O relatório Reflexões após o forte desempenho do setor de commodities metálicas, elaborado pelo BTG Pactual Equity Research, analisa a recente valorização do minério de ferro e do aço e conclui que os movimentos de alta observados desde junho têm natureza essencialmente conjuntural. Segundo relatório de Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Bruno Henriques, o rali dos preços foi impulsionado mais por fluxos especulativos e fechamento de posições vendidas. “Embora reconheçamos os possíveis impactos de curto prazo das manchetes recentes sobre o setor, ainda não temos convicção em uma recuperação significativa ou sustentada, já que os fundamentos gerais continuam fracos”, concluem os analistas
O estudo destaca que o anúncio do governo chinês sobre a construção de uma megahidrelétrica no planalto tibetano — com investimento estimado em US$ 170 bilhões — gerou expectativa de estímulo econômico e consumo adicional de aço. No entanto, o impacto projetado seria marginal. A demanda incremental associada ao empreendimento deve representar menos de 0,5% da produção anual de aço bruto da China. Para o BTG, o projeto tem valor simbólico e potencial limitado para alterar o quadro estrutural de excesso de capacidade no setor siderúrgico chinês, estimado entre 200 e 300 milhões de toneladas.
A análise ressalta que os preços do minério, negociados acima de US$ 104 por tonelada, resistem às tendências de desaceleração industrial, mas sem sustentação em fundamentos de longo prazo. O banco observa que anúncios recorrentes de corte de cerca de 50 milhões de toneladas na capacidade produtiva na China raramente se concretizam e que os estímulos econômicos recentes devem priorizar o consumo doméstico das famílias, e não os investimentos em infraestrutura.

Além disso, a produção de aço chinesa caiu 9% em junho, enquanto novas ofertas devem entrar no mercado com a entrada em operação do projeto Simandou, na Guiné, até novembro de 2025. Esses fatores reforçam o diagnóstico de que o balanço global de oferta e demanda segue pressionado pelo lado da produção.
Perspectivas e recomendações
O BTG Pactual mantém postura cautelosa em relação ao minério de ferro e ao aço, sem enxergar os movimentos recentes como transformacionais. Para os analistas, o ambiente macroeconômico global segue desafiador, e a expectativa é que os preços retornem gradualmente a patamares abaixo de US$ 90 por tonelada.
O relatório cita a Vale como uma empresa sólida e competitiva, mas que enfrenta inevitável pressão de margens diante desse cenário. Já no setor siderúrgico, o banco continua com visão negativa para a maioria das companhias brasileiras, mantendo recomendação long para Gerdau (por exposição ao mercado norte-americano) e short para Usiminas e CSN.
De acordo com os analistas do BTG, a recente recuperação dos preços é um movimento de fôlego curto. Sem sinais concretos de um grande pacote de estímulo chinês ou de redução efetiva da capacidade produtiva global, o relatório recomenda prudência: “O pano de fundo fundamental permanece fraco, e não há evidências de que os eventos recentes sejam transformacionais”, avaliam os autores do relatório.
Dúvidas mais comuns
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Segundo análise do BTG Pactual, a recente valorização do minério de ferro e do aço desde junho tem natureza essencialmente conjuntural, impulsionada principalmente por fluxos especulativos e fechamento de posições vendidas. O anúncio do governo chinês sobre a construção de uma megahidrelétrica no planalto tibetano também gerou expectativas de estímulo econômico, embora o impacto real seja marginal.
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Não. O BTG Pactual conclui que os movimentos de alta observados não têm sustentação de longo prazo, pois os fundamentos gerais continuam fracos. Os analistas ressaltam que sem sinais concretos de um grande pacote de estímulo chinês ou redução efetiva da capacidade produtiva global, a recuperação é um movimento de fôlego curto.
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O impacto projetado é marginal. A demanda incremental associada ao empreendimento de US$ 170 bilhões deve representar menos de 0,5% da produção anual de aço bruto da China. O projeto tem valor simbólico e potencial limitado para alterar o quadro estrutural de excesso de capacidade no setor siderúrgico chinês, estimado entre 200 e 300 milhões de toneladas.
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O BTG Pactual espera que os preços retornem gradualmente a patamares abaixo de US$ 90 por tonelada. Atualmente, os preços estão negociados acima de US$ 104 por tonelada, mas essa resistência não é sustentada por fundamentos de longo prazo.
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Segundo o relatório, anúncios recorrentes de corte de cerca de 50 milhões de toneladas na capacidade produtiva na China raramente se concretizam. Além disso, os estímulos econômicos recentes devem priorizar o consumo doméstico das famílias, e não os investimentos em infraestrutura, o que limita o impacto real dessas medidas.
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A produção de aço chinesa caiu 9% em junho, enquanto o país enfrenta um quadro estrutural de excesso de capacidade estimado entre 200 e 300 milhões de toneladas. Novas ofertas devem entrar no mercado com a entrada em operação do projeto Simandou, na Guiné, até novembro de 2025, reforçando a pressão pelo lado da produção.
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O BTG Pactual mantém postura cautelosa, recomendando prudência. Para a Vale, reconhece ser uma empresa sólida mas que enfrenta pressão de margens. No setor siderúrgico, mantém recomendação long apenas para Gerdau (por exposição ao mercado norte-americano) e short para Usiminas e CSN, com visão negativa para a maioria das companhias brasileiras.
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Os principais fatores incluem o excesso de capacidade produtiva global no setor siderúrgico, a desaceleração industrial, o ambiente macroeconômico global desafiador e a falta de sinais concretos de estímulos econômicos significativos. O balanço global de oferta e demanda segue pressionado pelo lado da produção, sem perspectivas de mudanças estruturais no curto prazo.