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Sophie Davies
Sophie Davies (Divulgação/ Arte)

Aliança na mineração: “Brasil e Austrália têm muito em comum”, diz Sophie Davies

Embaixadora da Austrália no Brasil detalha o potencial para uma aliança estratégica com o país

Por Cinthia Saito * e Viviane Kulczynski *, 2 min de leitura

Publicado em 29/09/2025

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  • Brasil e Austrália compartilham desafios similares em descarbonização e desenvolvimento sustentável na mineração, com cerca de 80 empresas australianas operando na cadeia de suprimentos brasileira em Minas Gerais, Bahia e Pará.
  • A Austrália desenvolveu tecnologias avançadas em mineração de baixo impacto e hidrogênio verde, com empresas como Orica e Worley transferindo conhecimento técnico através de lideranças brasileiras formadas no país.
  • Ambos os países enfrentam desafios semelhantes na integração de povos indígenas e biodiversidade em estratégias econômicas, com oportunidade de troca de experiências durante a COP30 no Brasil em outubro.
Resumo revisado pela redação.

Brasil e Austrália são dois gigantes globais em recursos minerais, por vezes competidores, mas com desafios muito semelhantes em descarbonização e desenvolvimento sustentável. O Radar Mineração conversou com a embaixadora da Austrália no país, Sophie Davies, sobre o potencial para uma aliança estratégica, a troca de tecnologias e as lições compartilhadas na relação com os povos originários e a biodiversidade.

Onde a senhora enxerga o maior potencial para uma aliança estratégica entre Brasil e Austrália na construção de uma cadeia de suprimentos de minerais críticos que seja resiliente, rastreável e com altos padrões socioambientais?

A parceria já se baseia na forte presença de empresas australianas que estão operando aqui no Brasil. Temos cerca de 80 delas na cadeia de fornecimento, explorando em Minas Gerais, na Bahia e no Pará, e também apoiando o desenvolvimento do setor com engenharia, serviços e tecnologia australiana.

A Austrália tem investido pesadamente em tecnologias para mineração de baixo impacto e na cadeia de hidrogênio verde. Que lições aprendidas nesse processo poderiam ser compartilhadas com o Brasil para acelerar essa transição?

Acredito que a experiência australiana é muito útil, e temos muito a trocar. Sempre que converso com as empresas australianas aqui, vejo que são lideradas por brasileiros que se formaram ou trabalharam na Austrália. Essa transferência de conhecimento é fundamental. Temos, por exemplo, a Orica, a maior empresa do mundo em explosivos, que tem tecnologia muito avançada e segura. Outro exemplo é a Worley, uma das maiores do mundo em engenharia, serviços e logística, que conta com uma equipe de mais de 900 pessoas na América Latina. As experiências que elas trazem, não só da Austrália, mas de sua atuação global, são ativos que podemos compartilhar.

A COP30 no Brasil destaca a importância da biodiversidade e do conhecimento tradicional. Como a Austrália, que também possui uma enorme riqueza natural e uma profunda herança de povos originários, integra esses ativos em sua estratégia econômica e climática?

A forma como o Brasil estruturou os debates para a COP30, com círculos temáticos sobre povos indígenas, finanças e natureza, dialoga diretamente com os pontos de interesse da Austrália. Estamos esperando que nosso embaixador para Povos Indígenas venha ao Brasil para a COP30. Ele deve participar de um evento que estamos organizando em Brasília, em outubro, o que será uma ótima oportunidade para mostrar nosso compromisso e trocar experiências com o Brasil, que está exatamente na mesma linha sobre a importância da natureza e dos nossos povos indígenas para enfrentar as mudanças climáticas.

A partir do que a senhora viu em suas visitas a operações de mineração no Brasil, há semelhanças com a Austrália?

Esse tipo de mina que combina desenvolvimento sustentável e mineração em grande escala é algo que não conheço tão de perto na Austrália. Mas o que temos de muito semelhante são minas que operam em conjunto com as comunidades e com a liderança das municipalidades, muitas vezes em regiões do país que são bastante remotas e isoladas. Nesse sentido, temos muito em comum.

Especial para o Radar Mineração

Dúvidas mais comuns

Brasil e Austrália são dois gigantes globais em recursos minerais que compartilham desafios semelhantes em descarbonização e desenvolvimento sustentável. A parceria já é forte, com cerca de 80 empresas australianas operando na cadeia de fornecimento brasileira, explorando em Minas Gerais, Bahia e Pará. O maior potencial reside na construção de uma cadeia de suprimentos de minerais críticos que seja resiliente, rastreável e com altos padrões socioambientais, aproveitando a experiência australiana em tecnologias de mineração de baixo impacto e hidrogênio verde.

Existem aproximadamente 80 empresas australianas operando na cadeia de fornecimento de mineração brasileira. Exemplos destacados incluem a Orica, a maior empresa do mundo em explosivos com tecnologia avançada e segura, e a Worley, uma das maiores do mundo em engenharia, serviços e logística, que conta com uma equipe de mais de 900 pessoas na América Latina. Essas empresas não apenas exploram recursos, mas também apoiam o desenvolvimento do setor com engenharia, serviços e tecnologia australiana.

A Austrália tem investido pesadamente em tecnologias para mineração de baixo impacto e na cadeia de hidrogênio verde. Essas experiências, combinadas com a atuação global das empresas australianas, representam ativos valiosos que podem ser compartilhados com o Brasil. A transferência de conhecimento é facilitada pela presença de líderes brasileiros nas empresas australianas que se formaram ou trabalharam na Austrália, criando um fluxo contínuo de inovação e boas práticas.

Ambos os países reconhecem a importância dos povos indígenas e da biodiversidade para enfrentar mudanças climáticas e implementar estratégias econômicas sustentáveis. A Austrália enviará seu embaixador para Povos Indígenas ao Brasil durante a COP30 para participar de eventos e trocar experiências. Os dois países compartilham a visão de que a mineração deve operar em conjunto com as comunidades locais e a liderança das municipalidades, especialmente em regiões remotas e isoladas.

Ambos os países possuem minas que operam em conjunto com as comunidades e com a liderança das municipalidades, frequentemente em regiões remotas e isoladas. Essa abordagem colaborativa é um ponto de convergência importante entre os dois países. Enquanto o Brasil apresenta um modelo único que combina desenvolvimento sustentável com mineração em grande escala, a Austrália oferece experiências valiosas em governança comunitária e operações responsáveis em áreas remotas.

A transferência de conhecimento ocorre principalmente através de líderes brasileiros que se formaram ou trabalharam na Austrália e agora comandam empresas australianas no Brasil. Essas empresas trazem não apenas experiência australiana, mas também aprendizados de sua atuação global em engenharia, serviços, logística e tecnologias limpas. Esse fluxo contínuo de expertise é fundamental para acelerar a adoção de práticas sustentáveis e tecnologias de baixo impacto no setor de mineração brasileiro.

A COP30 destaca a importância da biodiversidade e do conhecimento tradicional, temas que dialogam diretamente com os interesses de ambos os países. O Brasil estruturou os debates com círculos temáticos sobre povos indígenas, finanças e natureza, alinhados com as prioridades da Austrália. A participação de representantes australianos, incluindo o embaixador para Povos Indígenas, em eventos durante a COP30 em outubro em Brasília, oferece uma oportunidade estratégica para aprofundar a cooperação e trocar experiências sobre integração de ativos naturais e herança indígena nas estratégias econômicas e climáticas.