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COP30 no Brasil
Foto: COP30 via Flickr

COP30 no Brasil: a mineração integrada à Conferência do Clima

País tem oportunidade de demonstrar ao mundo como a mineração sustentável pode apoiar a agenda climática global

Por Redação, 5 min de leitura

Publicado em 07/11/2025

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  • O Brasil apresentará na COP30 (novembro de 2025, em Belém) a mineração como setor estratégico para a transição energética global, destacando produção de lítio, níquel e cobre essenciais para baterias e energias renováveis.
  • A Coalizão Minerais Essenciais entregou estudo ao presidente da COP30 demonstrando que o setor mineral pode reduzir emissões em 90% até 2050 através de tecnologias limpas e práticas de mineração circular.
  • O país deve conciliar liderança ambiental com crescimento econômico, abordando governança climática na Amazônia, combate à mineração ilegal e proteção de povos indígenas como condições para credibilidade nas negociações climáticas globais.
Resumo revisado pela redação.

A cidade de Belém, capital do Pará, será o centro mundial das discussões ambientais entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, quando sedia a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30. Organizado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), o evento é considerado o principal fórum de discussão sobre o futuro do clima, tanto pelo local onde será realizado, na Amazônia brasileira, o “pulmão do planeta”, quanto pelos desafios e oportunidades que ele representa para diferentes setores da economia mundial, incluindo o da mineração. 

A última edição da conferência – a COP29 – ocorreu em Baku, no Azerbaijão, e enfrentou duras críticas por causa da falta de metas ousadas para combater os efeitos das mudanças climáticas. A COP30 pode ser uma oportunidade histórica de consolidar a liderança do Brasil nas negociações globais sobre sustentabilidade e mudanças climáticas. Durante o evento, o país deverá destacar seus avanços em setores estratégicos, como energias renováveis, biocombustíveis, agricultura de baixa emissão de carbono e mineração.

Nova mineração na COP30

Escavadeira em ação movimentando terra e rochas em um canteiro de obras, ideal para obras de construção civil e escavações pesadas.
Foto: Parilov / Shutterstock

Durante décadas, o setor de mineração foi visto como um dos responsáveis por grandes impactos ambientais. No entanto, a COP30 traz uma nova abordagem, que coloca a mineração não só como essencial para a transição energética, como também uma aliada na redução de emissões de carbono e na proteção de florestas.

O Brasil tem a oportunidade de demonstrar ao mundo como a mineração sustentável pode integrar a agenda climática global, especialmente por meio de tecnologias limpas e medidas que minimizem os danos ambientais. A produção de minerais estratégicos para a transição energética, como lítio, níquel e cobre, será um dos temas centrais da agenda brasileira durante o evento, mostrando a importância desses elementos para a fabricação de baterias, painéis solares e turbinas eólicas, por exemplo.

A Presidência da COP30 convidou os principais setores brasileiros a propor formas de acelerar a descarbonização e a transição energética. Em outubro, a Coalizão Minerais Essenciais entregou ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente desta edição da Cúpula, o estudo que aponta os caminhos do setor mineral neste sentido. Conheça aqui os detalhes do documento. 

A COP30 no Brasil

Segundo o governo federal, está confirmada a participação de ao menos 143 delegações, dos 198 países signatários dos tratados internacionais da Conferência das Partes (COP), que é o principal órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

Belém precisou passar por obras significativas para receber o evento e os governos municipal, estadual e federal, além da iniciativa privada, se uniram para atrair investimentos e realizar obras em tempo para garantir a infraestrutura de alto nível, exigida para receber cerca de 40 mil visitantes.

No total, estes esforços representam um montante da ordem de R$ 7,3 bilhões, de acordo com o G1. As obras estão divididas em quatro categorias principais: infraestrutura, hospedagem, mobilidade e saneamento. Entre os principais projetos está o Parque da Cidade, que recebeu investimentos estimados em R$ 980 milhões da Vale, por meio de sistemas de compensação financeira do estado do Pará.

O Parque da Cidade ocupa um espaço de 500 mil metros quadrados onde ficava o antigo Aeroporto Brigadeiro Protásio, no bairro Sacramenta. Está a cerca de 9 quilômetros da Estação das Docas, do mercado Ver-o-Peso, do Porto Futuro e de outros principais pontos turísticos de Belém, como o Forte do Castelo, na parte antiga da cidade.
A arquitetura do Parque da Cidade segue o conceito Amazônico. A torre de contemplação, por exemplo, tem mais de 51 metros de altura e faz alusão ao matapi (uma armadilha para pescar camarões, feita com a tala da palmeira buriti, característica da Floresta Amazônica).

Geopolítica: um palco estratégico

Receber a COP30 no coração da Amazônia é, portanto, uma decisão que vai além do simbolismo para os líderes brasileiros. Afinal, a região concentra não apenas importantes debates relacionados à preservação florestal e à justiça climática, mas também o potencial de se tornar líder global na exploração sustentável de recursos minerais. 

Além disso, o evento deve reforçar os esforços da mineração na recuperação de áreas exploradas, manejo responsável de resíduos e controle de emissões no transporte e processamento de minerais. 

Investimentos para sustentabilidade e novas tecnologias

Impacto do CO2 no meio ambiente, incluindo símbolos de energia renovável, água limpa e reciclagem, destacando a importância da sustentabilidade ambiental.
Foto: jittawit21 / Shutterstock

A COP30 também pretende ser uma vitrine para soluções disruptivas que envolvam desde a captura de carbono até a redução de emissões nos processos industriais relacionados à mineração.

No caso do Brasil, as empresas de mineração já avançam em soluções que incluem o uso de energia renovável em suas operações, como parques solares e eólicos para abastecer unidades de extração e beneficiamento. Além disso, startups e grandes players do setor estão desenvolvendo tecnologias que permitem a reutilização de rejeitos e promovem a mineração circular, um modelo que visa zerar os resíduos.

A COP30 deve, ainda, destacar como o financiamento climático, uma das pautas mais esperadas do evento, pode beneficiar projetos de mineração sustentável, especialmente em países em desenvolvimento. A meta de destravar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento pode ser um divisor de águas para acelerar a adoção de práticas responsáveis dentro do setor.

Oportunidades 

Ainda que o Brasil tenha muitas iniciativas promissoras a apresentar, os desafios são grandes. Um dos principais pontos que o país precisa endereçar durante a COP30 é como alinhar desenvolvimento econômico e justiça climática.

A revisão das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que define metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, é um dos fatores cruciais para o sucesso do evento. 

O Brasil precisa demonstrar que essas metas são compatíveis com seu papel de liderança ambiental, mas sem deixar de lado o crescimento industrial. O setor minerador é crucial nesse sentido, tanto pela sua contribuição econômica quanto pela possibilidade de reduzir suas emissões em 90% até 2050, como demonstrou a Coalizão Minerais Essenciais

Outro ponto importante é a governança climática no âmbito da mineração na Amazônia. A mineração ilegal é considerada uma das áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental e social. A proteção dos povos indígenas, a fiscalização de práticas ilegais e o diálogo com as comunidades locais também são temas das discussões.

Expectativas: Brasil protagonista na transição energética global

Bandeira do Brasil em movimento
Foto: Em_concepts / Shutterstock

A COP30 é uma oportunidade histórica para o Brasil reafirmar seu papel como líder global em clima e sustentabilidade. Os debates das Zonas Azul –  palco onde ocorrem as negociações oficiais, da Cúpula de Líderes e dos pavilhões nacionais –  e Verde – localizada no Parque da Cidade, é o espaço em que a sociedade civil, instituições públicas e privadas e líderes globais conectam diálogo, inovação e investimento sustentável – prometem uma abordagem conjunta que une compromissos climáticos e pautas econômicas, com o setor de mineração recebendo atenção especial.

A Conferência será também um momento para o país apresentar seu “modelo de crescimento verde”, centrado em energias renováveis, biocombustíveis e exportação de tecnologias ligadas ao baixo carbono. Mais do que um evento diplomático, a COP30 é, portanto, um teste para o Brasil demonstrar ao mundo que é possível crescer economicamente, preservando os recursos naturais e combatendo as mudanças climáticas de forma efetiva.

Palcos e discussões

As cúpulas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas têm como missão continuar os avanços realizados no âmbito do Acordo de Paris, firmado ainda na COP21. Todas as discussões e acordos visam a um objetivo comum: limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C. 

COP30

30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas 

Local: Parque da Cidade, Belém – Pará

Data: de 10 a 21 de novembro de 2025

Público esperado: 50 mil pessoas

Acompanhe a cobertura do Radar Mineração ao longo de todos os dias da COP30, em Belém.

Dúvidas mais comuns

A COP30 é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Belém, Pará, entre 10 e 21 de novembro de 2025. O Brasil foi escolhido para sediar o evento por sua importância estratégica como líder ambiental global e pela localização na Amazônia, o 'pulmão do planeta', oferecendo uma oportunidade histórica de consolidar a liderança brasileira nas negociações sobre sustentabilidade e mudanças climáticas.

A COP30 apresenta uma nova abordagem que coloca a mineração como essencial para a transição energética e como aliada na redução de emissões de carbono. O Brasil demonstrará como a mineração sustentável pode integrar a agenda climática global, especialmente através da produção de minerais estratégicos como lítio, níquel e cobre, fundamentais para baterias, painéis solares e turbinas eólicas.

O Brasil deve alinhar desenvolvimento econômico com justiça climática, revisar suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para demonstrar compatibilidade com liderança ambiental, e estabelecer governança climática robusta na mineração amazônica. Também é crucial combater a mineração ilegal, proteger povos indígenas e manter diálogo com comunidades locais, equilibrando crescimento industrial com responsabilidade ambiental.

Segundo a Coalizão Minerais Essenciais, o setor minerador pode reduzir suas emissões em 90% até 2050. As soluções incluem uso de energia renovável em operações (parques solares e eólicos), desenvolvimento de tecnologias para reutilização de rejeitos, implementação de mineração circular para zerar resíduos, e melhorias no controle de emissões no transporte e processamento de minerais.

Belém está recebendo investimentos de aproximadamente R$ 7,3 bilhões em infraestrutura, hospedagem, mobilidade e saneamento. Um dos principais projetos é o Parque da Cidade, que recebeu R$ 980 milhões de investimento da Vale e ocupa 500 mil metros quadrados com arquitetura amazônica, incluindo uma torre de contemplação com mais de 51 metros de altura que faz alusão ao matapi.

A COP30 destaca que o financiamento climático, com meta de destravar US$ 1,3 trilhão anuais, pode ser um divisor de águas para acelerar a adoção de práticas responsáveis no setor de mineração, especialmente em países em desenvolvimento. Esse financiamento pode viabilizar projetos de mineração sustentável e tecnologias limpas que reduzem impactos ambientais.

Está confirmada a participação de ao menos 143 delegações dos 198 países signatários dos tratados internacionais da Conferência das Partes. O evento espera receber cerca de 40 mil visitantes, com público total estimado em 50 mil pessoas durante os 12 dias de conferência em Belém.

Todas as discussões e acordos na COP30 visam a um objetivo comum: limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C, continuando os avanços realizados no Acordo de Paris firmado na COP21. O Brasil apresentará seu 'modelo de crescimento verde' centrado em energias renováveis, biocombustíveis e exportação de tecnologias ligadas ao baixo carbono.