Tabela periódica destacando o elemento Vanádio, com foco na crescente demanda futura e oportunidades de investimento neste metal estratégico.
Vanádio (V): base química de um mercado em rápida expansão (Foto: Ployker / Shutterstock)

Do aço às baterias: o papel do vanádio na transição energética

No Brasil, todo o potencial está concentrado na Bahia, especialmente na região de Maracás, reconhecida como o principal polo brasileiro de extração do elemento

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 09/02/2026 | Atualizado em 11/02/2026

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Mais de 80% do vanádio produzido no mundo ainda é destinado à indústria siderúrgica, onde o metal atua como agente de microliga essencial para aumentar a resistência e durabilidade do aço usado em construções e automóveis, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Agora, porém, o vanádio ganha novo protagonismo, desta vez na transição energética. As chamadas baterias redox de fluxo de vanádio (VRFB), desenvolvidas originalmente pelo Pacific Northwest National Laboratory (PNNL), despontam como solução promissora para o armazenamento de energia de longa duração, combinando alta segurança, vida útil extensa e potencial para equilibrar a oferta de energia renovável em redes elétricas.

A produção global é fortemente concentrada na China, que lidera tanto a extração quanto o consumo do metal, impulsionada por sua indústria siderúrgica. Rússia, África do Sul e Brasil aparecem em escala menor. Essa concentração geográfica gera riscos de fornecimento e volatilidade de preços, especialmente quando há variações na produção de aço ou nas políticas de exportação.

O Brasil possui cerca de 120 mil toneladas de reservas de vanádio, segundo o USGS, ocupando o quinto lugar no ranking mundial. Todo o potencial nacional está concentrado na Bahia, especialmente na região de Maracás, reconhecida como o principal polo brasileiro de extração do elemento. 

Novas práticas de mineração

Maracás, Bahia, Brasil, mina de vanádio em operação na América Latina com fábricas e plataformas industriais ao entardecer.
Mina de vanádio em Maracás (BA). (Foto: Governo da Bahia / SDE)

Maracás abriga a única mina de vanádio em operação na América Latina. Especialistas afirmam que o elemento é necessário na transição mundial para uma economia de baixo carbono, podendo ser usado (além da indústria de aço) em áreas de óleo, gás, materiais cirúrgicos, turbinas eólicas e ferrovias.

Em comunicado recente, a Largo (produtora com operações no Brasil e no Canadá) informou que segue concentrada em otimizar a recuperação de recursos e iniciou o reprocessamento das lagoas de rejeitos não magnéticos existentes, com o objetivo de extrair vanádio e ilmenita. Antes voltados apenas à obtenção de ilmenita como matéria-prima, esses rejeitos passaram a ser analisados também quanto ao teor de vanádio, abrindo caminho para fluxos de recuperação dupla. 

A empresa também pretende aprimorar o processo atual de extração de vanádio dos resíduos de calcina e da torta de sílica rica em ferro, para gerar vanádio adicional que será convertido em V₂O₅. Além de elevar a eficiência operacional na mina, essas iniciativas contribuem para práticas de mineração mais sustentáveis ao reduzir o desperdício e recuperar valor de materiais já descartados.

Em entrevista ao G1, a geóloga Rejane Luciano, doutora em Geociências e Meio Ambiente da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apontou que há caminhos a serem seguidos para que a mineração mantenha seu papel sustentável, especialmente com as comunidades locais. Para ela, a diversidade geológica deve ser vista como um fator preponderante na produção mineradora baiana. 

Vanádio: demanda futura e investimentos

Diagrama explicativo de uma bateria de fluxo redox de vanádio, mostrando dois tanques com líquidos químicos ligados a uma célula que gera eletricidade
Bateria de fluxo redox de vanádio e seu funcionamento eletroquímico (Foto: SivVector / Shutterstock / Texto traduzido)

O avanço das baterias de fluxo redox impulsiona novas projeções para o mercado global de vanádio. Segundo a Guidehouse Insights, as instalações globais de VRFB poderiam alcançar 32,8 GWh/ano até 2031, mas exigiria cerca de 155 mil toneladas métricas de vanádio por ano para atender essa capacidade, mais do que o dobro da demanda anual atual. 

Já um relatório da Fact.MR estima que o tamanho do mercado global de vanádio crescerá de USD 54,5 bilhões (2025) para USD 123,2 bilhões (2035), com uma taxa anual composta de crescimento de aproximadamente 8,5%. A China, maior produtora e consumidora, vem impulsionando essa demanda ao adotar normas mais rígidas para vergalhões, aumentando o teor de vanádio por tonelada de aço.

A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que a demanda por vanádio aumente mais de 500% até 2050 se o cenário de zero emissões líquidas for atingido – quando as emissões globais de gases de efeito estufa são reduzidas e compensadas até que o balanço final seja nulo. A projeção foi destacada em reportagem da Australian Mining Review, que analisou os impactos da transição energética sobre minerais usados em sistemas de armazenamento de energia. O aumento expressivo é atribuído principalmente à expansão de sistemas de armazenamento estacionário e à busca por cadeias produtivas mais sustentáveis.

Apesar do otimismo, a concentração da produção global em países como China e Rússia, combinada com o longo prazo de maturação dos projetos (que pode levar mais de uma década) continua a representar um risco para a estabilidade da oferta e dos preços. Contudo, o mineral tem potencial de impulsionar o armazenamento de energia limpa, aumentar a eficiência do aço e estimular economias circulares, considerado peça-chave para um futuro energético mais sustentável.

Dúvidas mais comuns

O vanádio é um metal de transição mole, dúctil e de cor cinzenta brilhante que apresenta alta resistência ao ataque de bases e ácidos. Atualmente, mais de 80% do vanádio produzido no mundo é destinado à indústria siderúrgica, onde atua como agente de microliga essencial para aumentar a resistência e durabilidade do aço usado em construções e automóveis. Além disso, o metal é utilizado em áreas como óleo, gás, materiais cirúrgicos, turbinas eólicas e ferrovias.

As baterias redox de fluxo de vanádio (VRFB) são sistemas de armazenamento de energia de longa duração desenvolvidos originalmente pelo Pacific Northwest National Laboratory (PNNL). Essas baterias combinam alta segurança, vida útil extensa e potencial para equilibrar a oferta de energia renovável em redes elétricas, despontando como solução promissora para a transição energética global e o armazenamento de energia limpa.

A produção global de vanádio é fortemente concentrada na China, que lidera tanto a extração quanto o consumo do metal, impulsionada por sua indústria siderúrgica. Rússia, África do Sul e Brasil aparecem em escala menor. O Brasil possui cerca de 120 mil toneladas de reservas de vanádio, ocupando o quinto lugar no ranking mundial, com todo o potencial nacional concentrado na Bahia, especialmente na região de Maracás, que abriga a única mina de vanádio em operação na América Latina.

A concentração geográfica da produção de vanádio em países como China e Rússia gera riscos significativos de fornecimento e volatilidade de preços, especialmente quando há variações na produção de aço ou nas políticas de exportação. Essa concentração, combinada com o longo prazo de maturação dos projetos (que pode levar mais de uma década), continua a representar um risco para a estabilidade da oferta e dos preços no mercado global.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda por vanádio pode aumentar mais de 500% até 2050 se o cenário de zero emissões líquidas for atingido. A Guidehouse Insights estima que as instalações globais de VRFB poderiam alcançar 32,8 GWh/ano até 2031, exigindo cerca de 155 mil toneladas métricas de vanádio por ano, mais do que o dobro da demanda anual atual. Já a Fact.MR projeta que o mercado global de vanádio crescerá de USD 54,5 bilhões (2025) para USD 123,2 bilhões (2035).

A Largo, produtora com operações no Brasil e no Canadá, iniciou o reprocessamento das lagoas de rejeitos não magnéticos existentes para extrair vanádio e ilmenita, criando fluxos de recuperação dupla. A empresa também pretende aprimorar o processo de extração de vanádio dos resíduos de calcina e da torta de sílica rica em ferro para gerar vanádio adicional convertido em V₂O₅. Essas iniciativas elevam a eficiência operacional e contribuem para práticas de mineração mais sustentáveis ao reduzir o desperdício e recuperar valor de materiais já descartados.

O vanádio é considerado crítico para a transição energética porque tem potencial de impulsionar o armazenamento de energia limpa através das baterias VRFB, aumentar a eficiência do aço em aplicações de baixo carbono e estimular economias circulares. A demanda pelo metal deve crescer significativamente com a expansão de sistemas de armazenamento estacionário e a busca por cadeias produtivas mais sustentáveis, tornando-o uma peça-chave para um futuro energético mais sustentável.

A China, maior produtora e consumidora de vanádio, vem impulsionando a demanda ao adotar normas mais rígidas para vergalhões, aumentando o teor de vanádio por tonelada de aço. Essa estratégia, combinada com sua indústria siderúrgica robusta e seu papel na produção de baterias VRFB, posiciona o país como principal motor do crescimento da demanda global por vanádio nos próximos anos.