Edição 2026 da Conexpo Con/Agg, feira de construção com ampla variedade de máquinas, caminhões e equipamentos de construção
Foto: CONEXPO- CON/AGG via Flickr

Conexpo mostra a face da mineração 4.0

Com IA sob o escopo da automação, fabricantes mostram soluções de equipamentos elétricos, condução autônoma e a junção disso tudo para ampliar a produtividade no campo

Por Nelson Valencio, 5 min de leitura

Publicado em 06/03/2026

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  • A Conexpo 2026 apresenta automação baseada em dados, condução autônoma e inteligência artificial como tecnologias integradas para aumentar a produtividade e segurança na mineração e construção pesada.
  • Fabricantes como Komatsu, Epiroc e Sandvik destacam sistemas de manutenção preditiva com IA, operação remota de equipamentos e automação avançada para reduzir paradas não planejadas e escassez de mão de obra.
  • A migração de manutenção reativa para preditiva, combinada com telemática e análise em tempo real, permite que operadores gerenciem múltiplas máquinas remotamente e tomem decisões mais rápidas e inteligentes.
Resumo revisado pela redação.

A edição 2026 da Conexpo Con/Agg, uma das maiores feiras de tecnologia para construção e mineração do mundo, apresentou tendências para as operações off road nos próximos anos, como a automação e condução autônoma de equipamentos, avanço da eletrificação de máquinas e o uso crescente de inteligência artificial, especialmente aplicada à manutenção preditiva e à gestão de frotas. Realizada nesta semana no principal centro de convenções de Las Vegas (Las Vegas Convention Center), a feira reuniu mais de 2 mil expositores e um público total estimado em 140 mil visitantes. 

Nesta edição, além de máquinas pesadas, equipamentos de britagem e correias transportadoras de minérios, os expositores destacaram soluções em tecnologia digital e peças de desgaste voltadas a aumentar a produtividade e a segurança operacional de equipamentos de grande porte. A Conexpo tem abrangência global por antecipar inovações de grandes players, mas também serve de palco para lançamentos de motores sustentáveis, pneus inteligentes, sistemas de telemetria e gestão de frotas. 

O evento de Las Vegas é trienal, pois divide calendário com outras duas grandes feiras globais de tecnologias e equipamentos pesados para construção e mineração: a Bauma, realizada em Munique, na Alemanha, e a M&T Expo, realizada em São Paulo.

Automação baseada em dados ganha espaço nas operações

Seguindo a tendência de que 2026 marque o ano no qual a IA começa a ser aplicada, de fato, aos negócios, muitos expositores da Conexpo mostram novidades nessa linha. Contudo, nesta edição ficou claro que a IA não é a tecnologia-mãe para esse mercado, mas sim parte do “guarda-chuva” da automação. 

O mesmo vale para telemática e telemetria, propulsão elétrica, condução autônoma, imagens 3D e outras soluções que despontaram nos últimos anos. Afinal, no fim do dia, essas tecnologias precisam apoiar a automação de atividades importantes para a operação das mineradoras, como a manutenção proativa, que vai evitar paradas no processo por culpa de quebra de equipamentos.

A migração da manutenção reativa para um cenário preditivo não é novidade, mas o uso intenso de inteligência artificial para isso, sim. É o caso de sistemas com suporte de IA e ferramentas móveis para eliminar suposições e prever problemas antes que eles ocorram. A união de análise preditiva, automação em tempo real e histórico financeiro da frota, por exemplo, proporciona ganhos, entre os quais eles a redução do tempo de inatividade dos equipamentos.

Como as máquinas modernas estão repletas de sensores e sistemas de diagnóstico, o uso da telemática permite o monitoramento em tempo real do tempo ocioso do equipamento, da eficiência no consumo de combustível e da necessidade de manutenção preventiva. Quando os dados de telemática são combinados com o treinamento de operadores, cria-se um ciclo de feedbacks no qual os dados identificam maus hábitos de operação e o treinamento os corrige.

Equipamentos de operação remota

Um equipamento de operação remota, caminhão de carga pesada da Komatsu, usado em construções e minerações, com controle remoto.
Caminhões fora de estrada HD605-10 (Foto: Komatsu)

A condução autônoma de equipamentos (em outras palavras: os equipamentos que trabalham sem operador embarcado) também está no contexto mais amplo de automação de equipamentos pesados e, não à toa, foi destaque de vários fabricantes na Conexpo. 

A Komatsu, por exemplo, apresentou caminhões rígidos autônomos e que fazem uso intensivo de IA. Explicando: o equipamento já vem com desempenho aprimorado e integrações inteligentes da plataforma de pedreira (mineração de areia e brita). O recurso permite a operação autônoma de caminhões basculantes e está disponível tanto para veículos novos quanto para retrofit, na adaptações em veículos já existentes.

A Komatsu enfatiza o conceito de “desempenho conectado”, integrando suas máquinas a um ecossistema digital que engloba desde a gestão de frotas até a inteligência artificial e a autonomia, iniciativa que se repete em outros fabricantes.

Na Epiroc, por exemplo, os sistemas autônomos e as operações remotas estão focados para reduzir os problemas de escassez de mão de obra e os riscos de segurança em ambientes insalubres, como mineração subterrânea. Para a fabricante, em vez de eliminar postos de trabalho, a tecnologia deve transferir o controle das máquinas do campo para salas centralizadas e seguras, permitindo que os operadores gerenciem várias máquinas a distância e assumam funções de supervisão, otimização e tomada de decisão.

Máquina de mineração autônoma operando dentro de uma mina subterrânea, destacando tecnologia remota e sistemas automáticos para reduzir problemas de escassez.
Epiroc Scooptram ST18 SG, carregadeira subterrânea elétrica (Foto: Epiroc)

A Sandvik, outro player tradicional do setor, mostra a mesma tendência nas plantas de processamento, ao exibir britadores com o sistema de automação avançada para regulagem automática. A fabricante de origem sueca também mostra uma nova perfuratriz dotada de sistemas automáticos de perfuração.

De modo geral, esta foi a primeira edição da Conexpo na qual a IA tem um espaço ampliado. Aa Caterpillar exemplifica isso com o seu sistema Cat AI Assistant, que ajuda os clientes a interagirem mais facilmente com as máquinas e ferramentas digitais, fornecendo recomendações no momento certo para decisões mais rápidas e inteligentes.

Manutenção preditiva com IA

Como um dos motes da automação é melhorar a manutenção, os lançamentos na Conexpo incluem o serviço de manutenção preditiva da Metso, com a IA já integrada na plataforma da fabricante, analisando dados das máquinas em tempo real para identificar sinais precoces de falhas e evitar paradas não planejadas. Nesse caso, estamos falando de grandes equipamentos fixos da área de processamento, incluindo britadores e moinhos.

Voltando aos equipamentos móveis, a chinesa Sany mostra o seu assistente de serviço com IA para diagnóstico inteligente de falhas e o outro recurso que permite operar uma escavadeira remotamente a mais de 10 mil km de distância. Nesse último caso, o auxílio da IA para escavação e carregamento acontece por meio de um clique, segundo a fabricante.

A Conexpo traz ainda outros recursos que vão além da IA, como o controle de máquinas lançado pela Case em 2D e 3D, que, junto com outras tecnologias, ajuda operadores menos experientes a trabalharem com eficiência. A New Holland leva esse mesmo tipo de controle de máquinas 2D para empresas de menor porte, enquanto a Sany apresenta um sistema similar para orientação 3D de alta precisão em escavações.

O evento de Las Vegas mostra também que o uso de câmeras para segurança operacional continua ativo. Um dos exemplos é a Liebherr, com pás-carregadeiras equipadas com detecção ativa de pessoal e o sistema de câmeras de 360 graus. A empresa também exibe soluções de realidade virtual como simuladores de treinamento para planejamento de içamento em 3D. A Case e a Volvo igualmente destacam recursos de detecção de objetos traseiros e assistência ao operador.

Os ecossistemas e aplicativos de gestão também garantem um espaço, com plataformas na nuvem e aplicativos para gerenciamento em tempo real. Há vários exemplos nos estandes da feira, entre eles o myCASEConstruction, da Case, e o ActiveCare Direct, da Volvo.

Maquinário de construção utilizando tecnologia de gestão em tempo real com plataformas na nuvem
Foto: Divulgação Volvo

A inteligência artificial (IA) aparece agora como recurso importante para ajudar a prever falhas em máquinas e pode ser usada em conjunto com outras ferramentas tecnológicas, eliminando suposições e antecipando problemas antes que eles paralisem as operações.

Com o apoio da IA dela e da digitalização de ponta a ponta, a manutenção deixa de ser reativa e se transforma em um fluxo de trabalho previsível, coordenado e produtivo, economizando tempo e dinheiro para as empresas.

A IA atua na manutenção preditiva e proativa das seguintes maneiras:

·       Processamento de dados e análise preditiva: sistemas com suporte de IA utilizam a análise preditiva combinada com outros dados para identificar padrões que indicam uma falha iminente.

·       Integração com telemática: a IA analisa os sinais de telemática emitidos pelos sensores das máquinas e utiliza automação em tempo real para monitorar o que realmente está acontecendo com o equipamento, substituindo o método ineficiente de “tentativa e erro”.

·       Apoio a ferramentas móveis e inspeções: A tecnologia se integra a inspeções diárias e ordens de serviço focadas em dispositivos móveis, garantindo que qualquer anomalia capturada, por meio de listas de verificação ou evidências fotográficas, seja encaminhada automaticamente para a manutenção.

Dúvidas mais comuns

Mineração 4.0 refere-se à aplicação de tecnologias avançadas como inteligência artificial, automação, equipamentos autônomos, telemática e computação em nuvem nas operações de mineração. Essas tecnologias trabalham em conjunto para aumentar a produtividade, melhorar a segurança operacional e transformar a manutenção de reativa para preditiva, permitindo que as operações sejam mais eficientes e coordenadas.

A inteligência artificial analisa dados em tempo real dos sensores das máquinas para identificar padrões que indicam falhas iminentes, permitindo que a manutenção seja realizada antes que os equipamentos quebrem. Ao integrar análise preditiva com telemática e histórico financeiro da frota, a IA reduz significativamente o tempo de inatividade dos equipamentos e elimina a necessidade de tentativa e erro na manutenção.

A automação permite transferir o controle das máquinas do campo para salas centralizadas e seguras, reduzindo a exposição dos operadores a ambientes insalubres, especialmente em mineração subterrânea. Além disso, sistemas de detecção ativa de pessoal, câmeras de 360 graus e assistência ao operador ajudam a prevenir acidentes e melhoram a segurança operacional geral das operações.

Equipamentos autônomos são máquinas que trabalham sem operador embarcado, operando de forma independente ou controladas remotamente. Na mineração, caminhões basculantes autônomos e escavadeiras remotas utilizam inteligência artificial para realizar operações como carregamento e escavação com precisão, permitindo que operadores gerenciem múltiplas máquinas a distância de salas de controle centralizadas.

A telemática permite o monitoramento em tempo real do tempo ocioso dos equipamentos, eficiência no consumo de combustível e necessidade de manutenção preventiva. Quando os dados de telemática são combinados com treinamento de operadores, cria-se um ciclo de feedback que identifica maus hábitos de operação e permite corrigi-los, resultando em operações mais eficientes e econômicas.

As principais tendências incluem automação baseada em dados, condução autônoma de equipamentos, eletrificação de máquinas, manutenção preditiva com IA, sistemas de telemetria avançados e gestão de frotas integrada. Além disso, destacam-se soluções em realidade virtual para treinamento, câmeras de segurança 3D, controle de máquinas em 2D e 3D, e plataformas em nuvem para gerenciamento em tempo real das operações.

A operação remota não elimina postos de trabalho, mas transfere o controle das máquinas para salas centralizadas e seguras, permitindo que operadores gerenciem várias máquinas a distância. Isso transforma o papel dos operadores para funções de supervisão, otimização e tomada de decisão, reduzindo a exposição a ambientes perigosos e permitindo que profissionais menos experientes trabalhem com eficiência através de sistemas de controle assistido.

A integração de ecossistemas digitais, como plataformas em nuvem e aplicativos de gestão, permite que todas as tecnologias (IA, telemática, automação, operação remota) funcionem de forma coordenada e conectada. Isso proporciona uma visão holística das operações, facilita a tomada de decisão em tempo real e cria um fluxo de trabalho previsível e produtivo que economiza tempo e dinheiro para as empresas de mineração.