Um trabalhador vestindo um colete de alta visibilidade e um capacete laranja está em frente a um grande caminhão basculante amarelo em uma mina, supervisionando as operações que são fortemente influenciadas pelas recentes taxas comerciais.
Matérias-primas e insumos considerados relevantes para a economia dos EUA, como vários minérios, ficaram de fora das taxações (Foto: Parilov/ Shutterstock)

EUA confirmam taxações comerciais, mas preservam matérias-primas como minérios

Sobretaxa de 25% atinge parte relevante das exportações brasileiras a partir de 22 de julho; minerais estão entre as exceções  

Por Redação (com informações do Estadão Conteúdo), 3 min de leitura

Publicado em 16/07/2026

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O governo americano confirmou a aplicação da sobretaxa de 25% sobre uma parcela significativa das importações provenientes do Brasil. Em contrapartida, ele ampliou a lista de produtos isentos, preservando matérias-primas e insumos considerados relevantes para a economia dos EUA.

A decisão, publicada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor em 22 de julho e integra a investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Segundo o órgão, parte dos produtos foi excluída da tarifa porque não pode ser produzida em quantidade suficiente nos Estados Unidos ou porque sua taxação poderia provocar desabastecimento e elevar custos para cadeias industriais americanas. Em outros casos, o USTR avaliou que a sobretaxa não contribuiria para atingir os objetivos da investigação comercial.

Matérias-primas recebem tratamento diferenciado

Minério de urânio em mina
Minério de urânio em mina (Foto: RHJPhtotos/ Shutterstock)

A lista de exceções foi ampliada em relação à divulgada no início da investigação. Além da carne bovina, café, laranja e suco de laranja, permanecem fora da sobretaxa itens como:

• minerais estratégicos, como tungstênio, urânio, tório, molibdênio, titânio, nióbio, tântalo, vanádio, prata e antimônio;

• ferroníquel;

• ferronióbio;

• metais e compostos de terras raras;

• óxido e hidróxido de lítio;

• carbonato de lítio;

• óxido de nióbio;

• hidróxido de alumínio;

• sucata de ferro e aço;

• mel orgânico;

• produtos do mar;

• couros;

• determinados produtos de madeira;

• medicamentos;

• insumos farmacêuticos.

A nova decisão do USTR reforça uma característica observada em disputas comerciais recentes: matérias-primas e insumos considerados críticos para cadeias produtivas costumam receber tratamento diferenciado quando sua restrição pode comprometer a competitividade da própria indústria americana.

Por outro lado, pedidos de exclusão apresentados para segmentos como vestuário, calçados, máquinas agrícolas e máquinas industriais foram rejeitados pelo governo dos Estados Unidos.

Comércio bilateral

Embora a ampliação das exceções reduza parte dos impactos para setores específicos, entidades empresariais avaliam que o novo pacote tarifário tende a restringir o comércio bilateral.

Na avaliação da Amcham Brasil, a medida coloca o país entre os mercados com condições mais restritivas para acesso ao mercado americano e pode afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio.

A entidade destaca que o cenário contrasta com a própria relação comercial entre os dois países: em 2025, os Estados Unidos registraram superávit de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços nas trocas com o Brasil, enquanto as tarifas brasileiras aplicadas aos produtos americanos permanecem relativamente baixas.

Ainda segundo a Amcham Brasil, a medida pode gerar efeitos para a indústria americana. A entidade avalia que a sobretaxa eleva os custos de empresas que utilizam insumos brasileiros, reduz sua competitividade e aumenta a dependência de fornecedores asiáticos.

Mercado acompanha efeitos econômicos

A expectativa em torno da oficialização das tarifas também influenciou o mercado financeiro brasileiro.

O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,36%, destoando do desempenho positivo das bolsas americanas. Analistas apontaram que a cautela em relação às novas tarifas contribuiu para aumentar a volatilidade ao longo da sessão, somando-se a fatores internos, como discussões fiscais e o vencimento de opções sobre o índice.

Apesar disso, ações ligadas às commodities reduziram parte das perdas no fim do dia, acompanhando a recuperação dos preços do petróleo e a valorização do minério de ferro.

Diálogo permanece como principal caminho

Embora considere positiva a ampliação da lista de produtos isentos, a Amcham Brasil defende que as negociações entre os dois países continuem.

A entidade avalia que mecanismos permanentes para revisão das exceções poderiam reduzir impactos sobre cadeias produtivas em ambos os mercados e preservar oportunidades de cooperação em áreas como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.

Com a entrada em vigor das novas tarifas prevista para 22 de julho, o foco do setor produtivo passa a ser a evolução das negociações bilaterais e a possibilidade de novas revisões na lista de produtos contemplados pelas isenções.