Brasil e Austrália são dois gigantes globais em recursos minerais, por vezes competidores, mas com desafios muito semelhantes em descarbonização e desenvolvimento sustentável. O Radar Mineração conversou com a embaixadora da Austrália no país, Sophie Davies, sobre o potencial para uma aliança estratégica, a troca de tecnologias e as lições compartilhadas na relação com os povos originários e a biodiversidade.
Onde a senhora enxerga o maior potencial para uma aliança estratégica entre Brasil e Austrália na construção de uma cadeia de suprimentos de minerais críticos que seja resiliente, rastreável e com altos padrões socioambientais?
A parceria já se baseia na forte presença de empresas australianas que estão operando aqui no Brasil. Temos cerca de 80 delas na cadeia de fornecimento, explorando em Minas Gerais, na Bahia e no Pará, e também apoiando o desenvolvimento do setor com engenharia, serviços e tecnologia australiana.
A Austrália tem investido pesadamente em tecnologias para mineração de baixo impacto e na cadeia de hidrogênio verde. Que lições aprendidas nesse processo poderiam ser compartilhadas com o Brasil para acelerar essa transição?
Acredito que a experiência australiana é muito útil, e temos muito a trocar. Sempre que converso com as empresas australianas aqui, vejo que são lideradas por brasileiros que se formaram ou trabalharam na Austrália. Essa transferência de conhecimento é fundamental. Temos, por exemplo, a Orica, a maior empresa do mundo em explosivos, que tem tecnologia muito avançada e segura. Outro exemplo é a Worley, uma das maiores do mundo em engenharia, serviços e logística, que conta com uma equipe de mais de 900 pessoas na América Latina. As experiências que elas trazem, não só da Austrália, mas de sua atuação global, são ativos que podemos compartilhar.
A COP30 no Brasil destaca a importância da biodiversidade e do conhecimento tradicional. Como a Austrália, que também possui uma enorme riqueza natural e uma profunda herança de povos originários, integra esses ativos em sua estratégia econômica e climática?
A forma como o Brasil estruturou os debates para a COP30, com círculos temáticos sobre povos indígenas, finanças e natureza, dialoga diretamente com os pontos de interesse da Austrália. Estamos esperando que nosso embaixador para Povos Indígenas venha ao Brasil para a COP30. Ele deve participar de um evento que estamos organizando em Brasília, em outubro, o que será uma ótima oportunidade para mostrar nosso compromisso e trocar experiências com o Brasil, que está exatamente na mesma linha sobre a importância da natureza e dos nossos povos indígenas para enfrentar as mudanças climáticas.
A partir do que a senhora viu em suas visitas a operações de mineração no Brasil, há semelhanças com a Austrália?
Esse tipo de mina que combina desenvolvimento sustentável e mineração em grande escala é algo que não conheço tão de perto na Austrália. Mas o que temos de muito semelhante são minas que operam em conjunto com as comunidades e com a liderança das municipalidades, muitas vezes em regiões do país que são bastante remotas e isoladas. Nesse sentido, temos muito em comum.
* Especial para o Radar Mineração
Dúvidas mais comuns
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Brasil e Austrália são dois gigantes globais em recursos minerais com desafios semelhantes em descarbonização e desenvolvimento sustentável. A parceria já se baseia na forte presença de cerca de 80 empresas australianas operando na cadeia de fornecimento brasileira, explorando em Minas Gerais, Bahia e Pará. O maior potencial reside na construção de uma cadeia de suprimentos de minerais críticos que seja resiliente, rastreável e com altos padrões socioambientais, aproveitando a experiência australiana em tecnologias de mineração de baixo impacto e hidrogênio verde.
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Existem aproximadamente 80 empresas australianas operando na cadeia de fornecimento de mineração brasileira. Exemplos destacados incluem a Orica, a maior empresa do mundo em explosivos com tecnologia avançada e segura, e a Worley, uma das maiores do mundo em engenharia, serviços e logística, que conta com uma equipe de mais de 900 pessoas na América Latina. Essas empresas não apenas exploram recursos, mas também apoiam o desenvolvimento do setor com engenharia, serviços e tecnologia australiana.
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A Austrália tem investido pesadamente em tecnologias para mineração de baixo impacto e na cadeia de hidrogênio verde. Essas experiências, combinadas com a atuação global de empresas australianas, representam ativos valiosos que podem ser compartilhados com o Brasil. A transferência de conhecimento é fundamental, especialmente através de profissionais brasileiros que se formaram ou trabalharam na Austrália e agora lideram operações locais.
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Ambos os países possuem enorme riqueza natural e profunda herança de povos originários. A Austrália está comprometida em integrar esses ativos em sua estratégia econômica e climática, alinhando-se com a estrutura de debates da COP30 no Brasil, que inclui círculos temáticos sobre povos indígenas, finanças e natureza. A Austrália planeja enviar seu embaixador para Povos Indígenas ao Brasil durante a COP30 para trocar experiências sobre a importância da natureza e dos povos indígenas no enfrentamento das mudanças climáticas.
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Ambos os países possuem minas que operam em conjunto com as comunidades e com a liderança das municipalidades, frequentemente em regiões remotas e isoladas. Embora o Brasil apresente um modelo único que combina desenvolvimento sustentável com mineração em grande escala, as duas nações compartilham a experiência de integrar operações minerais com o desenvolvimento local e o respeito às comunidades.
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A transferência de conhecimento é fundamental e ocorre principalmente através de profissionais brasileiros que se formaram ou trabalharam na Austrália e agora lideram empresas australianas no Brasil. Essas lideranças trazem não apenas experiências da Austrália, mas também conhecimento acumulado da atuação global dessas empresas, criando um fluxo contínuo de inovação e boas práticas no setor.
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A COP30 destaca a importância da biodiversidade e do conhecimento tradicional, criando uma oportunidade para Brasil e Austrália alinharem suas estratégias econômicas e climáticas. O evento em Brasília em outubro, organizado pela Austrália, reunirá o embaixador para Povos Indígenas do país com representantes brasileiros para trocar experiências sobre a integração da natureza e dos povos indígenas nas estratégias de desenvolvimento e enfrentamento das mudanças climáticas.

