Tecnologias de ponta, ou deep techs, como são conhecidas, são mapeadas por especialistas em inovação da Vale para uso potencial na mineração. A lista inclui inteligência artificial geral, computação quântica, fusão nuclear, manufatura aditiva e fibras de carbono.
Na avaliação do time, essas tecnologias de fronteira podem antecipar riscos operacionais e de mercado e orientar escolhas de investimentos a longo prazo. A aplicação de tecnologias disruptivas no dia a dia não é exceção, mas o estágio mais visível de inovações que amadurecem ao longo de décadas. É o caso da internet, criada a partir de pesquisas militares e acadêmicas, e do GPS, baseado em física relativista e sistemas orbitais. As vacinas de mRNA são outro exemplo, fruto de biologia molecular avançada. O próprio smartphone é fruto da convergência de diferentes deep techs desenvolvidas nas últimas décadas, como semicondutores e sensores.
No ambiente da mineração, inovações como automação de mina e sensoriamento geológico avançado são exemplos de tecnologias de fronteira que têm se consolidado nas operações, tanto nas frentes de lavra quanto nas plantas de processamento mineral.
Operações mais seguras

Na avaliação do time de inovação da Vale, essas tecnologias tendem a impactar em várias frentes da operação:
· Operações mais seguras: A aplicação de inteligência artificial (IA) avançada, sensoriamento geológico e automação de mina já contribui para operações em ambientes extremos, reduzindo a exposição a riscos e diminuindo a variabilidade das operações.
· Processamento e logística integrada: A modelagem computacional complexa e o uso futuro da computação quântica e da IA podem ampliar a capacidade de resolver problemas de otimização que hoje são impossíveis para computadores clássicos. Isso inclui o planejamento do escalonamento de frotas de vagões em grande escala e a previsão de propriedades metalúrgicas sob diferentes condições térmicas.
· Transição energética: Tecnologias como a fusão nuclear e pequenos reatores modulares (SMRs) aparecem como alternativas para viabilizar energia limpa e de alta densidade. Elas dialogam diretamente com os desafios de descarbonização da Vale e com a viabilização de rotas industriais de baixo carbono para a produção do “aço verde”.
· Novos materiais e mercados: O monitoramento de manufatura aditiva (impressão 3D) e de novos materiais super-resistentes e leves, como as fibras de carbono, permite antecipar tanto oportunidades como o aumento da carga útil e eficiência de combustíveis em ferrovias, quanto ameaças, já que esses materiais possuem potencial para substituir o aço em aplicações específicas. Esse não é um campo totalmente novo para a Vale, já que áreas como a de exploração vêm testando aplicações.
IA e automação no centro das operações
Na prática, aplicações de IA geral, combinadas com automação, permitirão a tomada de decisões mais autônomas em tempo real sobre manutenção, uso de equipamentos e consumo de energia, entre outros. Contudo, isto não reduz a importância do fator humano. Com sistemas cada vez mais capazes de aprender e tomar decisões de forma autônoma, o avanço tecnológico aumenta a demanda por habilidades como pensamento crítico, julgamento ético e colaboração, que se tornam ainda mais indispensáveis e insubstituíveis no dia a dia.
A computação quântica, por sua vez, pode ser usada na otimização do custo de frota, processando variáveis complexas para reduzir os custos operacionais, e também contribuir para a criação de rotas mais eficientes e inteligentes para os fluxos logísticos.
Independentemente do alto grau de complexidade e incerteza científica, as deep techs têm sido acompanhadas de forma mais estruturada. O objetivo é integrar a inteligência tecnológica dessas soluções com a estratégia corporativa e os portfólios de pesquisa e desenvolvimento (PDI) da Vale. Com isso, a mineradora busca antecipar impactos de novas tecnologias e orientar as decisões de investimento e operação.