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Datacenters e novas aplicações valorizam o rutênio

Uso em sistemas de dados junto a descobertas em medicina e outras indústrias elevaram cotações do metal no último ano

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 17/12/2025 | Atualizado em 03/12/2025

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  • O rutênio quase dobrou de preço entre meados de 2024 e 2025, atingindo US$ 908 por onça, impulsionado pela demanda de componentes de gravação magnética para datacenters de inteligência artificial.
  • A indústria de eletrônicos consome 30% do rutênio global, principalmente em discos rígidos para servidores em nuvem, enquanto a produção anual permanece em apenas 30 toneladas com perspectiva de déficit.
  • Descobertas recentes em fármacos anticâncer e propriedades magnéticas à temperatura ambiente ampliam aplicações do rutênio além de armazenamento de dados, intensificando pressão sobre oferta limitada.
Resumo revisado pela redação.

O rutênio, um metal de cor cinza prateada do grupo da platina, tem se destacado como a commodity metálica com melhor desempenho no último ano. Seu preço quase dobrou entre meados de 2024 e de 2025, chegando a US$ 800 por onça. No final de novembro, atingiu US$ 908 por onça, conforme o CIF North West Europe Spot (uma referência comum de mercado). O aumento deve-se, principalmente, à crescente demanda impulsionada pela revolução da Inteligência Artificial (IA) para componentes de gravação magnética, como informa a Bloomberg.

O minério é valorizado por sua dureza e versatilidade, com aplicações em eletrônicos, armazenamento de energia e na fabricação de produtos químicos. A indústria de eletrônicos, que inclui discos rígidos, representa 30% da demanda total pelo metal, atrás apenas da indústria química, que, segundo a consultoria SFA, consome 32% do minério. Mas esse cenário tende a mudar, com a indústria de discos rígidos tomando a dianteira do consumo de rutênio.

Por que o rutênio é importante na transformação digital?

Tabela periódica destacando o elemento Rutênio (Ru) com informações químicas, incluindo número atômico 44 e massa atômica 101.07.
Foto: Ployker / Shutterstock

As tecnologias de inteligência artificial generativa, em crescimento desde o final de 2022, exigem o armazenamento de grandes volumes de dados em servidores à distância (nuvem). Esse mercado digital impulsiona o consumo de rutênio, principalmente em discos rígidos que equipam os servidores de nuvem. Isso porque o metal é aplicado em uma camada extremamente fina, com menos de um nanômetro de espessura e oferece boa densidade de dados aos servidores. Segundo a consultoria IDC, somente neste ano de 2025, as vendas de discos rígidos devem crescer 16% globalmente, demandando ainda mais a matéria-prima.

Por outro lado, a produção do rutênio, que é em grande parte um subproduto da platina, está em declínio. No ano passado, a oferta anual foi de apenas 30 toneladas e, devido à falta de investimentos após anos de preços baixos, a produção não deve aumentar rapidamente. Como resultado, o mercado pode entrar em um déficit no próximo ano, o que provavelmente sustentará ainda mais os preços.

Descobertas acentuam aumento de demanda

O rutênio é usado principalmente como componente de ligas metálicas para aumentar a tenacidade e a resistência à corrosão graças à presença de platina, paládio e titânio em sua composição. Em eletrônica, ele é usado para fabricar contatos elétricos, resistores de chip e para produzir filmes finos em microchips. Também é usado na fabricação de em células solares e componentes como discos rígidos. 

Além disso, é empregado em aplicações no tratamento de certos tipos de câncer. Químicos da UFSCar desenvolveram potenciais fármacos inorgânicos à base de rutênio e defendem que eles podem ser utilizados com alta eficiência no tratamento de doenças cancerígenas e com efeitos colaterais minimizados.
O elemento com número atômico 44 na tabela periódica também vem revelando outros potenciais. Na década passada, por exemplo, tornou-se o quarto elemento químico a apresentar propriedades magnéticas à temperatura ambiente. Junto a ele estavam o ferro (Fe), cobalto (Co) e níquel (Ni). Em última instância, a perspectiva é que esse reconhecimento viabilize a aplicação do rutênio em componentes de lógica e memória magnéticas para computadores, sensores e outros dispositivos que usam materiais magnéticos.

Dúvidas mais comuns

O preço do rutênio quase dobrou entre meados de 2024 e início de 2025, chegando a US$ 908 por onça em novembro. O principal fator é a crescente demanda impulsionada pela revolução da Inteligência Artificial, que exige grande armazenamento de dados em servidores na nuvem. Esses servidores utilizam discos rígidos com camadas extremamente finas de rutênio para oferecer alta densidade de dados. Simultaneamente, a produção de rutênio está em declínio, pois é principalmente um subproduto da platina, criando um cenário de oferta limitada que sustenta os preços elevados.

O rutênio tem múltiplas aplicações industriais. Na eletrônica, é usado para fabricar contatos elétricos, resistores de chip e filmes finos em microchips, além de ser essencial em discos rígidos para servidores. Na indústria química, é empregado como catalisador na produção de amônia e ácido acético, e em revestimentos de ânodos para células eletroquímicas. Também é utilizado em células solares, ligas metálicas para aumentar tenacidade e resistência à corrosão, e em pesquisas para tratamento de câncer através de fármacos inorgânicos à base de rutênio.

O rutênio é aplicado em uma camada extremamente fina, com menos de um nanômetro de espessura, nos discos rígidos que equipam servidores de nuvem. Essa aplicação oferece excelente densidade de dados, permitindo o armazenamento de grandes volumes de informações necessários para as tecnologias de inteligência artificial generativa. Com as vendas de discos rígidos projetadas para crescer 16% globalmente em 2025, a demanda por rutênio nesse setor tende a aumentar significativamente.

Sim, o rutênio é classificado como um metal nobre, pertencendo ao grupo da platina. Os metais nobres incluem ouro, prata e os metais do grupo da platina: platina, paládio, ródio, rutênio, irídio e ósmio. Essa classificação reflete suas propriedades especiais, como resistência à corrosão e dureza, que o tornam valiosos para aplicações industriais de alta performance.

A indústria química atualmente consome 32% do rutênio global, enquanto a indústria de eletrônicos consome 30%, principalmente através de discos rígidos. No entanto, esse cenário tende a mudar, com a indústria de discos rígidos tomando a dianteira do consumo. A produção anual de rutênio é de apenas 30 toneladas, em grande parte como subproduto da platina, e está em declínio. Devido à falta de investimentos após anos de preços baixos, a produção não deve aumentar rapidamente, podendo resultar em déficit de mercado no próximo ano.

Químicos da UFSCar desenvolveram potenciais fármacos inorgânicos à base de rutênio que podem ser utilizados com alta eficiência no tratamento de doenças cancerígenas, com efeitos colaterais minimizados. Essa aplicação representa uma nova fronteira para o metal, expandindo seu uso além das aplicações industriais tradicionais e abrindo possibilidades para a medicina oncológica.

Na década passada, o rutênio tornou-se o quarto elemento químico a apresentar propriedades magnéticas à temperatura ambiente, juntando-se ao ferro, cobalto e níquel. Essa descoberta abre perspectivas para aplicações do rutênio em componentes de lógica e memória magnéticas para computadores, sensores e outros dispositivos que utilizam materiais magnéticos, potencialmente revolucionando a tecnologia de armazenamento e processamento de dados.

O rutênio é produzido principalmente como subproduto da extração de platina, o que limita sua oferta independente. Após anos de preços baixos, houve falta de investimentos em novas capacidades de produção, impedindo que a oferta aumente rapidamente para acompanhar a demanda crescente. Com apenas 30 toneladas produzidas anualmente e perspectivas de déficit de mercado, essa restrição de oferta é um fator crucial na sustentação dos preços elevados do metal.