O Future Minerals Forum (FMF) 2026, encerrado em 15 de janeiro, teve como tema central a corrida por minerais críticos, especialmente em função do crescimento da eletrificação, adoção de inteligência artificial e tecnologias voltadas para a transição energética. Ao mesmo tempo, as discussões mostraram que, diante deste cenário, práticas sustentáveis, como recuperação de áreas, reflorestamento, mineração circular e proteção a comunidades se tornam cada vez mais relevantes.
O evento recebeu mais de 20 mil visitantes em Riade, com representantes de todos os países do G20, incluindo Estados Unidos, Canadá, China, Alemanha, França e Rússia, bem como nações africanas e latino-americanas ricas em recursos naturais.
Disputa global por minerais
O FMF trouxe à tona questões geopolíticas, especialmente as novas políticas dos Estados Unidos em relação ao setor. David Copley, Assistente Especial do Presidente no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, destacou que o país entendeu que a mineração é essencial para o desenvolvimento.
Em função disso, segundo ele, a estratégia é aumentar investimentos, estocar minerais, proteger as empresas que operam no setor e reformar o ecossistema de licenciamento, reduzindo prazos de aprovação para novos empreendimentos.
Enquanto a participação russa foi mais reservada, a China focou em questões técnicas e industriais em vez de explicitar estratégias políticas, embora o país tenha, atualmente, papel de destaque nas cadeias de suprimento globais.
A Arábia Saudita, país sede do evento, busca uma posição central na conversa para aumentar sua participação na produção de minerais em um cenário em que a corrida por recursos domina a pauta global. A região possui reservas minerais avaliadas em cerca de US$ 2,5 trilhões, conforme dados apresentados pelo Climate Home News – incluindo lítio, terras raras, zinco e cobre. Em seu plano de desenvolvimento, denominado ‘Visão 2030’, o país colocou a mineração como um pilar para diversificar a economia, reduzindo a dependência dos combustíveis fósseis, e está investindo suas receitas decorrentes do petróleo para se tornar um centro de processamento e comercialização de minerais.
Brasil se destaca com tecnologias que podem moldar o futuro
A participação brasileira no evento mostrou o potencial nacional para contornar os desafios do setor. Gustavo Pimenta, CEO da Vale, abordou temas como mineração circular, com reaproveitamento de rejeitos, detalhando os esforços da empresa para alcançar a “mineração com resíduo zero”. Segundo ele, o futuro do setor é baseado em três pilares: digitalização, redução da pegada ambiental e circularidade.
A fala de Pimenta mostra que o equilíbrio entre inovação, responsabilidade e apoio ao desenvolvimento local são caminhos essenciais para a sustentabilidade do setor mineral. Além disso, os acordos internacionais, como o Memorando de Entendimentos (MoU) com a Arábia Saudita, devem trazer avanços ao setor, ampliando a atuação conjunta entre empresas brasileiras e sauditas.
O Brasil permanece em destaque no cenário global, com reservas minerais estimadas entre as maiores do mundo. Porém, o país ainda demanda avanços regulatórios, conforme defendido por representantes do setor nacional no FMF 2026.