Ilustração de mineração circular no Brasil, destacando etapas de extração, transporte e reciclagem, promovendo sustentabilidade e eficiência na mineração.
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Exemplos de mineração circular no Brasil

Empresas mostram como resíduos e coprodutos da mineração e da indústria podem ser reinseridos em novas cadeias produtivas

Por Rose Guidoni, 3 min de leitura

Publicado em 10/03/2026 | Atualizado em 09/03/2026

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  • Empresas brasileiras de mineração implementam processos de economia circular recuperando resíduos e coprodutos para reinserção em cadeias produtivas, como areia de fundição, sucata metálica e componentes eletrônicos.
  • A Tupy recupera 4 mil toneladas mensais de areia de moldes de fundição, a Lunding Mining transforma coproduto de cobre em fertilizante, e a Ambipar processa 80 mil toneladas anuais de resíduos eletrônicos em sua planta de mineração urbana.
  • A circularidade na mineração reduz dependência de materiais escassos, cria novos mercados para resíduos industriais e amplia a sustentabilidade das cadeias produtivas de metais estratégicos e componentes críticos.
Resumo revisado pela redação.

Circularidade não significa somente criar novas rotas, mas, sim, pensar em novos processos de produção, mais eficientes e com potencial de menor geração de resíduos. Nesse sentido, a curadoria do Radar Mineração separou algumas iniciativas bem-sucedidas no país recentemente. Acompanhe:

Tupy regenera sucata metálica para fortalecer economia circular

Tupy investe em pesquisa e inovação para garantir a circularidade de materiais
Tupy investe em pesquisa e inovação para garantir a circularidade de materiais. (Foto: Tupy/ Divulgação)

A Tupy, uma empresa de metalurgia, estabeleceu processos para recuperação de sucata metálica, com projetos de mineração urbana. Ela também desenvolveu um processo de recuperação da areia utilizada nos moldes de fundição de peças metálicas. Explicando: a Tupy utiliza o processo de fundição em areia (sand casting) para fabricar blocos de motor, cabeçotes e outras peças de motores. Nesse caso, são criados moldes descartáveis feitos de areia e resina, capazes de suportar temperaturas altíssimas (acima de 1500ºC). Agora, a areia dessas peças é reciclada, para formação de novos moldes. Com isso, a companhia passou a recuperar mais de 4 mil toneladas de areia por mês.

Reconhecida como um dos destaques regionais no Prêmio Finep de Inovação 2025 na categoria Infraestrutura, Saneamento, Moradia e Mobilidade Sustentáveis, com o projeto “Protótipo de tanque de hidreto metálico para armazenamento veicular de hidrogênio em estado sólido”, a empresa também submeteu à financiadora o “Projeto de reciclagem de baterias com recuperação de metais estratégicos”, voltado à valorização e reaproveitamento de materiais críticos – como lítio, níquel, cobalto e manganês – a partir de resíduos industriais e automotivos. O objetivo é fortalecer a economia circular e reduzir a dependência de materiais escassos, contribuindo para a sustentabilidade da cadeia produtiva.

Lunding Mining Brasil: coproduto do cobre vira fertilizante

A empresa, localizada em Alto Horizonte, no Norte de Goiás, se destaca na produção de cobre, mineral crítico estratégico. A partir do processo de beneficiamento do metal, é gerado um coproduto que pode ser utilizado como fertilizante remineralizado pela agroindústria. 

Por meio do investimento em pesquisas e inovação, a empresa descobriu que os resíduos de sua atividade principal são valiosos para o setor agropecuário e, com isso, criou um novo mercado, que absorve o que antes seria considerado resíduo.

Com mineração urbana, Energy Source é a principal produtora de cobalto no Brasil

Em um projeto focado especialmente em mineração urbana, a empresa, localizada no interior de São Paulo, é a principal produtora de cobalto no Brasil – lembrando que o país não produz cobalto primário. 

Ou seja, a Energy Source produz cobalto a partir de fonte secundária, por meio da extração do mineral de eletroeletrônicos e baterias de lítio. Além do cobalto, a empresa recupera lítio, níquel, grafite, cobre e alumínio, componentes essenciais para novas baterias.

Ambipar expandiu capacidade de processamento de resíduos eletrônicos

Maquinário industrial da Ambipar em operação, promovendo soluções sustentáveis de gerenciamento de resíduos na fábrica.
Foto: Divulgação / Ambipar

Em 2024, a multinacional brasileira Ambipar inaugurou, em São José dos Campos, interior de São Paulo, a maior planta de mineração urbana da América Latina voltada à manufatura reversa de equipamentos eletrônicos. Com um investimento de R$ 100 milhões, a planta expandiu sua capacidade anual de processamento de 30 mil para 80 mil toneladas.

Além de equipamentos como smartphones e notebooks, a Ambipar passou a tratar também itens de grande porte, como máquinas de lavar, fogões e microondas, convertendo materiais descartados em insumos reutilizáveis. 

A planta industrial da empresa inclui sistemas de separação por infravermelho, raio-X e inteligência artificial, com 85% das operações automatizadas. Materiais como plástico, ferro, alumínio, cobre, latão e placas eletrônicas são separados e reinseridos no mercado.

Dúvidas mais comuns

Mineração circular é um conceito que vai além de criar novas rotas de produção, envolvendo a reimaginação de processos produtivos mais eficientes com potencial de menor geração de resíduos. Trata-se de reinserir resíduos e coprodutos da mineração e da indústria em novas cadeias produtivas, criando valor a partir do que seria descartado.

A Tupy estabeleceu processos de recuperação de sucata metálica através de projetos de mineração urbana e desenvolveu um sistema inovador de reciclagem de areia utilizada em moldes de fundição. A empresa recupera mais de 4 mil toneladas de areia por mês, que é reutilizada na formação de novos moldes, reduzindo significativamente a geração de resíduos.

A Lunding Mining Brasil, localizada em Alto Horizonte no Norte de Goiás, transforma o coproduto gerado no beneficiamento do cobre em fertilizante remineralizado. Através de pesquisa e inovação, a empresa descobriu que seus resíduos são valiosos para o setor agropecuário, criando um novo mercado que absorve o que antes seria considerado resíduo.

A Energy Source é a principal produtora de cobalto no Brasil através de mineração urbana, extraindo o mineral de eletroeletrônicos e baterias de lítio. Como o Brasil não produz cobalto primário, a empresa utiliza fonte secundária, recuperando também lítio, níquel, grafite, cobre e alumínio para a fabricação de novas baterias.

A Ambipar inaugurou em 2024 a maior planta de mineração urbana da América Latina em São José dos Campos, com investimento de R$ 100 milhões. A planta expandiu sua capacidade anual de processamento de 30 mil para 80 mil toneladas, tratando desde smartphones e notebooks até equipamentos de grande porte como máquinas de lavar e fogões.

A planta da Ambipar utiliza sistemas avançados de separação por infravermelho, raio-X e inteligência artificial, com 85% das operações automatizadas. Esses sistemas permitem a separação eficiente de materiais como plástico, ferro, alumínio, cobre, latão e placas eletrônicas, que são reinseridos no mercado como insumos reutilizáveis.

A mineração urbana reduz a dependência de materiais escassos e críticos, como lítio, níquel, cobalto e manganês, ao recuperá-los de resíduos industriais e automotivos. Além de fortalecer a economia circular, essa prática contribui para a sustentabilidade da cadeia produtiva ao transformar eletroeletrônicos e baterias descartadas em fontes valiosas de matérias-primas.

A reciclagem de baterias recupera metais estratégicos como lítio, níquel, cobalto e manganês a partir de resíduos industriais e automotivos, reintroduzindo-os em novas cadeias produtivas. Esse processo reduz a necessidade de mineração primária, diminui a geração de resíduos e fortalece a sustentabilidade da indústria de energia renovável e mobilidade elétrica.