- A demanda por minerais críticos como lítio e cobalto pode crescer 500% em 25 anos para viabilizar a transição energética, criando pressão simultânea por inovação e proteção ambiental.
- A mineração sustentável requer transformação tecnológica incluindo reaproveitamento de rejeitos, energia renovável nas operações e automação digital para reduzir desperdício e impactos.
- O setor enfrenta paradoxo central: minerais são indispensáveis para economia de baixo carbono, mas sua extração em larga escala ameaça biomas e comunidades locais sem regulação robusta.
Tanto as soluções para geração de energia renovável quanto a transição para essas fontes limpas dependem de minerais como lítio e cobalto, cuja demanda por extração pode aumentar 500% nos próximos 25 anos, segundo o World Bank Group. Esse crescimento impõe novos desafios e exige mais inovação. Além de reduzir a pegada de carbono, a proteção dos biomas e o bem-estar das comunidades se tornaram outros pilares da transição energética justa.
Em um artigo publicado no Fórum Internacional de Energia, os autores ressaltam que a mineração é indispensável para viabilizar a transição energética, mas alertam que seu crescimento precisa vir acompanhado de inovação, regulação e práticas sustentáveis capazes de proteger biomas e comunidades locais.
A publicação destaca que a mineração, embora imprescindível para a transição energética, carrega riscos ambientais e sociais significativos. A pressão pela expansão da oferta de lítio, cobalto, níquel, cobre e terras raras cria um paradoxo: esses minerais são indispensáveis para turbinas eólicas, veículos elétricos e baterias de larga escala, mas sua extração em grande escala pode provocar destruição de habitats, poluição de cursos d’água, degradação do solo e impactos diretos às pessoas.
Os autores relembram que o setor é intensivo em recursos naturais e energia e que houve acidentes que levaram a uma extensa e profunda revisão de processos e transformação para evitar danos ao meio ambiente e às populações vizinhas. Além disso, a falta de regulação robusta e de condições seguras de trabalho em alguns países produtores intensifica os custos humanos e sociais.
Esse cenário projeta um desafio central: como garantir o fornecimento dos minerais críticos necessários para uma economia de baixo carbono sem impor um ônus inaceitável aos ecossistemas e comunidades que se busca proteger.
Soluções para uma mineração sustentável
O mesmo artigo indica que a resposta a esse dilema passa pela transformação dos métodos de extração e pela adoção de práticas inovadoras. Entre as soluções destacadas estão o reaproveitamento de rejeitos, a reabilitação de áreas mineradas por meio de reflorestamento e gestão adequada de resíduos, além de iniciativas de integração com comunidades locais para transformar a mineração em vetor de desenvolvimento.
Outra frente é a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis no funcionamento das minas, tendência já observada em países como Chile e África do Sul, onde projetos de geração solar e eólica abastecem operações minerárias. Estratégias de captura e armazenamento de carbono também surgem como alternativas para neutralizar parte das emissões do setor.
As tecnologias digitais aparecem como aliadas: perfuração de precisão, monitoramento avançado e automação reduzem o desperdício e aumentam a segurança. Ao mesmo tempo, novas abordagens de gestão da água e do uso energético permitem reduzir drasticamente o impacto ambiental. Diante do crescimento exponencial da demanda por minerais estratégicos, o desafio não é apenas aumentar a produção, mas reinventar a forma de produzir, equilibrando o caráter extrativo da mineração com compromissos ambientais firmes e soluções tecnológicas que viabilizem uma economia de baixo carbono.