Planta de produção de ácido sulfúrico
Planta de produção de ácido sulfúrico (Foto: Metso/ Divulgação)

Conheça os principais usos do ácido sulfúrico na mineração

Saiba como o reagente é obtido e aplicado em alguns dos principais processos minerais

Por Redação, 4 min de leitura

Publicado em 11/08/2026

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A maior parte do ácido sulfúrico produzido atualmente tem origem no enxofre elementar recuperado das indústrias de petróleo e gás natural. Esse aproveitamento reduz emissões atmosféricas e transforma um subproduto industrial em matéria-prima de alto valor agregado.

Industrialmente, o processo ocorre em três etapas principais:

  • combustão do enxofre para formação de dióxido de enxofre (SO₂);
  • oxidação para obtenção de trióxido de enxofre (SO₃);
  • reação controlada com água, formando o ácido sulfúrico.

Em diversas regiões mineradoras, parte do ácido também é produzida a partir dos gases gerados em fundições de metais não ferrosos, integrando cadeias produtivas e reduzindo desperdícios.

Como o ácido sulfúrico é utilizado na mineração?

Uma pessoa vestindo jaleco e luvas azuis utiliza uma pipeta junto a um copo de medição, ao lado de uma garrafa de vidro rotulada como H₂SO₄ Ácido Sulfúrico, comumente utilizado como ácido sulfúrico na mineração. Vários utensílios de laboratório de vidro podem ser vistos ao fundo.
Imagem gerada digitalmente

Embora existam diversas aplicações, seu uso está concentrado em processos hidrometalúrgicos, nos quais os metais são extraídos por meio de soluções químicas.

  • Lixiviação de cobre

A aplicação mais conhecida ocorre na produção de cobre. Nas operações de lixiviação em pilhas (heap leaching), uma solução contendo ácido sulfúrico é aspergida sobre grandes volumes de minério previamente britado. O ácido dissolve os minerais de cobre, formando uma solução rica em metal que posteriormente passa pelos processos de extração por solventes (SX) e eletrodeposição (EW), produzindo cobre metálico com elevada pureza.

Esse método tornou possível o aproveitamento econômico de depósitos com baixos teores minerais, ampliando significativamente as reservas exploráveis.

  • Produção de níquel

Na mineração de minérios lateríticos, especialmente aqueles destinados à fabricação de baterias, o ácido sulfúrico é empregado em processos de lixiviação sob alta pressão (HPAL). Essa tecnologia permite recuperar grandes quantidades de níquel e cobalto, dois metais fundamentais para baterias de veículos elétricos.

  • Urânio

A produção de urânio também depende, em muitos depósitos, da lixiviação ácida. O ácido dissolve os minerais contendo urânio, possibilitando sua separação das demais rochas antes das etapas de purificação e concentração.

  • Terras raras

A crescente produção de terras raras para motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos também utiliza ácido sulfúrico em diversas etapas de processamento e separação química dos elementos.

  • Fosfato

Outro segmento importante é a mineração de fosfato. Nesse caso, o ácido sulfúrico reage com a rocha fosfática para produzir ácido fosfórico, matéria-prima essencial para fertilizantes agrícolas.

Por que o ácido sulfúrico é tão importante para a mineração?

O composto reúne características que dificilmente são substituídas em escala industrial.

Entre suas principais vantagens estão a elevada eficiência na dissolução de minerais; o aumento da recuperação metálica; a viabilização econômica de minérios de baixo teor; a redução do consumo energético em determinados processos hidrometalúrgicos; e o maior aproveitamento dos recursos minerais disponíveis.

Na prática, ele amplia a produtividade das operações e reduz perdas de metal durante o beneficiamento.

Sustentabilidade: um desafio que impulsiona inovação

Embora seja um produto altamente corrosivo, o uso do ácido sulfúrico na mineração é cercado por controles ambientais rigorosos.

Nas operações modernas, boa parte das soluções ácidas é recirculada continuamente, reduzindo o consumo de reagentes e minimizando a geração de resíduos.

Outro avanço é o aproveitamento do enxofre recuperado das indústrias de petróleo, gás e metalurgia, diminuindo emissões atmosféricas e fortalecendo modelos de economia circular.

Além disso, sistemas de impermeabilização, monitoramento ambiental, contenção de efluentes e neutralização química permitem controlar riscos operacionais e evitar contaminações.

O desenvolvimento de tecnologias digitais para monitoramento em tempo real da química dos processos também tem reduzido desperdícios e otimizado o consumo de reagentes.

Mercados

Detalhe de fios de cobre em bobina prontos para aplicação industrial. A viabilidade e a operação contínua dessa cadeia mineral dependem diretamente do suprimento de ácido sulfúrico
Detalhe de fios de cobre em bobina prontos para aplicação industrial. A viabilidade e a operação contínua dessa cadeia mineral dependem diretamente do suprimento de ácido sulfúrico (Foto: Hsyn20/ Shutterstock)

O Brasil possui importantes cadeias minerais que dependem diretamente do ácido sulfúrico, especialmente cobre, níquel, fosfato e urânio. 

O estado do Pará concentra a maior parte das reservas nacionais de cobre, enquanto Minas Gerais, Goiás e Bahia também desempenham papel relevante na produção mineral.

Segundo o Sumário Mineral Brasileiro 2025, o país produziu cerca de 384 mil toneladas de cobre contido em 2024, equivalente a aproximadamente 1,7% da produção mundial. Além da mineração, o ácido sulfúrico abastece os setores de fertilizantes, química básica, siderurgia e metalurgia, tornando-se um insumo estratégico para diferentes segmentos industriais.

No cenário global, o mercado internacional de ácido sulfúrico acompanha diretamente a expansão da mineração e da agricultura. 

A Ásia concentra a maior parte da demanda mundial, impulsionada principalmente pela produção de fertilizantes e pelo processamento de metais não ferrosos. Estudos de mercado estimam que o setor deverá crescer de aproximadamente US$ 14,9 bilhões em 2026 para cerca de US$ 21,1 bilhões em 2033, impulsionado pelo aumento da produção de cobre e outros metais estratégicos.

Além disso, tensões geopolíticas recentes evidenciaram a importância do insumo. O Oriente Médio responde por cerca de um quarto da oferta global de enxofre e aproximadamente metade do comércio marítimo desse material passa pelo Estreito de Ormuz. Interrupções logísticas nessa região elevaram os preços do enxofre e do ácido sulfúrico, aumentando os custos de processamento de cobre, níquel, cobalto e terras raras.