Máquina na exploração de terras raras em uma área de mineração rodeada por colinas e céu parcialmente nublado.
Foto: Leszek Szelest / Shutterstock

Estratégia brasileira de terras raras dá seus primeiros passos

Com grandes reservas e baixa produção, país busca estruturar cadeia e reduzir dependência externa

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 17/03/2026

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Com a segunda maior reserva mundial de terras raras, o Brasil pode ter um papel importante nessa área e um dos primeiros passos para isso foi dado com o lançamento da Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), iniciativa do Ministério de Minas e Energia (MME).

A ideia da ENTR é transformar o potencial do país em projetos concretos, combinando a industrialização dos elementos de terras raras (ETR) com soberania nacional. Na prática, a estratégia prevê apoio à formulação de diretrizes, metas e instrumentos que orientem o desenvolvimento organizado da cadeia de terras raras no Brasil, em alinhamento com as políticas industrial, ambiental, de inovação e de transição energética.

O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) foi escolhido para liderar o consórcio que vai apoiar o MME no desenvolvimento da ENTR, projeto que tem financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além do Cebri, a consultoria Vallya e a BMA Advogados participam da iniciativa.

De acordo com o Cebri, apesar do potencial geológico, o Brasil ainda tem uma produção incipiente de terras raras. A demanda de aplicação interna em atividades de transição energética pode alcançar 12,8 mil toneladas até 2050, sendo que o país teria 21 milhões de toneladas em reservas e recursos estimados. Os dados indicam um potencial exportador relevante, desde que combinado com estratégias de industrialização e agregação de valor.

Brasil produz menos de 1% de terras raras no mundo

Mapa-múndi destacando o Brasil em destaque na América do Sul, com detalhes das fronteiras e principais regiões brasileiras, com foco em sua localização geográfica.
Foto: Daily_creativity / Shutterstock

Um dos produtos do consórcio que estuda o tema será um relatório técnico, que poderá ser usado pelo governo brasileiro na estratégia para conduzir o setor. O documento prevê o mapeamento da oferta, a avaliação da demanda e dos setores industriais e segmentos prioritários da cadeia de valor, além de orientações em sustentabilidade, propostas de governança e monitoramento e recomendações preliminares para a ENTR.

Para analistas do Bank of America (BofA), o Brasil concentra cerca de 23% das reservas mundiais de ETR estimadas, porém responde por menos de 1% da produção. E mais: nas reservas brasileiras destacam-se depósitos de argilas iônicas, com processamento mineral mais simples e barato e ambientalmente menos impactante do que as terras raras obtidas de rochas duras, comuns na Austrália e nos Estados Unidos.

O relatório do BofA também ressalta o peso da China nesse mercado, ao dominar a separação e refino de terras raras. Além de produzirem a maior parte da oferta global de óxidos, os chineses controlam a separação dos chamados elementos de terras raras pesados, sendo alguns deles os mais valiosos entre os 17 tipos de ETR. 

Dúvidas mais comuns

A Estratégia Nacional de Terras Raras é uma iniciativa do Ministério de Minas e Energia que busca transformar o potencial do Brasil em terras raras em projetos concretos. A ENTR combina a industrialização dos elementos de terras raras com soberania nacional, prevendo apoio à formulação de diretrizes, metas e instrumentos que orientem o desenvolvimento organizado da cadeia de terras raras no país, alinhado com políticas industrial, ambiental, de inovação e de transição energética.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, concentrando cerca de 23% das reservas mundiais estimadas. O país teria 21 milhões de toneladas em reservas e recursos estimados, com um potencial exportador relevante desde que combinado com estratégias de industrialização e agregação de valor.

Apesar de possuir a segunda maior reserva mundial, o Brasil ainda tem uma produção incipiente de terras raras, respondendo por menos de 1% da produção global. Isso ocorre porque o país não desenvolveu adequadamente sua cadeia de industrialização e processamento, diferentemente de países como China, Austrália e Estados Unidos que dominam a separação e refino desses elementos.

As reservas brasileiras destacam-se pelos depósitos de argilas iônicas, que possuem processamento mineral mais simples e barato e ambientalmente menos impactante do que as terras raras obtidas de rochas duras, comuns na Austrália e nos Estados Unidos. Essa característica oferece uma vantagem competitiva significativa para o Brasil no mercado global.

A demanda de aplicação interna em atividades de transição energética pode alcançar 12,8 mil toneladas até 2050. Essa projeção demonstra o potencial de mercado interno para terras raras, especialmente em setores relacionados à energia renovável e sustentabilidade.

A China domina significativamente o mercado global de terras raras, controlando a separação e refino desses elementos. Além de produzir a maior parte da oferta global de óxidos, os chineses controlam especialmente a separação dos elementos de terras raras pesados, sendo alguns deles os mais valiosos entre os 17 tipos de elementos de terras raras.

O relatório técnico que está sendo desenvolvido pelo consórcio liderado pelo Cebri inclui o mapeamento da oferta, avaliação da demanda e dos setores industriais, identificação de segmentos prioritários da cadeia de valor, orientações em sustentabilidade, propostas de governança e monitoramento, além de recomendações preliminares para a implementação da estratégia.

O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) foi escolhido para liderar o consórcio que apoia o Ministério de Minas e Energia no desenvolvimento da ENTR. O projeto conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e também envolve a participação da consultoria Vallya e da BMA Advogados.