Usina Salobo da Vale possui uma alta taxa reúso da água utilizada no processo de beneficiamento do minério.
Usina Salobo (Foto: Ricardo Teles/ Vale)

Eficiência hídrica reduz custos e amplia competitividade na mineração

Recirculação hídrica diminui despesas operacionais, reforça compromissos ESG e reduz exposição a riscos climáticos no setor mineral

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 22/05/2026

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O reúso de água tem impacto direto na estrutura de custos das operações minerais, reduzindo despesas com captação, bombeamento, tratamento e pagamento pelo uso de recursos hídricos. Ao mesmo tempo, exige investimentos em infraestrutura, criando um equilíbrio entre custo inicial e eficiência operacional no longo prazo.

Além da dimensão econômica, operações com alto índice de reúso tendem a ter mais aceitação no licenciamento ambiental, menor exposição a riscos climáticos e melhor desempenho em critérios ESG. A integração de tecnologias que viabilizam o reúso em larga escala transforma a eficiência hídrica em diferencial competitivo e requisito para a sustentabilidade do setor.

Eficiência hídrica ganha espaço nas mineradoras

Vista aérea da Mina de Brucutu.
Mina de Brucutu (Foto: Leo Lopes/ Vale)

Nos últimos anos, a mineração ampliou investimentos em sistemas capazes de reduzir perdas e maximizar a recirculação de água dentro das plantas industriais. Entre as tecnologias mais utilizadas estão:

  • espessadores de rejeitos;
  • filtragem de rejeitos;
  • circuitos fechados de água;
  • monitoramento digital em tempo real;
  • automação de balanço hídrico;
  • reaproveitamento de água de chuva;
  • sistemas avançados de tratamento de efluentes.

A integração dessas soluções permite aumentar o controle sobre vazões, perdas e consumo específico de água nova, elevando a eficiência operacional das minas e usinas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a gestão hídrica se tornou um dos temas prioritários para a sustentabilidade do setor mineral brasileiro, principalmente diante da crescente pressão sobre recursos naturais e da necessidade de adaptação às mudanças climáticas.

Segurança hídrica é vantagem competitiva

Empresas com capacidade de recirculação tendem a sofrer menos impactos em períodos de seca ou restrições de uso da água, reduzindo riscos de paralisações, melhorando a estabilidade operacional e fortalecendo a relação das mineradoras com comunidades e órgãos reguladores.

A tendência também acompanha o avanço global das práticas ESG. Investidores internacionais observam indicadores relacionados ao consumo hídrico, eficiência operacional e redução de impactos ambientais como critérios relevantes na avaliação de projetos minerais.

Dúvidas mais comuns

Eficiência hídrica na mineração refere-se à otimização do uso de água nos processos produtivos, maximizando a produtividade com o menor consumo possível de recursos hídricos. Na mineração, isso envolve a implementação de tecnologias e práticas que reduzem perdas, aumentam a recirculação de água dentro das plantas industriais e minimizam o consumo de água nova, contribuindo tanto para a sustentabilidade quanto para a redução de custos operacionais.

A mineração é a indústria extrativa de maior consumo de água no Brasil, concentrando-se principalmente nos Estados de Minas Gerais e Pará, que juntos respondem por mais de 85% da demanda hídrica do setor. O total retirado é de 32,8 m³ por segundo, evidenciando a importância crítica da gestão eficiente de recursos hídricos para a sustentabilidade da atividade.

O reúso de água impacta diretamente a estrutura de custos das operações minerais ao reduzir despesas com captação, bombeamento, tratamento e pagamento pelo uso de recursos hídricos. Embora exija investimentos iniciais em infraestrutura, essa estratégia cria um equilíbrio favorável entre o custo inicial e a eficiência operacional no longo prazo, gerando economia significativa ao longo do tempo.

As tecnologias mais utilizadas incluem espessadores de rejeitos, filtragem de rejeitos, circuitos fechados de água, monitoramento digital em tempo real, automação de balanço hídrico, reaproveitamento de água de chuva e sistemas avançados de tratamento de efluentes. A integração dessas soluções permite aumentar o controle sobre vazões, perdas e consumo específico de água nova, elevando significativamente a eficiência operacional das minas e usinas.

A eficiência hídrica transforma-se em diferencial competitivo ao reduzir custos operacionais, melhorar a aceitação no licenciamento ambiental e diminuir a exposição a riscos climáticos. Empresas com alta capacidade de recirculação sofrem menos impactos em períodos de seca, reduzem riscos de paralisações, fortalecem a relação com comunidades e órgãos reguladores, além de apresentar melhor desempenho em critérios ESG, atraindo investidores internacionais.

Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a gestão hídrica tornou-se um dos temas prioritários para a sustentabilidade do setor mineral brasileiro devido à crescente pressão sobre recursos naturais e à necessidade de adaptação às mudanças climáticas. A segurança hídrica é essencial para garantir a continuidade operacional e a viabilidade econômica das operações minerais no longo prazo.

A mineração pode impactar significativamente os recursos hídricos através de rompimentos e vazamentos que levam resíduos para o solo e cursos d'água a jusante, colocando em risco o equilíbrio ambiental, as fontes de abastecimento público e as atividades econômicas. Por isso, a implementação de práticas eficientes de gestão hídrica e reúso de água é fundamental para mitigar esses impactos e garantir a sustentabilidade ambiental.

Operações com alto índice de reúso e eficiência hídrica tendem a ter melhor desempenho em critérios ESG, que são cada vez mais observados por investidores internacionais. Indicadores relacionados ao consumo hídrico, eficiência operacional e redução de impactos ambientais são critérios relevantes na avaliação de projetos minerais, tornando a eficiência hídrica um requisito estratégico para atrair investimentos e garantir a sustentabilidade do negócio.