Jornada de evolução cultural: como propósito e disciplina geram resultados
Líderes e equipes da Vale transformam a forma de operar, com foco em pessoas, segurança e melhoria contínua
Carlos H. Medeiros
em 15 de outubro, 2025
Vice-Presidente de Operações da Vale
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Jornada de evolução cultural: como propósito e disciplina geram resultados
15 de outubro de 2025
A Vale iniciou transformação cultural profunda focada em segurança psicológica, propósito compartilhado e liderança humilde, reconhecendo que o sucesso operacional depende de como as equipes conduzem as operações.
O Centro de Troca e Manutenção de Rodeiros implementou o Vale Production System com princípios do Modelo Shingo, gerando zero acidentes registráveis, redução de 75% no tempo de espera e aumento de 60% na capacidade mensal de trocas.
A evolução cultural na mineração reposiciona métricas de desempenho tradicionais para incluir indicadores comportamentais, transformando liderança em função de criar ambientes psicologicamente seguros e remover barreiras operacionais.
Resumo revisado pela redação.
Em uma organização do porte da Vale, presente em 19 países e com milhares de colaboradores, a principal reflexão dos líderes não se limita ao que produzimos, mas sim à forma como conduzimos nossas operações. O verdadeiro sucesso não se mede apenas pelo volume movimentado, mas pela solidez da nossa cultura.
Recentemente, iniciamos uma profunda transformação cultural, reconhecendo com transparência a necessidade de mudança. Enfrentamos obstáculos como processos excessivamente rígidos, uma cultura hierárquica e, sobretudo, a ausência de um ambiente que garantisse plena segurança psicológica para que as equipes pudessem atuar com excelência e segurança.
Compreendemos que essa evolução não seria resultado de uma simples comunicação formal. Ela precisaria ser construída diariamente, em cada mina, usina, ferrovia e porto. O VPS (Vale Production System) é o motor dessa mudança, guiado por uma filosofia clara: existimos para melhorar vidas e transformar o futuro, juntos.
Para aproximar nosso propósito da rotina, buscamos inspiração no Modelo Shingo, que valoriza princípios como “Respeitar Cada Indivíduo”, “Liderar com Humildade” e “Criar Constância de Propósito”. Como ensina Edgar Schein, “se você não gerencia a cultura, ela te gerencia”. Por isso, optamos por gerir nossa cultura com disciplina, foco e valorização das pessoas.
Um exemplo prático dessa transformação é o Centro de Troca e Manutenção de Rodeiros (CTMR), na Estrada de Ferro Carajás. Ali, a equipe não só adotou novas ferramentas, mas também incorporou comportamentos inovadores. A resolução de problemas passou a ser parte do cotidiano, e a liderança tornou-se mais presente no campo (gemba), ouvindo, removendo barreiras e capacitando os times. O sucesso passou a ser medido não apenas por indicadores de desempenho (KPIs), mas também por indicadores de comportamento (KBIs).
Foto: Vale
Os resultados vieram naturalmente: no CTMR, atingimos zero acidentes registráveis (N1 e N2), reduzimos em 75% o tempo de espera dos trens, alcançamos 83% de favorabilidade no Insight Shingo e aumentamos a capacidade de trocas de rodeiros de 2.500 para 4.000 por mês, além de reduzir o custo médio por rodeiro em 27%.
O reconhecimento com a Medalha de Prata do Shingo Institute, o primeiro desse nível na Vale, é motivo de orgulho, mas representa apenas a confirmação de que estamos no caminho certo. Esse mérito pertence a todos que se dedicaram à causa.
Essa trajetória reforça que o papel da liderança é criar ambientes psicologicamente seguros, onde as pessoas possam apontar falhas, sugerir melhorias e se sentir protagonistas dos processos. Liderar é estar presente, ser flexível e atuar como coach e educador.
A evolução cultural é um compromisso permanente com a melhoria, a segurança e as pessoas. É a base sobre a qual construímos o futuro da mineração, e seguiremos juntos nessa jornada.
Dúvidas mais comuns
Transformação cultural é a mudança profunda nos valores, comportamentos e práticas de uma organização. Vai além de comunicações formais e deve ser construída diariamente em todas as operações. Envolve reconhecer transparentemente a necessidade de mudança, eliminar processos rígidos e hierarquias excessivas, e criar ambientes psicologicamente seguros onde as equipes possam atuar com excelência e segurança.
A liderança é responsável por criar ambientes psicologicamente seguros, estar presente no campo (gemba), ouvir as equipes, remover barreiras e capacitar os times. Liderar com humildade, flexibilidade e atuando como coach e educador são fundamentais. A média gerência deve impulsionar a mudança cultural, mas isso só ocorre quando reconhece o exemplo da alta liderança, iniciando transformações simbólicas que depois se propagam pela organização.
O VPS é o motor da mudança cultural na Vale, guiado pela filosofia de melhorar vidas e transformar o futuro juntos. Ele se inspira no Modelo Shingo, que valoriza princípios como 'Respeitar Cada Indivíduo', 'Liderar com Humildade' e 'Criar Constância de Propósito'. O VPS aproxima o propósito da rotina diária, tornando a melhoria contínua e a resolução de problemas parte do cotidiano operacional.
O sucesso não se mede apenas por indicadores de desempenho (KPIs), mas também por indicadores de comportamento (KBIs). No exemplo do Centro de Treinamento de Rodeiros, os resultados incluíram zero acidentes registráveis, redução de 75% no tempo de espera, 83% de favorabilidade no Insight Shingo, aumento de capacidade de 2.500 para 4.000 trocas mensais e redução de 27% no custo por rodeiro.
Segurança psicológica é criada quando as pessoas se sentem à vontade para apontar falhas, sugerir melhorias e se sentir protagonistas dos processos. Isso requer liderança presente e flexível, remoção de barreiras, capacitação contínua e valorização das pessoas. Um ambiente psicologicamente seguro permite que as equipes atuem com confiança, inovem e contribuam ativamente para a melhoria contínua.
Disciplina e propósito são fundamentais para garantir que a transformação cultural seja um compromisso permanente. Como afirma Edgar Schein, 'se você não gerencia a cultura, ela te gerencia'. A Vale optou por gerir sua cultura com disciplina, foco e valorização das pessoas, reconhecendo que a evolução é construída diariamente e não resulta de comunicações formais isoladas.
A melhoria contínua deve ser incorporada aos comportamentos e rotinas diárias de todos os colaboradores. No CTMR, a resolução de problemas passou a ser parte do cotidiano, com liderança presente no gemba (local de trabalho real), ouvindo e capacitando os times. Isso transforma a melhoria de um programa isolado em um valor cultural que permeia toda a operação.
Reconhecimentos como a Medalha de Prata do Shingo Institute confirmam que a organização está no caminho certo e validam os esforços de transformação cultural. No entanto, representam apenas a confirmação de progresso, não o fim da jornada. O verdadeiro mérito pertence a todos que se dedicaram à causa, reforçando que a evolução cultural é um compromisso permanente com melhoria, segurança e valorização das pessoas.
Carlos H. MedeirosVice-Presidente de Operações da Vale
É graduado em Engenharia Mecânica-Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com pós-graduação em Marketing pela ESPM e especializações executivas na Universidade de Stanford (Senior Executive Program – SEP) e na Universidade de Cranfield (Manufatura). É especialista em lean manufacturing, metodologia voltada à excelência operacional por meio da melhoria contínua de processos, aumento da produtividade, qualidade e competitividade. Conduz as operações da Vale com foco em segurança, eficiência e alto desempenho.