A edição 2026 da Conexpo Con/Agg, uma das maiores feiras de tecnologia para construção e mineração do mundo, apresentou tendências para as operações off road nos próximos anos, como a automação e condução autônoma de equipamentos, avanço da eletrificação de máquinas e o uso crescente de inteligência artificial, especialmente aplicada à manutenção preditiva e à gestão de frotas. Realizada nesta semana no principal centro de convenções de Las Vegas (Las Vegas Convention Center), a feira reuniu mais de 2 mil expositores e um público total estimado em 140 mil visitantes.
Nesta edição, além de máquinas pesadas, equipamentos de britagem e correias transportadoras de minérios, os expositores destacaram soluções em tecnologia digital e peças de desgaste voltadas a aumentar a produtividade e a segurança operacional de equipamentos de grande porte. A Conexpo tem abrangência global por antecipar inovações de grandes players, mas também serve de palco para lançamentos de motores sustentáveis, pneus inteligentes, sistemas de telemetria e gestão de frotas.
O evento de Las Vegas é trienal, pois divide calendário com outras duas grandes feiras globais de tecnologias e equipamentos pesados para construção e mineração: a Bauma, realizada em Munique, na Alemanha, e a M&T Expo, realizada em São Paulo.
Automação baseada em dados ganha espaço nas operações
Seguindo a tendência de que 2026 marque o ano no qual a IA começa a ser aplicada, de fato, aos negócios, muitos expositores da Conexpo mostram novidades nessa linha. Contudo, nesta edição ficou claro que a IA não é a tecnologia-mãe para esse mercado, mas sim parte do “guarda-chuva” da automação.
O mesmo vale para telemática e telemetria, propulsão elétrica, condução autônoma, imagens 3D e outras soluções que despontaram nos últimos anos. Afinal, no fim do dia, essas tecnologias precisam apoiar a automação de atividades importantes para a operação das mineradoras, como a manutenção proativa, que vai evitar paradas no processo por culpa de quebra de equipamentos.
A migração da manutenção reativa para um cenário preditivo não é novidade, mas o uso intenso de inteligência artificial para isso, sim. É o caso de sistemas com suporte de IA e ferramentas móveis para eliminar suposições e prever problemas antes que eles ocorram. A união de análise preditiva, automação em tempo real e histórico financeiro da frota, por exemplo, proporciona ganhos, entre os quais eles a redução do tempo de inatividade dos equipamentos.
Como as máquinas modernas estão repletas de sensores e sistemas de diagnóstico, o uso da telemática permite o monitoramento em tempo real do tempo ocioso do equipamento, da eficiência no consumo de combustível e da necessidade de manutenção preventiva. Quando os dados de telemática são combinados com o treinamento de operadores, cria-se um ciclo de feedbacks no qual os dados identificam maus hábitos de operação e o treinamento os corrige.
Equipamentos de operação remota

A condução autônoma de equipamentos (em outras palavras: os equipamentos que trabalham sem operador embarcado) também está no contexto mais amplo de automação de equipamentos pesados e, não à toa, foi destaque de vários fabricantes na Conexpo.
A Komatsu, por exemplo, apresentou caminhões rígidos autônomos e que fazem uso intensivo de IA. Explicando: o equipamento já vem com desempenho aprimorado e integrações inteligentes da plataforma de pedreira (mineração de areia e brita). O recurso permite a operação autônoma de caminhões basculantes e está disponível tanto para veículos novos quanto para retrofit, na adaptações em veículos já existentes.
A Komatsu enfatiza o conceito de “desempenho conectado”, integrando suas máquinas a um ecossistema digital que engloba desde a gestão de frotas até a inteligência artificial e a autonomia, iniciativa que se repete em outros fabricantes.
Na Epiroc, por exemplo, os sistemas autônomos e as operações remotas estão focados para reduzir os problemas de escassez de mão de obra e os riscos de segurança em ambientes insalubres, como mineração subterrânea. Para a fabricante, em vez de eliminar postos de trabalho, a tecnologia deve transferir o controle das máquinas do campo para salas centralizadas e seguras, permitindo que os operadores gerenciem várias máquinas a distância e assumam funções de supervisão, otimização e tomada de decisão.

A Sandvik, outro player tradicional do setor, mostra a mesma tendência nas plantas de processamento, ao exibir britadores com o sistema de automação avançada para regulagem automática. A fabricante de origem sueca também mostra uma nova perfuratriz dotada de sistemas automáticos de perfuração.
De modo geral, esta foi a primeira edição da Conexpo na qual a IA tem um espaço ampliado. Aa Caterpillar exemplifica isso com o seu sistema Cat AI Assistant, que ajuda os clientes a interagirem mais facilmente com as máquinas e ferramentas digitais, fornecendo recomendações no momento certo para decisões mais rápidas e inteligentes.
Manutenção preditiva com IA
Como um dos motes da automação é melhorar a manutenção, os lançamentos na Conexpo incluem o serviço de manutenção preditiva da Metso, com a IA já integrada na plataforma da fabricante, analisando dados das máquinas em tempo real para identificar sinais precoces de falhas e evitar paradas não planejadas. Nesse caso, estamos falando de grandes equipamentos fixos da área de processamento, incluindo britadores e moinhos.
Voltando aos equipamentos móveis, a chinesa Sany mostra o seu assistente de serviço com IA para diagnóstico inteligente de falhas e o outro recurso que permite operar uma escavadeira remotamente a mais de 10 mil km de distância. Nesse último caso, o auxílio da IA para escavação e carregamento acontece por meio de um clique, segundo a fabricante.
A Conexpo traz ainda outros recursos que vão além da IA, como o controle de máquinas lançado pela Case em 2D e 3D, que, junto com outras tecnologias, ajuda operadores menos experientes a trabalharem com eficiência. A New Holland leva esse mesmo tipo de controle de máquinas 2D para empresas de menor porte, enquanto a Sany apresenta um sistema similar para orientação 3D de alta precisão em escavações.
O evento de Las Vegas mostra também que o uso de câmeras para segurança operacional continua ativo. Um dos exemplos é a Liebherr, com pás-carregadeiras equipadas com detecção ativa de pessoal e o sistema de câmeras de 360 graus. A empresa também exibe soluções de realidade virtual como simuladores de treinamento para planejamento de içamento em 3D. A Case e a Volvo igualmente destacam recursos de detecção de objetos traseiros e assistência ao operador.
Os ecossistemas e aplicativos de gestão também garantem um espaço, com plataformas na nuvem e aplicativos para gerenciamento em tempo real. Há vários exemplos nos estandes da feira, entre eles o myCASEConstruction, da Case, e o ActiveCare Direct, da Volvo.

A inteligência artificial (IA) aparece agora como recurso importante para ajudar a prever falhas em máquinas e pode ser usada em conjunto com outras ferramentas tecnológicas, eliminando suposições e antecipando problemas antes que eles paralisem as operações.
Com o apoio da IA dela e da digitalização de ponta a ponta, a manutenção deixa de ser reativa e se transforma em um fluxo de trabalho previsível, coordenado e produtivo, economizando tempo e dinheiro para as empresas.
A IA atua na manutenção preditiva e proativa das seguintes maneiras:
· Processamento de dados e análise preditiva: sistemas com suporte de IA utilizam a análise preditiva combinada com outros dados para identificar padrões que indicam uma falha iminente.
· Integração com telemática: a IA analisa os sinais de telemática emitidos pelos sensores das máquinas e utiliza automação em tempo real para monitorar o que realmente está acontecendo com o equipamento, substituindo o método ineficiente de “tentativa e erro”.
· Apoio a ferramentas móveis e inspeções: A tecnologia se integra a inspeções diárias e ordens de serviço focadas em dispositivos móveis, garantindo que qualquer anomalia capturada, por meio de listas de verificação ou evidências fotográficas, seja encaminhada automaticamente para a manutenção.
Dúvidas mais comuns
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Mineração 4.0 refere-se à aplicação de tecnologias avançadas como automação, inteligência artificial, equipamentos autônomos e sistemas de telemática nas operações de mineração. Essas tecnologias trabalham juntas para aumentar a produtividade, melhorar a segurança operacional e otimizar a eficiência dos equipamentos de grande porte, transformando processos tradicionais em operações conectadas e inteligentes.
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A inteligência artificial não é a tecnologia-mãe da mineração 4.0, mas sim parte de um guarda-chuva maior de automação. Sua principal aplicação está na manutenção preditiva, onde analisa dados em tempo real para identificar sinais precoces de falhas e evitar paradas não planejadas. A IA também auxilia na gestão de frotas, na tomada de decisões e na otimização de operações remotas, eliminando suposições e antecipando problemas antes que eles ocorram.
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A manutenção preditiva com IA transforma a abordagem de manutenção de reativa para proativa, utilizando análise preditiva e dados de telemática para monitorar equipamentos em tempo real. Isso reduz significativamente o tempo de inatividade dos equipamentos, economiza custos operacionais e melhora a confiabilidade das máquinas. Sistemas com suporte de IA identificam padrões que indicam falhas iminentes, permitindo que a manutenção seja realizada de forma coordenada e produtiva.
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Equipamentos autônomos são máquinas que operam sem operador embarcado, como caminhões basculantes e escavadeiras que trabalham de forma independente. Esses equipamentos utilizam inteligência artificial, sensores e sistemas de diagnóstico para realizar operações de forma segura e eficiente. Além disso, podem ser operados remotamente a partir de salas centralizadas, permitindo que operadores gerenciem várias máquinas a distância e assumam funções de supervisão e otimização.
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A telemática e telemetria são fundamentais para a automação baseada em dados na mineração 4.0. Esses sistemas permitem o monitoramento em tempo real do tempo ocioso dos equipamentos, eficiência no consumo de combustível e necessidade de manutenção preventiva. Quando os dados de telemática são combinados com treinamento de operadores, criam um ciclo de feedbacks que identifica maus hábitos de operação e permite corrigi-los, aumentando a produtividade geral.
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A operação remota transfere o controle das máquinas do campo para salas centralizadas e seguras, reduzindo significativamente os riscos de segurança em ambientes insalubres, como mineração subterrânea. Em vez de eliminar postos de trabalho, essa tecnologia permite que operadores gerenciem várias máquinas a distância e assumam funções de supervisão e tomada de decisão. Isso melhora as condições de trabalho dos operadores enquanto mantém a eficiência operacional.
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A Conexpo 2026 destacou diversas tecnologias para mineração 4.0, incluindo automação avançada de equipamentos, condução autônoma, eletrificação de máquinas, sistemas de IA para manutenção preditiva, telemática e telemetria, imagens 3D, câmeras de 360 graus para segurança, sistemas de realidade virtual para treinamento e plataformas na nuvem para gestão de frotas. Essas soluções trabalham em conjunto para aumentar a produtividade e a segurança operacional.
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A automação baseada em dados integra análise preditiva, telemática, inteligência artificial e histórico financeiro da frota para otimizar operações. Isso resulta em redução do tempo de inatividade dos equipamentos, melhor eficiência no consumo de combustível, prevenção de falhas antes que ocorram e operações mais coordenadas e previsíveis. O resultado é um aumento significativo na produtividade geral das operações de mineração, com economia de tempo e dinheiro para as empresas.