Máquina na exploração de terras raras em uma área de mineração rodeada por colinas e céu parcialmente nublado.
Foto: Leszek Szelest / Shutterstock

Estratégia brasileira de terras raras dá seus primeiros passos

Com grandes reservas e baixa produção, país busca estruturar cadeia e reduzir dependência externa

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 17/03/2026 | Atualizado em 18/03/2026

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  • O Brasil lançou a Estratégia Nacional de Terras Raras para converter sua segunda maior reserva mundial em produção industrializada, atualmente responsável por menos de 1% da oferta global.
  • O país possui 23% das reservas mundiais de terras raras, incluindo depósitos de argilas iônicas com processamento mais simples e ambientalmente menos impactante que alternativas australianas e americanas.
  • A demanda interna brasileira por terras raras em transição energética pode atingir 12,8 mil toneladas até 2050, criando potencial exportador significativo se combinado com industrialização e agregação de valor.
Resumo revisado pela redação.

Com a segunda maior reserva mundial de terras raras, o Brasil pode ter um papel importante nessa área e um dos primeiros passos para isso foi dado com o lançamento da Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), iniciativa do Ministério de Minas e Energia (MME).

A ideia da ENTR é transformar o potencial do país em projetos concretos, combinando a industrialização dos elementos de terras raras (ETR) com soberania nacional. Na prática, a estratégia prevê apoio à formulação de diretrizes, metas e instrumentos que orientem o desenvolvimento organizado da cadeia de terras raras no Brasil, em alinhamento com as políticas industrial, ambiental, de inovação e de transição energética.

O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) foi escolhido para liderar o consórcio que vai apoiar o MME no desenvolvimento da ENTR, projeto que tem financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além do Cebri, a consultoria Vallya e a BMA Advogados participam da iniciativa.

De acordo com o Cebri, apesar do potencial geológico, o Brasil ainda tem uma produção incipiente de terras raras. A demanda de aplicação interna em atividades de transição energética pode alcançar 12,8 mil toneladas até 2050, sendo que o país teria 21 milhões de toneladas em reservas e recursos estimados. Os dados indicam um potencial exportador relevante, desde que combinado com estratégias de industrialização e agregação de valor.

Brasil produz menos de 1% de terras raras no mundo

Mapa-múndi destacando o Brasil em destaque na América do Sul, com detalhes das fronteiras e principais regiões brasileiras, com foco em sua localização geográfica.
Foto: Daily_creativity / Shutterstock

Um dos produtos do consórcio que estuda o tema será um relatório técnico, que poderá ser usado pelo governo brasileiro na estratégia para conduzir o setor. O documento prevê o mapeamento da oferta, a avaliação da demanda e dos setores industriais e segmentos prioritários da cadeia de valor, além de orientações em sustentabilidade, propostas de governança e monitoramento e recomendações preliminares para a ENTR.

Para analistas do Bank of America (BofA), o Brasil concentra cerca de 23% das reservas mundiais de ETR estimadas, porém responde por menos de 1% da produção. E mais: nas reservas brasileiras destacam-se depósitos de argilas iônicas, com processamento mineral mais simples e barato e ambientalmente menos impactante do que as terras raras obtidas de rochas duras, comuns na Austrália e nos Estados Unidos.

O relatório do BofA também ressalta o peso da China nesse mercado, ao dominar a separação e refino de terras raras. Além de produzirem a maior parte da oferta global de óxidos, os chineses controlam a separação dos chamados elementos de terras raras pesados, sendo alguns deles os mais valiosos entre os 17 tipos de ETR. 

Dúvidas mais comuns

A Estratégia Nacional de Terras Raras é uma iniciativa do Ministério de Minas e Energia que busca transformar o potencial geológico do Brasil em projetos concretos de industrialização de elementos de terras raras, combinando desenvolvimento econômico com soberania nacional. A estratégia prevê apoio à formulação de diretrizes, metas e instrumentos que orientem o desenvolvimento organizado da cadeia de terras raras, alinhada com políticas industrial, ambiental, de inovação e de transição energética.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, concentrando cerca de 23% das reservas mundiais estimadas. O país tem aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas e recursos estimados, com demanda interna em atividades de transição energética podendo alcançar 12,8 mil toneladas até 2050, indicando um potencial exportador relevante quando combinado com estratégias de industrialização.

Apesar de possuir a segunda maior reserva mundial, o Brasil ainda tem uma produção incipiente de terras raras. Isso ocorre porque o país não desenvolveu adequadamente a cadeia de industrialização e processamento desses elementos. A Estratégia Nacional busca justamente mudar esse cenário, transformando as reservas geológicas em produção efetiva através de investimentos em industrialização e agregação de valor.

As principais reservas de elementos de terras raras no Brasil estão associadas a rochas alcalinas-carbonatíticas em Araxá, Poços de Caldas e Tapira (MG), Catalão (GO), Jacupiranga e Itapiraçu (SP); a granitos como em Pitinga (AM); e a argilas iônicas em Minaçu (GO). As argilas iônicas brasileiras apresentam vantagem competitiva por terem processamento mineral mais simples, barato e ambientalmente menos impactante comparado às terras raras de rochas duras.

As argilas iônicas brasileiras possuem processamento mineral mais simples e barato, além de serem ambientalmente menos impactantes do que as terras raras obtidas de rochas duras, comuns na Austrália e nos Estados Unidos. Essa característica torna o Brasil potencialmente mais competitivo na produção sustentável de terras raras, especialmente considerando as crescentes demandas por práticas ambientais responsáveis.

A China domina a separação e refino de terras raras no mercado global, produzindo a maior parte da oferta mundial de óxidos e controlando especialmente a separação dos elementos de terras raras pesados, que são alguns dos mais valiosos entre os 17 tipos de elementos de terras raras. Essa dominância chinesa reforça a importância estratégica do Brasil desenvolver sua própria cadeia de industrialização.

O valor das terras raras varia significativamente conforme o tipo e o grau de processamento. Um quilograma de terra rara pode chegar ao mercado mundial com valores entre mil e cinco mil dólares, dependendo da especificidade do elemento e do nível de industrialização. Essa valorização demonstra o potencial econômico da cadeia de terras raras para o Brasil.

O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) foi escolhido para liderar o consórcio que apoia o Ministério de Minas e Energia no desenvolvimento da ENTR, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A iniciativa também conta com a participação da consultoria Vallya e da BMA Advogados, e resultará em um relatório técnico que mapeará oferta, demanda, setores prioritários e recomendações para a estratégia.