Presidente da Vale, Gustavo Pimenta, durante a Exposibram 2026
Gustavo Pimenta, presidente da Vale (Foto: IBRAM via Flickr)

“A mineração pode ser o grande vetor de transformação do Brasil”, afirma presidente da Vale 

Na abertura do segundo dia da Exposibram 2026, Gustavo Pimenta apresenta propostas para destravar o potencial mineral do país e defende que o setor pode dobrar a arrecadação e criar 2 milhões de empregos na próxima década

Por Viviane Kulczynski*, 3 min de leitura

Publicado em 25/08/2026

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BELO HORIZONTE – Na abertura do segundo dia da Exposibram 2026, nesta terça-feira (25/08), o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, defendeu que a mineração tem o potencial de ser “o grande vetor de transformação do país”. Durante o evento, o executivo apresentou um estudo encomendado pela mineradora à consultoria Accenture, que detalha quatro agendas prioritárias para o Brasil destravar sua vasta — e ainda subaproveitada — riqueza mineral.

Na edição do ano passado, em Salvador (BA), Pimenta concentrou seu discurso nos desafios internos da empresa. Desta vez o foco foi sistêmico:

Um homem de terno escuro e óculos fala no palco com um microfone de fone de ouvido, segurando um pequeno aparelho. Ao fundo, há uma grande tela azul com uma imagem desfocada e texto.

Nosso olhar é sobre como a gente pode, como país, destravar todo esse potencial minerário.”

O paradoxo brasileiro: imenso potencial x produção tímida

O presidente da Vale destacou que o Brasil abriga uma verdadeira “tabela periódica em seu território”, com reservas abundantes de minerais críticos para a transição energética, a eletrificação e a digitalização global. No entanto, apesar desse enorme endowment (dotação natural), o país vem perdendo espaço no cenário mundial.

Pimenta ilustrou o cenário com dados comparativos contundentes. Em 2010, o Brasil produzia cerca de 380 milhões de toneladas de minério de ferro, volume muito próximo aos 400 milhões da Austrália. Hoje, enquanto a produção brasileira estagnou nesse patamar, a australiana saltou para 1 bilhão de toneladas. O mesmo padrão de letargia se repete em commodities estratégicas como níquel e cobre.

Como reflexo direto desse desempenho, o Brasil caiu da 4ª para a 7ª posição no ranking global de valor da produção mineral entre 2014 e 2023.

As quatro agendas para o futuro

Para reverter essa trajetória, o estudo — fruto de um ano de benchmarking internacional — propõe 15 iniciativas estratégicas divididas em quatro eixos. O material servirá como base para as discussões lideradas pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e será apresentado aos candidatos à Presidência da República.

As quatro frentes de atuação são:

  • Acelerar o licenciamento e o conhecimento geológico: Considerada a pauta mais crítica, foca em reduzir o tempo de desenvolvimento de projetos, que hoje chega a 15 anos. Pimenta criticou a atual morosidade e defendeu o aporte de mais recursos para os órgãos ambientais, o avanço de regulações paralisadas (como o decreto de cavidades, em debate há duas décadas) e a criação de forças-tarefa para grandes empreendimentos. “Faz 10 anos que a gente não faz um grande projeto no país, desde o S11D”, alertou.
  • Desenvolver uma cadeia integrada de valor: O objetivo é verticalizar a produção e agregar valor localmente, o que exige infraestrutura e insumos competitivos. “A gente adoraria lançar a pauta de aço verde no Brasil, mas com o gás a 14 dólares por milhão de BTU não vai sair”, exemplificou. Segundo ele, para viabilizar a pauta, o preço do insumo precisaria cair para a faixa de cinco a seis dólares.
  • Garantir um ambiente de negócios seguro e estável: A previsibilidade das regras fiscais e regulatórias é essencial para atrair os investimentos de longo prazo exigidos pela mineração. Pimenta lembrou que há uma competição global acirrada: “Existe uma grande disputa entre os países que têm algum endowment mineral para atrair esses recursos”.
  • Ampliar o valor compartilhado com a sociedade: Reconhecendo os desafios reputacionais do setor, o executivo cobrou uma mineração que deixe legados positivos nos territórios. Ele usou como exemplo a Floresta Nacional de Carajás, onde uma parceria entre a Vale e o ICMBio protege um milhão de hectares contra o desmatamento e o garimpo ilegal. “A mineração legal mantém a floresta em pé”, ressaltou.

Impacto potencial: mais empregos e o dobro de arrecadação

O levantamento conclui que, se o Brasil apenas alinhar sua produção à fatia que detém nas reservas globais, o impacto econômico será transformador. Na última década, o setor gerou R$ 74 bilhões em tributos. Com o destravamento, esse montante pode mais que dobrar, alcançando R$ 173 bilhões nos próximos dez anos.

O salto no mercado de trabalho seria igualmente expressivo. A cadeia da mineração, que hoje emprega 3 milhões de pessoas direta e indiretamente, passaria a sustentar 5 milhões de vagas.

“Esse setor pode ser a solução para o crescimento do PIB potencial do país”, arrematou Gustavo Pimenta, reforçando que o momento exige “urgência e diligência” para que o Brasil não perca a chance de protagonizar a oferta global de minerais críticos.

A íntegra da proposta está em https://vale.com/documents/d/guest/destravando-mineracao

* Especial para o Radar Mineração