Uma miniatura representando o planeta terra na mão de uma pessoa, com árvores e ícones de CO2, simbolizando soluções de desenvolvimento sustentável e descarbonização no Brasil.
Foto: Dilok Klaisataporn/ Shutterstock

Relatório destaca soluções para descarbonização no Brasil em setores-chave

Estudo mapeia exemplos brasileiros com potencial de escala em agricultura, florestas, energia e indústria

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 30/09/2025

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O Brasil reúne casos concretos de desenvolvimento sustentável, mas muitos ainda têm pouca visibilidade. Para melhorar esse cenário, os institutos Arapyaú e Itaúsa lançaram o relatório Soluções em Clima e Natureza do Brasil, uma compilação de exemplos reais com impacto nos principais setores emissores de gases de efeito estufa: agricultura e pecuária, florestas, energia e economia circular.

O documento reúne iniciativas que têm em comum potencial de escala e indicam caminhos para criar uma economia regenerativa e de baixo carbono.

Segundo os organizadores, o material foi elaborado a partir de entrevistas com 66 especialistas, complementadas por uma análise detalhada de dados e por uma pesquisa secundária. As ações foram classificadas em três níveis – maduras, em ascensão e promissoras – e mostram um roteiro consistente de desenvolvimento sustentável.

Abaixo, confira algumas das ações nas quatro áreas analisadas:

Mãos segurando sementes de uma planta, simbolizando o início de um desenvolvimento sustentável no Brasil, em destaque no relatório sobre descarbonização setor por setor.
Foto: Piyaset/ Shutterstock

Agricultura: O plantio direto, técnica consolidada no país que protege o solo e reduz as emissões ao evitar a aragem, é um dos destaques. Também se destacam os bioinsumos, que substituem fertilizantes e defensivos químicos, e práticas de agropecuária regenerativa, capazes de restaurar ecossistemas enquanto mantêm alta produtividade. Algumas dessas técnicas já vêm demonstrando resultados não apenas na redução de emissões, mas também na melhoria da qualidade do solo e da resiliência das lavouras às mudanças climáticas.

Imagem aérea de uma vasta floresta amazônica, destacando a importância do desenvolvimento sustentável na preservação do ecossistema.
Foto: Tarcisio Schnaider/ Shutterstock

Florestas: Os exemplos de restauração ecológica que unem conservação, geração de renda e cumprimento da legislação ambiental estão na lista. Entre eles, o Programa Arpa (Áreas Protegidas da Amazônia), maior iniciativa de conservação de florestas tropicais do planeta. Outro destaque é o papel do Código Florestal e os mecanismos de regularização ambiental, que podem impulsionar a recuperação de áreas degradadas e gerar valor para o território, ao mesmo tempo em que ampliam a segurança jurídica para investidores.

Painel solar fotovoltaico em instalação durante pôr do sol com turbinas eólicas ao fundo, símbolo de energia renovável e sustentável
Foto: Miha Creative/ Shutterstock

Energia: O mercado amadurecido de biocombustível é um dos temas levantados pelo relatório, incluindo a cadeia do etanol, onde o Brasil mostra versatilidade e menor dependência da cana, uma vez que se começa a produzir o combustível também a partir do milho. A expansão das fontes renováveis, especialmente a solar e a eólica, está na lista de iniciativas maduras, com aplicações reais. Outro exemplo emblemático é o investimento no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF), entre eles o que está sendo feito a partir da macaúba, planta nativa brasileira com alto poder energético.

Imagem de blocos de madeira com símbolos relacionados à economia circular, incluindo uma pessoa, a Terra, uma engrenagem, e uma folha, representando sustentabilidade e reciclagem.
Foto: 3rdtimeluckystudio/ Shutterstock

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Economia circular: Ainda em fase inicial no Brasil, o relatório aponta caminhos promissores. Cerca de 85% das indústrias já adotam alguma prática de reuso, reciclagem ou logística reversa. Ao mesmo tempo, cresce o interesse pelo uso de biomateriais no ciclo produtivo. Com o lançamento iminente da Política Nacional de Economia Circular, a expectativa é de que essas práticas se consolidem como padrão em todo o setor industrial.

Dúvidas mais comuns

O Brasil é o quinto maior emissor global de gases de efeito estufa, com as mudanças de uso da terra impulsionadas pelo desmatamento sendo a principal fonte de emissões, seguidas pela agropecuária, indústria, energia, transporte de carga, mobilidade urbana e resíduos. O relatório Soluções em Clima e Natureza do Brasil apresenta iniciativas concretas em agricultura, florestas, energia e economia circular que demonstram caminhos viáveis para reduzir essas emissões e criar uma economia regenerativa e de baixo carbono.

Na agricultura, destacam-se o plantio direto, que protege o solo e reduz emissões ao evitar a aragem, os bioinsumos que substituem fertilizantes e defensivos químicos, e as práticas de agropecuária regenerativa. Essas técnicas não apenas reduzem emissões, mas também melhoram a qualidade do solo e aumentam a resiliência das lavouras às mudanças climáticas, mantendo alta produtividade.

O Brasil possui iniciativas de restauração ecológica que unem conservação, geração de renda e cumprimento da legislação ambiental. Exemplos incluem o Programa Arpa (Áreas Protegidas da Amazônia), a maior iniciativa de conservação de florestas tropicais do planeta, e os mecanismos do Código Florestal que impulsionam a recuperação de áreas degradadas enquanto geram valor para o território e ampliam a segurança jurídica para investidores.

O relatório destaca o mercado amadurecido de biocombustível, incluindo a cadeia do etanol com produção diversificada a partir de cana e milho, e a expansão das fontes renováveis como solar e eólica. Também menciona o investimento em combustíveis sustentáveis para aviação (SAF), incluindo o desenvolvimento a partir da macaúba, planta nativa brasileira com alto poder energético.

A economia circular ainda está em fase inicial no Brasil, mas apresenta caminhos promissores. Cerca de 85% das indústrias já adotam alguma prática de reuso, reciclagem ou logística reversa, e cresce o interesse pelo uso de biomateriais no ciclo produtivo. Com o lançamento iminente da Política Nacional de Economia Circular, espera-se que essas práticas se consolidem como padrão em todo o setor industrial.

O relatório, lançado pelos institutos Arapyaú e Itaúsa, compila exemplos reais de desenvolvimento sustentável com impacto nos principais setores emissores de gases de efeito estufa. Elaborado a partir de entrevistas com 66 especialistas e análise detalhada de dados, o documento classifica as ações em três níveis – maduras, em ascensão e promissoras – e apresenta um roteiro consistente para criar uma economia regenerativa e de baixo carbono.

Os principais desafios incluem a necessidade de políticas públicas mais eficazes, maior envolvimento do setor privado e a conscientização da sociedade sobre a importância da preservação ambiental. Embora o Brasil possua casos concretos de desenvolvimento sustentável, muitos ainda têm pouca visibilidade, o que reforça a importância de iniciativas como o relatório que compilam e divulgam essas soluções reais.

Enquanto o Brasil é o quinto maior emissor global de gases de efeito estufa, o país também demonstra liderança em soluções sustentáveis. Quase 50 países já têm planos de descarbonização, e o Brasil se destaca por apresentar soluções maduras e escaláveis em setores-chave como energia renovável, biocombustíveis e conservação florestal, posicionando-se como referência em desenvolvimento sustentável.