbono, o etanol tem potencial de reduzir até 90% as emissões, considerando todo o seu ciclo de vida.