Vista aérea de um grande estádio com “aço na copa” em seu telhado parcialmente aberto, cercado por estacionamentos, quadras de tênis e áreas verdes sob um céu nublado em uma área urbana.
Em Miami, a cobertura do Hard Rock Stadium foi projetada para resistir a ventos de furacões de categoria 4 (Foto: Paparacy/ Shutterstock)

Copa: toneladas de aço nos estádios mostram como a mineração constrói o futuro das cidades

Mais de 150 mil toneladas do metal compõem as estruturas das arenas que recebem o torneio de 2026, demonstrando como mineração, metalurgia e inovação impulsionam obras mais resilientes e sustentáveis

Por Mariana Sgarioni, 4 min de leitura

Publicado em 29/06/2026

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O espetáculo da Copa de 2026 é grandioso não só para quem gosta de bola na rede. Sob as arquibancadas, nas coberturas retráteis, nos gigantescos vãos livres e nas estruturas projetadas para resistir a terremotos, furacões e ondas de calor, há um outro protagonista silencioso: o aço.

Os 16 estádios que recebem partidas do primeiro torneio do tipo realizado simultaneamente por Estados Unidos, Canadá e México reúnem mais de 150 mil toneladas de aço em suas estruturas, segundo dados da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM).

O volume, que seria o equivalente ao utilizado na construção de mais de 20 torres Eiffel, revela como a evolução da engenharia acompanha os avanços da mineração e da metalurgia para responder às novas exigências de desempenho, segurança e sustentabilidade.

Para um setor acostumado a discutir produção mineral, processamento e inovação em materiais, os estádios da Copa representam um exemplo concreto de como minerais transformados em produtos de alto valor agregado impulsionam soluções para diferentes segmentos da economia.

Da mineração às grandes arenas

Se os antigos estádios eram marcados pelo uso predominante do concreto, as novas arenas adotam o aço como elemento estrutural principal, permitindo coberturas móveis, espaços internos sem pilares, construções mais rápidas e estruturas passíveis de reciclagem ao fim de sua vida útil.

Segundo Márcio Antônio da Silva, gerente de Suporte Técnico da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), essa mudança é resultado direto da evolução tecnológica aplicada aos materiais.

“O salto qualitativo por meio do uso do material na engenharia se dá de diversas formas, como em agilidade, praticidade, eficiência, custo, manutenção, segurança, entre outras”, afirma o especialista.

Vista aérea dArena Amazonia No Centro de Manaus, com “aço na copa”, cercado por prédios da cidade, ruas e vegetação, tendo o horizonte urbano ao fundo.
Novas arenas adotam o aço como elemento estrutural principal – Arena Amazônia (Foto: ByDroneVideos/ Shutterstock)

A própria trajetória dos estádios brasileiros ilustra essa evolução. Na Copa de 2014, por exemplo, a Arena Amazônia recebeu cerca de 7 mil toneladas de estruturas metálicas, enquanto a Arena da Baixada incorporou aproximadamente 4,5 mil toneladas em sua reforma. O movimento continuou em empreendimentos mais recentes, como a Arena MRV, em Belo Horizonte, construída com cerca de 5 mil toneladas de aço.

Engenharia para um clima em transformação

As arenas do torneio deste ano também mostram como a cadeia mineral vem respondendo aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Nos Estados Unidos, o SoFi Stadium, em Los Angeles, utiliza uma estrutura metálica independente capaz de suportar abalos sísmicos. Em Miami, a cobertura do Hard Rock Stadium foi projetada para resistir a ventos de furacões de categoria 4. No Canadá, o BC Place abriga um dos maiores tetos retráteis sustentados por cabos do mundo.

O SoFi Stadium, um moderno estádio ao ar livre com teto curvo e painéis de vidro com “aço na copa”, reflete-se em um lago sob um céu azul límpido, cercado por vegetação e palmeiras.
O SoFi Stadium combina a resistência do aço com a tecnologia avançada (Foto: Joseph Hendrickson/ Shutterstock)

Em entrevista exclusiva ao Radar Mineração, o diretor de Operações da ABM, Valdomiro Roman da Silva, explica que essas soluções exigem o desenvolvimento de novos materiais e tecnologias específicas.

“Cada desafio climático pede uma resposta tecnológica diferente, mas o aço é versátil e adaptável a cada situação. Ele se adapta ao calor, ao vento, à chuva e até a terremotos”, afirma o executivo.

Segundo o especialista, ligas especiais apresentam menor dilatação térmica, reduzindo deformações provocadas por temperaturas extremas. Outros projetos incorporam sistemas capazes de melhorar o escoamento das águas durante tempestades intensas e aumentar a resistência estrutural a rajadas de vento e eventos sísmicos.

Um legado para além do esporte

As inovações em aço desenvolvidas para grandes eventos esportivos não permanecem restritas aos estádios. Elas acabam sendo incorporadas à infraestrutura urbana, à mobilidade e às obras civis.

Para Valdomiro Roman, as soluções utilizadas na Copa podem servir de referência para pontes, aeroportos, passarelas, edifícios, centros culturais, rodovias, entre outros.

As soluções de engenharia e o tipo de aço utilizado nos estádios da Copa de 2026 são um verdadeiro laboratório para a engenharia civil. O que foi pensado para suportar multidões em grandes eventos esportivos pode ser traduzido em soluções para prédios, mobilidade e infraestrutura urbana.

Valdomiro Roman

O especialista ressalta que treliças metálicas pré-fabricadas permitem vencer grandes vãos com menor peso estrutural, enquanto sistemas de cabos semelhantes aos empregados no Canadá podem ser adaptados para pontes e viadutos. Além disso, estruturas metálicas modulares tornam obras de infraestrutura mais rápidas e flexíveis, ao mesmo tempo em que favorecem o reaproveitamento dos materiais dentro dos princípios da economia circular.

O protagonismo dos minerais

Por trás dessa evolução está uma cadeia mineral cada vez mais sofisticada. O aço utilizado nas arenas modernas incorpora ligas avançadas com elementos como nióbio, cromo, níquel e cobalto, além de tratamentos metalúrgicos que ampliam resistência, durabilidade e maleabilidade.

“O aço responde melhor às demandas atuais da engenharia do que o concreto, oferecendo rapidez, eficiência, flexibilidade construtiva, sustentabilidade e resiliência climática”, afirma Roman.

À medida que a engenharia exige estruturas mais leves, resistentes e adaptáveis aos eventos extremos, cresce também a importância estratégica da mineração na produção dos minerais que tornam essas ligas possíveis. 

A Copa deste ano, nesse sentido, evidencia que o legado do torneio vai além do esporte: ele também demonstra como inovação mineral, metalurgia e engenharia caminham juntas para construir a infraestrutura das próximas décadas.

Dúvidas mais comuns

Os 16 estádios que recebem partidas da Copa de 2026 reúnem mais de 150 mil toneladas de aço em suas estruturas, segundo dados da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM). Este volume é equivalente ao utilizado na construção de mais de 20 torres Eiffel, demonstrando a escala monumental do uso de aço em infraestruturas modernas.

O aço permite coberturas móveis, espaços internos sem pilares, construções mais rápidas e estruturas recicláveis ao fim de sua vida útil. Além disso, oferece maior agilidade, praticidade, eficiência, segurança e manutenção reduzida em comparação ao concreto, respondendo melhor às demandas atuais de engenharia e sustentabilidade.

Os estádios utilizam ligas especiais de aço com menor dilatação térmica para resistir a temperaturas extremas, estruturas independentes capazes de suportar abalos sísmicos, coberturas projetadas para resistir a ventos de furacões de categoria 4, e sistemas que melhoram o escoamento de águas durante tempestades. Cada desafio climático recebe uma resposta tecnológica específica adaptada às condições locais.

O aço utilizado nas arenas modernas incorpora ligas avançadas com elementos como nióbio, cromo, níquel e cobalto, além de tratamentos metalúrgicos especializados. Esses componentes ampliam a resistência, durabilidade e maleabilidade do material, permitindo que ele se adapte melhor aos requisitos de engenharia contemporânea.

As soluções de engenharia desenvolvidas para a Copa podem ser incorporadas em pontes, aeroportos, passarelas, edifícios, centros culturais e rodovias. Treliças metálicas pré-fabricadas permitem vencer grandes vãos com menor peso estrutural, enquanto estruturas modulares tornam obras mais rápidas e flexíveis, favorecendo o reaproveitamento de materiais dentro dos princípios da economia circular.

À medida que a engenharia exige estruturas mais leves, resistentes e adaptáveis a eventos extremos, cresce a importância estratégica da mineração na produção dos minerais que tornam possíveis as ligas avançadas. A cadeia mineral sofisticada fornece os elementos essenciais como nióbio, cromo, níquel e cobalto que ampliam as capacidades do aço para aplicações críticas.

Na Copa de 2014, a Arena Amazônia recebeu cerca de 7 mil toneladas de estruturas metálicas, enquanto a Arena da Baixada incorporou aproximadamente 4,5 mil toneladas em sua reforma. Mais recentemente, a Arena MRV em Belo Horizonte foi construída com cerca de 5 mil toneladas de aço, demonstrando a progressão contínua na adoção de estruturas metálicas em grandes empreendimentos.