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André Corrêa do Lago, presidente da COP30
André Corrêa do Lago (Divulgação/ Arte)

“Mineração tem uma nova dimensão estratégica na transição energética”, diz presidente da COP30

André Corrêa do Lago define o novo papel do setor destacando-o como “fundamental” e uma “grande oportunidade” para o Brasil

Por Cinthia Saito* e Viviane Kulczynski*, 3 min de leitura

Publicado em 10/11/2025 | Atualizado em 03/11/2025

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A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, será realizada em Belém (PA) e promete ser um marco. Em um mundo que clama por resultados, a presidência brasileira quer transformar o complexo encontro diplomático em uma plataforma de ação. Em conversa com o Radar Mineração, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, detalha a estratégia para focar em soluções, explica a importância da Amazônia e define o novo papel da mineração na luta contra a crise climática.

Para a transformação rumo a uma economia de baixo carbono, a mineração é fundamental. Qual a sua visão sobre o papel do setor nesse processo?

Imagem de uma pedra retirada do solo, com destaque para a importância da mineração na transição energética e o papel da mineração na COP30.
Foto: Adwo/ Adobe Stock

A mineração legal, seguindo a legislação, é uma atividade econômica tradicional, mas hoje ela adquiriu uma nova dimensão. Muitas das soluções tecnológicas para um desenvolvimento de baixo carbono precisam de minérios que se tornaram muito mais importantes nos últimos anos. Então, a mineração tem seu papel tradicional, no qual a sustentabilidade deve ser cada vez mais incorporada, mas ela também tem esse papel novo, que é produzir os minérios que vão ajudar na transição energética.

Essa nova dimensão estratégica coloca o Brasil em uma posição de destaque. Como o país pode aproveitar essa oportunidade?

A mineração é um pouco como a floresta: tem uma dimensão que já conhecemos e uma nova, relacionada à mudança do clima, que precisamos desenvolver. E o Brasil tem vantagens imensas nesse sentido. Temos um território imenso e já possuímos minérios muito importantes, mas estamos nos dando conta de que temos muitíssimos dos minérios necessários para essa nova etapa da economia. Precisamos saber gerir isso de maneira inteligente e aproveitar como uma grande oportunidade para o desenvolvimento do país.

Qual é a principal mensagem que a COP de Belém quer deixar para o mundo, onde esse novo papel da mineração se insere?

Foto: Rafa Neddermeyer/ COP30 Brasil Amazônia /PR

A mudança do clima ficou muito associada a uma agenda negativa, e é verdade que teremos muitas dificuldades com os eventos extremos. Mas seria muito importante que a mensagem desta COP mostre que nós já temos soluções para muitas dessas coisas e, portanto, temos um caminho a seguir para que essa transição funcione. Queremos que esta seja a COP que mostra que a mudança do clima é um enorme desafio, mas que já existem maneiras de enfrentá-lo.

Para colocar o foco na ação, a presidência propôs uma estrutura de trabalho inovadora. Como o setor de mineração pode se engajar nessa proposta dos seis eixos?

Nós pegamos os seis eixos mais importantes sobre os quais já existem decisões. O primeiro é energia, que inclui indústria e transporte. O segundo é agricultura. O terceiro são as cidades. O quarto abrange florestas, oceanos e biodiversidade. O quinto eixo é focado em pessoas, garantindo uma transição justa. E o sexto é transversal: finanças, tecnologia e capacitação. Esses eixos estão divididos em 30 prioridades, e teremos centenas de reuniões sobre elas. Queremos acentuar isso porque quem traz as soluções é o setor privado, e o setor de mineração é parte crucial disso. Os países decidem, mas quem executa é a sociedade toda.

A Amazônia e os povos indígenas estão no centro das atenções. Como transformar esse simbolismo em um poder real de transformação, considerando a presença de grandes projetos industriais na região?

Imagem aérea da floresta amazônica na Venezuela, destacando a importância da mineração na transição energética discutida na COP30, com foco na preservação ambiental.
Foto: Gustavo Frazao/ Shutterstock

O simbolismo de o evento ocorrer na Amazônia tem de ser usado da melhor maneira possível: revelar para o mundo a relevância dos povos da floresta, que têm conseguido conviver com ela e preservá-la por tanto tempo. A ciência mostra que a preservação e a restauração de florestas são extremamente importantes para o combate à mudança do clima. A floresta precisa ser vista sob um novo ângulo, não apenas pelo lado negativo da destruição, mas pelo papel fundamental que terá nos próximos anos.

E sobre o processo formal? Que incentivos a COP pode criar para que os países se comprometam com objetivos mais ousados?

Os países têm de apresentar suas metas (NDCs) até setembro. Em outubro, a ONU divulgará um relatório síntese mostrando quão perto ou longe estamos do objetivo de limitar o aquecimento a 1,5°C. Em função desse resultado, naturalmente, haverá muitas discussões para que a ambição seja elevada.

Especial para o Radar Mineração