Os setores de defesa e de data centers foram destacados como vetores relevantes e crescentes da demanda por minerais no relatório Perspectiva Global de Materiais 2025, da McKinsey. O documento também identifica um momento marcado por protecionismo, concentração de oferta e desaceleração ou reavaliação do ritmo de descarbonização em algumas regiões.
Para além das duas frentes citadas, fatores como o aumento populacional, desenvolvimento da classe média e implementação de tecnologias de baixo carbono também devem impulsionar a demanda por minerais até 2035. Nesse conjunto, o cobre desponta como material necessário para a expansão da infraestrutura digital e de data centers associada à IA, enquanto metais estratégicos usados em sistemas militares, como terras raras e cobalto, tendem a enfrentar maior pressão sobre cadeias de fornecimento concentradas e riscos geopolíticos. Defesa, geopolítica e minerais
O relatório mostra o setor de defesa como um dos motores da demanda global por minerais diante de tensões geopolíticas e de uma concentração na oferta, sobretudo da China, que também exerce protagonismo no refino. Dessa forma, países como os Estados Unidos buscam alternativas para diminuir a dependência de nações com as quais mantêm relação adversa.
Um parêntese para contextualizar: recentemente, as negociações acerca do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump a alguns países e regiões envolveram as reservas de terras raras, essenciais para “transdutores de sonar, sistemas de radar, dispositivos aprimorados de detecção de radiação gama e alarmes integrados multifuncionais contra agentes químicos”, como elencou a SFA Oxford.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) publicou, ao final de 2024, uma lista com 12 materiais críticos para a fabricação de tanques, aeronaves de guerra, mísseis, submarinos, corvetas, artilharia, munição, torpedos e rifles. De acordo com a aliança militar, “a disponibilidade e o fornecimento seguro desses materiais são vitais para manter a vantagem tecnológica e a prontidão operacional”.
Integram a lista: alumínio, berílio, cobalto, gálio, germânio, grafite, lítio, manganês, platina, elementos de terras raras, titânio e tungstênio.
Em contrapartida, países abundantes em recursos minerais, especialmente os considerados minerais críticos, visam manter sua posição frente ao mercado por meio de barreiras à exportação e por meio do incentivo à integração local na cadeia de valor.
A McKinsey destacou ainda a crescente adoção, especialmente por países africanos, de barreiras à exportação de minérios e concentrados como estratégia para estimular o processamento local e capturar maior valor ao longo da cadeia. Por sua vez, mercados tradicionalmente dependentes de importação buscam acelerar o desenvolvimento de projetos domésticos por meio de regimes especiais de financiamento, licenciamento e incentivos, com foco em reduzir riscos de fornecimento e aumentar a resiliência das cadeias de suprimento.
IA e data centers demandam minerais

Ao passo em que a defesa está diretamente ligada à agenda geopolítica, a inteligência artificial se relaciona com o desenvolvimento da indústria em um contexto de inovação, transição energética e produtividade. O estudo indica uma recente recuperação de intensidade de capital e da produtividade na mineração que deve ser mantida com a implementação de novas tecnologias. No que diz respeito à IA, que é apontada como um dos vetores para a manutenção da tendência de recuperação e produtividade, a necessidade por mais data centers é latente e impacta na demanda por minerais.
O cobre destinado a data centers, por exemplo, deve registrar um crescimento de cerca de 3% até 2030, sendo esse um dos subsetores que ajudaram a compensar a retração de 6% observada na receita de metais em 2024. Após essa queda, o faturamento consolidado do setor recuou para US$ 3 trilhões, mas a lucratividade manteve-se resiliente, com valores em torno de US$ 1,3 trilhão.
Além disso, a evolução contínua dos modelos de IA, impulsionada pelo acesso crescente a poder computacional mais barato, tem ampliado suas aplicações. Soluções que conectam sistemas de gestão de frotas, plataformas de gestão de ativos e redes de internet das coisas permitem ganhos operacionais e otimização logística.
Oportunidades
Posta a conjuntura atual, a McKinsey desenhou três áreas de oportunidade, passando por parcerias estratégicas e regionais, produtividade e sustentabilidade. Na primeira, o crescimento pode ser implementado de duas maneiras. A primeira é a expansão para novas geografias e avanço em materiais críticos, especialmente quando houver “direito de atuação” e incentivos governamentais. Outra forma de avanço nesse caso é o desbloqueio de valor por meio da reciclagem, sucata e nichos ligados à infraestrutura digital e ao setor de defesa.
Já a segunda maneira trata de acelerar a produtividade com IA de última geração, automação, excelência operacional e fornecimento global como respostas diretas ao aumento de custos associado à queda na qualidade dos minérios, à escassez de mão de obra e a requisitos ambientais mais rigorosos.
Por fim, o estudo propõe a adoção de medidas de sustentabilidade direcionadas, o que implica em estratégias de descarbonização graduais financeiramente viáveis, combinadas ao escalonamento de processos de baixo carbono e reciclagem.