Blocos de madeira com símbolos de sustentabilidade ao lado de um globo terrestre, representando o avanço da economia circular e a concentração de investimentos nesse setor.
Foto: Deemerwha studio/ Adobe Stock

Economia circular cresce, mas investimentos seguem concentrados

Atualmente, apenas 6,9% da economia global é circular. Relatório mostra que existe espaço para aplicação desses recursos em soluções inovadoras e sustentáveis

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 03/10/2025

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A economia circular captou, no mundo, quase US$ 164 bilhões, considerando o período entre 2018 e 2023. Além disso, o investimento em modelos de negócios circulares apresentou um aumento de 87% na segunda metade deste período (entre 2021 e 2023), em comparação com os dois anos anteriores. 

Os números são do relatório Circularity Gap Report Finance, estudo que quantifica os fluxos financeiros para modelos de negócios circulares globalmente, desenvolvido pela Circle Economy, em colaboração com a KPMG International e com o apoio da International Finance Corporation (IFC). O documento mostra, entretanto, que apesar do crescimento da economia circular, ainda há gargalos financeiros para ampliar o investimento em soluções regenerativas e sustentáveis.

Para onde vão os recursos da economia circular?

Resíduos agrícolas sendo utilizados na economia circular, com uma grande estrutura de armazenamento e um trator em destaque no campo.
Foto: Ulrich Mueller/ Shutterstock

Um exemplo de tais gargalos é o fato de que o capital direcionado à economia circular tem sido aplicado, predominantemente, em soluções tradicionais, como reparos automotivos, revenda de produtos elétricos, recuperação de resíduos agrícolas e reciclagem. Enquanto isso, ações de alto impacto e inovações em design e produção receberam apenas 4,7% de todo o investimento.

O relatório da Circle Economy destaca que as inovações teriam o potencial de eliminar resíduos e poluição na sua origem, mas esses modelos circulares de alto impacto recebem financiamento insuficiente. “O setor da construção, por exemplo, consome 48% dos recursos naturais globais, mas recebeu apenas 8% do capital circular entre 2018 e 2023. Em contraste, setores com menor impacto de recursos, como transporte, receberam uma fatia desproporcional dos investimentos”, destaca o documento, reforçando que “essa desconexão revela que os critérios atuais de financiamento não estão suficientemente alinhados com o impacto ambiental dos setores. Há espaço – e urgência – para realocar recursos de forma mais estratégica”.

Participação do setor privado

De acordo com o estudo, o investimento em economia circular cresceu do patamar de US$10 bilhões em 2018 para US$28 bilhões em 2023. O documento destaca que o pico de investimento ocorreu em 2021, atingindo US$42 bilhões, montante que não foi superado nos anos posteriores (até 2023, data final do levantamento). 

Dos US$ 164 bilhões rastreados entre 2018 e 2023, 73% vieram do setor privado. As fontes de financiamento incluem:

  • bancos comerciais e instituições de crédito: US$ 11 bilhões/ano (38,9%);
  • private equity: US$ 3,2 bilhões/ano (11,9%);
  • investidores institucionais e gestores de ativos: US$ 2,4 bilhões/ano (8,6%);
  • venture capital, aceleradoras e investidores-anjo: US$ 1,8 bilhão/ano (6,3%).

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Caminhos para mudança

O estudo reforça que modelos de negócios circulares podem gerar receita adicional, além de abrir novos mercados e entregar mais valor com menos recursos. Na prática, a circularidade se torna uma estratégia para o setor financeiro gerenciar riscos de recursos decorrentes de interrupções na cadeia de suprimentos e escassez de materiais. 

“A economia circular não é apenas uma solução sustentável — é uma ferramenta essencial para gerenciar riscos financeiros”, afirmou Marvin Nusseck, líder financeiro na Circle Economy. “Das interrupções no fornecimento associadas à dependência de recursos de países isolados à crescente probabilidade de impostos sobre materiais virgens, a economia do uso de recursos está mudando. Negócios circulares estão bem posicionados para prosperar nesta nova realidade”, reforçou.

Atualmente, de acordo com o relatório, apenas 6,9% da economia global é circular. Para que este índice aumente, são necessárias políticas específicas, estruturas financeiras atualizadas e um esforço conjunto para direcionar capital para soluções circulares. 

O estudo recomenda que investidores e credores atualizem métodos de avaliação de valor e risco. Reguladores financeiros, por sua vez, deveriam padronizar definições e métricas circulares, além de exigir divulgações relacionadas à economia circular, estimulando o desenvolvimento destas soluções.

Dúvidas mais comuns

A economia circular é um modelo de negócio que busca eliminar desperdícios, circular produtos e materiais, e regenerar a natureza, diferenciando-se da economia linear tradicional. Atualmente, apenas 6,9% da economia global é circular, mas o modelo apresenta potencial significativo para gerar receita adicional, abrir novos mercados e entregar mais valor com menos recursos, além de ser uma ferramenta essencial para gerenciar riscos financeiros relacionados a interrupções na cadeia de suprimentos e escassez de materiais.

A economia circular captou quase US$ 164 bilhões no período entre 2018 e 2023, com um crescimento de 87% na segunda metade deste período (2021-2023) em comparação com os dois anos anteriores. O investimento cresceu de US$ 10 bilhões em 2018 para US$ 28 bilhões em 2023, com pico de US$ 42 bilhões em 2021, conforme dados do Circularity Gap Report Finance desenvolvido pela Circle Economy em colaboração com a KPMG International.

Os investimentos em economia circular têm sido concentrados predominantemente em soluções tradicionais como reparos automotivos, revenda de produtos elétricos, recuperação de resíduos agrícolas e reciclagem. No entanto, há uma desconexão entre impacto ambiental e alocação de recursos: o setor de construção consome 48% dos recursos naturais globais, mas recebeu apenas 8% do capital circular, enquanto setores com menor impacto de recursos, como transporte, receberam uma fatia desproporcional dos investimentos.

Do total de US$ 164 bilhões rastreados entre 2018 e 2023, 73% vieram do setor privado. As principais fontes de financiamento incluem: bancos comerciais e instituições de crédito (US$ 11 bilhões/ano ou 38,9%), private equity (US$ 3,2 bilhões/ano ou 11,9%), investidores institucionais e gestores de ativos (US$ 2,4 bilhões/ano ou 8,6%), e venture capital, aceleradoras e investidores-anjo (US$ 1,8 bilhão/ano ou 6,3%).

Apesar do potencial de eliminar resíduos e poluição na origem, inovações em design e produção recebem apenas 4,7% de todo o investimento em economia circular. Essa desconexão revela que os critérios atuais de financiamento não estão suficientemente alinhados com o impacto ambiental dos setores, indicando a necessidade urgente de realocar recursos de forma mais estratégica para soluções de alto impacto.

Os 3 pilares fundamentais da economia circular são: eliminar o desperdício, circulando produtos e materiais de forma eficiente; regenerar a natureza através de práticas sustentáveis; e criar modelos de negócio que entreguem mais valor com menos recursos, transformando a economia em um sistema mais resiliente e ambientalmente responsável.

Para aumentar o índice de economia circular de 6,9% para patamares mais significativos, são necessárias políticas específicas, estruturas financeiras atualizadas e esforço conjunto para direcionar capital para soluções circulares. O estudo recomenda que investidores e credores atualizem métodos de avaliação de valor e risco, enquanto reguladores financeiros devem padronizar definições e métricas circulares, além de exigir divulgações relacionadas à economia circular para estimular o desenvolvimento dessas soluções.

A economia circular funciona como ferramenta essencial para gerenciar riscos financeiros decorrentes de interrupções na cadeia de suprimentos e escassez de materiais. Com a crescente probabilidade de impostos sobre materiais virgens e dependência de recursos de países isolados, negócios circulares estão bem posicionados para prosperar, pois reduzem a vulnerabilidade a flutuações de preços e disponibilidade de matérias-primas.