Future Minerals Forum 2026 em um grande salão com muitos participantes de diversos países, destacando a importância do evento para o setor de minerais futuros.
Foto: Future Minerals Forum

FMF 2026 mostra que o mercado de mineração entrou em uma nova fase

Evento, que reuniu mais de 20 mil pessoas na Arábia Saudita, destacou a importância da inovação e responsabilidade frente ao aumento crescente da demanda por minerais

Por Rose Guidoni, 2 min de leitura

Publicado em 22/01/2026

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  • A mineração global entrou em nova fase impulsionada pela demanda por minerais críticos para eletrificação, inteligência artificial e transição energética, conforme debatido no Future Minerals Forum 2026 em Riade.
  • Estados Unidos, China e Arábia Saudita disputam posição estratégica na cadeia de suprimento mineral, com Washington reformando licenciamento e a Arábia Saudita investindo em processamento de seus US$ 2,5 trilhões em reservas minerais.
  • Brasil destaca tecnologias de mineração circular e reaproveitamento de rejeitos pela Vale, mas necessita avanços regulatórios para manter competitividade global em suas reservas minerais de classe mundial.
Resumo revisado pela redação.

O Future Minerals Forum (FMF) 2026, encerrado em 15 de janeiro, teve como tema central a corrida por minerais críticos, especialmente em função do crescimento da eletrificação, adoção de inteligência artificial e tecnologias voltadas para a transição energética. Ao mesmo tempo, as discussões mostraram que, diante deste cenário, práticas sustentáveis, como recuperação de áreas, reflorestamento, mineração circular e proteção a comunidades se tornam cada vez mais relevantes. 

O evento recebeu mais de 20 mil visitantes em Riade, com representantes de todos os países do G20, incluindo Estados Unidos, Canadá, China, Alemanha, França e Rússia, bem como nações africanas e latino-americanas ricas em recursos naturais.

Disputa global por minerais

O FMF trouxe à tona questões geopolíticas, especialmente as novas políticas dos Estados Unidos em relação ao setor. David Copley, Assistente Especial do Presidente no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, destacou que o país entendeu que a mineração é essencial para o desenvolvimento.

Em função disso, segundo ele, a estratégia é aumentar investimentos, estocar minerais, proteger as empresas que operam no setor e reformar o ecossistema de licenciamento, reduzindo prazos de aprovação para novos empreendimentos.

Enquanto a participação russa foi mais reservada, a China focou em questões técnicas e industriais em vez de explicitar estratégias políticas, embora o país tenha, atualmente, papel de destaque nas cadeias de suprimento globais. 

A Arábia Saudita, país sede do evento, busca uma posição central na conversa para aumentar sua participação na produção de minerais em um cenário em que a corrida por recursos domina a pauta global. A região possui reservas minerais avaliadas em cerca de US$ 2,5 trilhões, conforme dados apresentados pelo Climate Home News – incluindo lítio, terras raras, zinco e cobre. Em seu plano de desenvolvimento, denominado ‘Visão 2030’, o país colocou a mineração como um pilar para diversificar a economia, reduzindo a dependência dos combustíveis fósseis, e está investindo suas receitas decorrentes do petróleo para se tornar um centro de processamento e comercialização de minerais.

Brasil se destaca com tecnologias que podem moldar o futuro

A participação brasileira no evento mostrou o potencial nacional para contornar os desafios do setor. Gustavo Pimenta, CEO da Vale, abordou temas como mineração circular, com reaproveitamento de rejeitos, detalhando os esforços da empresa para alcançar a “mineração com resíduo zero”. Segundo ele, o futuro do setor é baseado em três pilares: digitalização, redução da pegada ambiental e circularidade.

A fala de Pimenta mostra que o equilíbrio entre inovação, responsabilidade e apoio ao desenvolvimento local são caminhos essenciais para a sustentabilidade do setor mineral. Além disso, os acordos internacionais, como o Memorando de Entendimentos (MoU) com a Arábia Saudita, devem trazer avanços ao setor, ampliando a atuação conjunta entre empresas brasileiras e sauditas. 

O Brasil permanece em destaque no cenário global, com reservas minerais estimadas entre as maiores do mundo. Porém, o país ainda demanda avanços regulatórios, conforme defendido por representantes do setor nacional no FMF 2026.

Dúvidas mais comuns

O Future Minerals Forum 2026 é um evento internacional encerrado em 15 de janeiro que reuniu mais de 20 mil visitantes em Riade, com representantes de todos os países do G20 e nações africanas e latino-americanas. O fórum teve como tema central a corrida por minerais críticos, discutindo inovação, responsabilidade socioambiental e a importância estratégica da mineração para a transição energética global.

Os minerais críticos em destaque no FMF 2026 incluem lítio, terras raras, zinco e cobre. Esses minerais são essenciais para o crescimento da eletrificação, adoção de inteligência artificial e tecnologias voltadas para a transição energética, tornando-se objeto de disputa geopolítica entre as principais potências mundiais.

Segundo David Copley, Assistente Especial do Presidente no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, a estratégia americana é aumentar investimentos em mineração, estocar minerais estratégicos, proteger as empresas que operam no setor e reformar o ecossistema de licenciamento, reduzindo prazos de aprovação para novos empreendimentos. Essa abordagem reflete o entendimento de que a mineração é essencial para o desenvolvimento nacional.

A Arábia Saudita, país sede do FMF 2026, busca uma posição central na conversa sobre minerais críticos para aumentar sua participação na produção global. O país possui reservas minerais avaliadas em cerca de US$ 2,5 trilhões e está investindo suas receitas de petróleo para se tornar um centro de processamento e comercialização de minerais, conforme seu plano 'Visão 2030'.

De acordo com Gustavo Pimenta, CEO da Vale, o futuro do setor mineral é baseado em três pilares: digitalização, redução da pegada ambiental e circularidade. A empresa está focada em mineração circular com reaproveitamento de rejeitos, buscando alcançar a 'mineração com resíduo zero', demonstrando o equilíbrio entre inovação, responsabilidade e apoio ao desenvolvimento local.

O mercado de mineração entrou em uma nova fase marcada pela crescente relevância de práticas sustentáveis, como recuperação de áreas, reflorestamento, mineração circular e proteção a comunidades. Essas práticas se tornaram essenciais diante da corrida global por minerais críticos, refletindo a necessidade de equilibrar a demanda por recursos com a responsabilidade socioambiental.

O Brasil permanece em destaque no cenário global com reservas minerais estimadas entre as maiores do mundo. A participação brasileira no FMF 2026 destacou tecnologias inovadoras e acordos internacionais, como o Memorando de Entendimentos com a Arábia Saudita. Porém, o país ainda demanda avanços regulatórios para fortalecer sua posição competitiva no setor.

A mineração é fundamental para a transição energética global, pois fornece minerais críticos necessários para eletrificação, inteligência artificial e tecnologias limpas. O FMF 2026 evidenciou que a corrida por esses recursos é estratégica para as principais potências mundiais, tornando a mineração um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável e a segurança energética internacional.