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Duas pessoas discutindo estratégias de implementação de ações contra mudança climática em reunião ambiental, com apresentação sobre COP30 na tela.
Foto: Pond Saksit / Shutterstock / Modificada com IA

COP30 consolida “Mutirão Global” e abre agenda de implementação climática

Mineração tem a maior presença já constatada em uma Conferência das Partes e alinha metas de mitigação e cooperação internacional com governos e outras cadeias produtivas

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 24/11/2025

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  • A COP30 marca transição do regime climático de negociações sobre regras para implementação operacional de compromissos, exigindo que setores como mineração traduzam metas em planos com cronogramas e financiamento dedicado.
  • A mineração alcançou maior presença em uma COP e assinou o Protocolo Global de Circularidade, sinalizando alinhamento com economia circular e posicionando resíduos como matéria-prima secundária em operações.
  • O Brasil enfrenta decisão estratégica entre manter-se como exportador de commodities ou avançar para processamento e industrialização de minerais críticos, aproveitando posição geopolítica na transição energética global.
Resumo revisado pela redação.

O texto final da COP30 não leva a uma solução final para a dependência dos combustíveis fósseis, como queria o governo brasileiro ao propor o “Mapa do Caminho”. Mas tem avanços para a implementação dos compromissos assumidos em outras COPs. Depois de anos dedicados às negociações sobre regras, metodologias e arranjos institucionais, é possível dizer que Belém inaugurou um ciclo voltado para implementação, financiamento e cooperação entre países, com um texto final intitulado Mutirão Global.

O documento tem destaques como a celebração dos 10 anos do Acordo de Paris, transição da negociação para a execução e “resposta urgente” para manter 1,5 °C ao alcance. Em todos esses pontos, há impactos diretos para setores intensivos em emissões, como petróleo, energia e mineração.

A mineração, especificamente, aparece no campo das metas de mitigação, do financiamento e da adaptação, sendo chamada a avançar em eficiência, rastreabilidade, redução de pegada de carbono e integração com economias de baixo carbono. As referências a comércio internacional, transição tecnológica e reformas do sistema financeiro internacional também influenciam diretamente a cadeia de minerais críticos.

Avanços da mineração na COP30

Evento COP30
Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil via Flickr

Durante o próprio evento, alguns avanços ocorreram no setor de mineração, sinalizando que o setor está alinhado à nova fase de implementação proposta pela COP30. Um dos principais foi a assinatura do Protocolo Global de Circularidade. A iniciativa busca criar padrões para medir e comunicar a circularidade nas operações, movimento que ressignifica rejeitos e reposiciona a indústria como fornecedora de insumos reaproveitáveis, e não apenas de minério extraído. 

O pacto, apresentado em Belém, reforça a expectativa de que a mineração amplie o uso de resíduos como matéria-prima secundária e incorpore métricas transparentes de desempenho circular.

As negociações também evidenciaram a necessidade de decidir se o Brasil continuará como exportador de commodities ou se assumirá papel ativo na construção da nova geopolítica mineral. 

Conforme reportou o Radar Mineração, especialistas presentes na COP30 afirmaram que os minerais críticos deixaram de ser vistos apenas como bens primários e passaram a ocupar posição central na transição energética global, criando um contexto no qual o país tem condições de avançar para etapas de processamento e industrialização, criando valor agregado e reduzindo a dependência externa de cadeias tecnológicas.

Justiça social e resiliência territorial também foram debatidos na conferência, apontando que a mineração do futuro depende de acordos reais com comunidades, de mecanismos de governança local e de processos de licenciamento que contemplem impactos sociais. A avaliação é que a transição energética não pode reproduzir desigualdades históricas.

Além disso, o evento trouxe à tona os desafios de financiamento e competitividade. Afinal, para que a mineração brasileira siga o compromisso com a descarbonização, será necessário ampliar linhas de crédito, atrair parcerias tecnológicas e garantir que a cadeia de minerais críticos opere sob padrões alinhados ao Acordo de Paris.

Novo ciclo do Acordo de Paris

Não só na mineração, a COP30 está sendo considerada como o início de um novo ciclo completo do Acordo de Paris, com NDCs atualizadas e os primeiros relatórios de transparência e estratégias de longo prazo já submetidas. A partir de agora, o texto final da COP30 pontua que o regime climático “transita decisivamente para a fase de implementação”.

Para países e empresas, isso significa menos espaço para compromissos vagos. Ou seja: as metas apresentadas precisam se traduzir em planos operacionais, cronogramas e fundos dedicados. No caso da mineração, essa transição tende a pressionar o setor em três frentes: (1) redução de emissões diretas e indiretas; (2) ampliação de investimentos em energias renováveis e eletrificação de operações e (3) comprovação de que os minerais fornecidos ao mercado global atendem a critérios socioambientais alinhados ao Acordo de Paris.

Além disso, as NDCs devem se alinhar às estratégias de longo prazo e aos planos de desenvolvimento econômico de cada país, incluindo setores industriais e extrativistas.

“Missão Belém” e “Mutirão Global”

Marina Silva, Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Presidente da COP30 Andre Correa do Lago e a CEO da COP30; Ana Toni após a reunião plenária de encerramento da 30ª Conferência das Partes (COP30).
Marina Silva, Andre Correa do Lago e Ana Toni (Foto de Antonio Scorza / COP30 via Flickr)

De maneira geral, duas iniciativas marcam o texto final da COP30 no Brasil: o Global Implementation Accelerator e a Missão Belém para 1,5 °C. Ambos propõem plataformas de cooperação para acelerar a execução das NDCs e apoiar países com assistência técnica e integração internacional, envolvendo governos, empresas e sociedade civil. Na prática, funcionam como mecanismos de pressão contínua e cooperação estruturada, inclusive para setores industriais com relevância climática.

A mineração será parte desse movimento, tanto pelo peso das emissões quanto pela importância estratégica para a transição energética. Dessa forma, países com grandes reservas de minerais críticos como Brasil, Chile, Peru, África do Sul e Indonésia, tendem a ser chamados a propor avanços simultâneos em competitividade e descarbonização nas próximas COPs.

Dúvidas mais comuns

O Mutirão Global é o documento final da COP30 que marca a transição do regime climático internacional de uma fase focada em negociações sobre regras e metodologias para uma fase de implementação, financiamento e cooperação entre países. O texto celebra os 10 anos do Acordo de Paris e propõe uma resposta urgente para manter 1,5°C ao alcance, estabelecendo que os compromissos climáticos devem se traduzir em planos operacionais concretos, cronogramas e fundos dedicados.

A COP30 registrou a maior presença já constatada do setor de mineração em uma conferência climática. Isso ocorreu porque os minerais críticos deixaram de ser vistos apenas como bens primários e passaram a ocupar posição central na transição energética global. A mineração é fundamental para fornecer os insumos necessários às tecnologias limpas, como painéis solares e baterias, tornando o setor estratégico para a implementação das metas climáticas.

O Protocolo Global de Circularidade é uma iniciativa assinada durante a COP30 que busca criar padrões para medir e comunicar a circularidade nas operações de mineração. O protocolo ressignifica rejeitos e reposiciona a indústria como fornecedora de insumos reaproveitáveis, não apenas de minério extraído. Essa medida reforça a expectativa de que a mineração amplie o uso de resíduos como matéria-prima secundária e incorpore métricas transparentes de desempenho circular.

A transição para a fase de implementação do Acordo de Paris pressiona a mineração em três frentes principais: (1) redução de emissões diretas e indiretas das operações; (2) ampliação de investimentos em energias renováveis e eletrificação de operações; e (3) comprovação de que os minerais fornecidos ao mercado global atendem a critérios socioambientais alinhados ao Acordo de Paris. Essas pressões refletem a exigência de menos espaço para compromissos vagos e mais foco em resultados concretos.

As negociações na COP30 evidenciaram que o Brasil pode deixar de ser apenas exportador de commodities e assumir papel ativo na construção da nova geopolítica mineral. O país tem condições de avançar para etapas de processamento e industrialização de minerais críticos, criando valor agregado e reduzindo a dependência externa de cadeias tecnológicas. Isso requer ampliar linhas de crédito, atrair parcerias tecnológicas e garantir que a cadeia de minerais críticos opere sob padrões alinhados ao Acordo de Paris.

As NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) são metas climáticas que cada país estabelece. Na COP30, foi iniciado um novo ciclo completo do Acordo de Paris com NDCs atualizadas e os primeiros relatórios de transparência e estratégias de longo prazo já submetidas. As NDCs devem agora se alinhar às estratégias de longo prazo e aos planos de desenvolvimento econômico de cada país, incluindo setores industriais e extrativistas, com menos espaço para compromissos vagos.

A COP30 destacou que a mineração do futuro depende de acordos reais com comunidades, de mecanismos de governança local e de processos de licenciamento que contemplem impactos sociais. A transição energética não pode reproduzir desigualdades históricas, o que significa que a mineração deve ser desenvolvida de forma que beneficie as populações locais e respeite seus direitos. Isso é essencial para garantir a legitimidade e sustentabilidade das operações de mineração.

O Global Implementation Accelerator e a Missão Belém para 1,5°C são duas iniciativas que marcam o texto final da COP30. Ambas propõem plataformas de cooperação para acelerar a execução das NDCs e apoiar países com assistência técnica e integração internacional, envolvendo governos, empresas e sociedade civil. Funcionam como mecanismos de pressão contínua e cooperação estruturada, inclusive para setores industriais com relevância climática como a mineração.