Diamantes brutos naturais em uma pilha de rochas
Foto: EgolenaHK / Shutterstock

Conheça os maiores diamantes do Brasil e seu papel na mineração

De pedras coloniais a descobertas mais recentes, gemas ajudam a contar a história da atividade mineral no país

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 20/04/2026

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A história da mineração brasileira pode ser contada a partir de suas grandes gemas. Descobertas ao longo de mais de dois séculos, elas ajudam a dimensionar a importância do território nacional na produção mundial de diamantes. Entre os principais exemplares estão o Diamante do Abaeté e o Diamante Isidoro, encontrados no período colonial. Já nos períodos imperial e republicano, pedras como Estrela do Sul e Carbonado de Sérgio ampliaram essa trajetória.

O Brasil se tornou o maior produtor mundial de diamantes graças a bandeirantes paulistas que se aventuraram pela região das jazidas de ouro de aluvião, depósitos formados por sedimentos carregados por rios do então denominado Sertão dos Cataguases. Esse movimento foi impulsionado por lendas como a do Eldorado, a cidade de ouro, e a de Sabarabuçu, uma serra cheia de prata e pedras preciosas.

Abaeté

Entre os diamantes descobertos no período colonial, o do Abaeté foi o mais famoso. A pedra foi encontrada em 1792 no Sertão que leva o mesmo nome, região a oeste de Minas Gerais, que começava a ser explorada em busca de novas jazidas. Pesava 138,5 quilates, tornando-se uma das maiores gemas brasileiras do período.

O diamante foi entregue oficialmente à Coroa portuguesa em 1796 e passou a integrar o patrimônio real. Durante décadas permaneceu registrado nos inventários do tesouro português como uma das pedras mais importantes provenientes do Brasil.

Sua trajetória ganhou um capítulo inesperado no século XXI. Em 2002, quando estava exposto em um museu em Haia, na Holanda, o diamante foi roubado. Até hoje a pedra não foi recuperada e seu paradeiro permanece desconhecido.

Isidoro

Outro grande diamante colonial foi o Isidoro, encontrado no final do século XVIII, na mesma região do Sertão do Abaeté. A pedra recebeu o nome do garimpeiro Isidoro de Amorim Pereira, responsável pela descoberta. Pesando 35,8 quilates, tornou-se uma das maiores gemas registradas na administração colonial portuguesa.

Durante mais de dois séculos, sua identificação permaneceu incerta. Registros históricos mencionam sua existência, mas não havia confirmação sobre qual diamante preservado em coleções europeias correspondia à gema original. No entanto, pesquisas recentes conduzidas por cientistas brasileiros permitiram identificar a pedra. O cruzamento de documentos históricos com análises gemológicas confirmou que a pedra exposta no Museu do Tesouro Real, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, é o diamante encontrado por Isidoro no final do século XVIII.

A descoberta também ajudou a esclarecer disputas e conflitos relacionados à exploração diamantífera naquela região, que motivaram, no início do século XIX, a delimitação de uma nova área de mineração, conhecida como Nova Lorena Diamantina. 

Estrela do Sul

As grandes descobertas de diamantes incentivaram a exploração de novas áreas mineradoras para além da tradicional região de Diamantina. A busca levou ao mapeamento de rios, serras e áreas ainda pouco conhecidas da colônia. Novos arranjos urbanos surgiram ao redor dos garimpos e rotas comerciais foram abertas para transportar as pedras até centros administrativos e portos de exportação.

Embora o diamante Estrela do Sul tenha sido encontrado após o fim do período colonial, ele se tornou um dos mais famosos da história. A pedra foi descoberta em 1853 no Rio Bagagem, atual município de Estrela do Sul, em Minas Gerais. O diamante bruto tinha cerca de 261 quilates e foi posteriormente lapidado em uma gema de 128,48 quilates.

A descoberta ocorreu quando uma mulher escravizada encontrou a pedra durante atividades de garimpo. Como recompensa, ela recebeu a alforria — um episódio frequentemente citado em relatos históricos sobre a mineração no Brasil.

Depois de ser negociado por comerciantes europeus, o diamante foi lapidado em Amsterdã e apresentado em exposições internacionais, ganhando projeção mundial. A gema passou por vários proprietários e chegou a integrar a coleção do marajá de Baroda, na Índia.

Carbonado de Sérgio: o maior diamante negro do mundo

Outro exemplar brasileiro de grande destaque é o Carbonado de Sérgio, encontrado em 1895 na região de Lençóis, na Chapada Diamantina, na Bahia. A pedra pesava cerca de 3.167 quilates, sendo considerada o maior diamante bruto já descoberto. Diferentemente dos diamantes tradicionais, trata-se de um carbonado, variedade rara de diamante negro com estrutura policristalina.

Por apresentar características diferentes das gemas usadas em joalheria, o diamante foi fragmentado em pedaços menores. Uma réplica da pedra está no Museu de Gemologia de Paris desde dezembro de 2024. 

Outras grandes pedras brasileiras

Grande diamante bruto do século XVIII com tons de âmbar e inclusões internas, posicionado verticalmente sob fundo neutro.
Diamante do século XVIII, originário de Minas Gerais, (Foto: Museu do Tesouro Real / Gov.br / Modificado com IA)

Ao longo dos séculos XIX e XX, novas descobertas confirmaram o potencial diamantífero do território brasileiro. Diversas das maiores gemas do país foram encontradas no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, região que concentra importantes depósitos aluviais.

Entre os maiores diamantes já registrados estão o Presidente Vargas, encontrado em 1938, com cerca de 727 quilates, e o Santo Antônio, de 602 quilates, descoberto em 1996.


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