O presidente do BNDES Aloísio Mercadante participou do 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira
O presidente do BNDES Aloísio Mercadante participou do 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira (Foto: Vivian Fernández/ Brasil Mais Verde)

Fundo Clima vai financiar somente mineração que tiver boas práticas ambientais, diz Mercadante

Em evento promovido pelo BNDES, presidente do banco aponta investimento de R$ 50 bilhões em projetos no setor de minerais críticos

Por Mariana Sgarioni, 3 min de leitura

Publicado em 02/07/2026

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O BNDES pretende atuar cada vez mais fortemente no setor de minerais críticos. Porém, este apoio está condicionado a uma mineração limpa, responsável, que reduz danos ao ambiente, além de garantir a segurança dos trabalhadores e proteger as comunidades locais.

Foi o que afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, nesta quinta-feira, 2, durante o evento “Brasil Mais Verde – 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira”, realizado na sede da instituição, no Rio de Janeiro. Também estiveram presentes o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente da COP30, André Corrêa do Lago.

Além do presidente da instituição, o evento contou com a presença do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do presidente da COP30, André Corrêa do Lago
Evento “Brasil Mais Verde – 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira” realizado na sede do BNDES (Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil)

“No Fundo Clima, por exemplo, queremos apenas mineração responsável: taxonomia, sustentabilidade, monitoramento. No BNDES, selecionamos mais de 50 projetos relacionados a minerais críticos, com a possibilidade de chegar a R$ 50 bilhões de investimento e de crédito nesse setor. Todos estes projetos tiveram que provar suas boas práticas”, afirmou Mercadante, em resposta ao Radar Mineração, durante o evento.

Eletrificação da frota

Close-up de um carro elétrico sendo recarregado ao pôr do sol, com o cabo de recarga conectado e um campo gramado ao fundo, destacando a mobilidade sustentável apoiada por iniciativas como o Fundo Climático.
Foto: 24K-Production/ Shutterstock

O presidente do BNDES destacou também a oportunidade de o Brasil liderar a transição para a eletrificação de veículos em todo o mundo. 

O ministro Capobianco reforçou esta questão, lembrando que até pouco tempo acreditava-se que a eletrificação da frota seria impossível, dada a complexidade de uma troca massiva de veículos. “O Brasil construiu a solução para este impasse: os biocombustíveis, que aqui são produzidos com matriz energética limpa. Trata-se de uma solução completa para países que dependem do transporte coletivo, como ônibus, por exemplo. Os motores híbridos, movidos a biocombustível associado à eletricidade, são uma tecnologia fundamental que o Brasil pode oferecer para o mundo”, afirmou.

João Paulo Capobianco,  o ministro do Meio Ambiente
João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente (Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil)

Muito além das exportações

Mercadante chamou a atenção também para a necessidade de o país deixar de ser apenas um exportador de minerais críticos e passar a refinar e explorar o produto localmente. 

Em sua fala, o ministro Dario Durigan também apontou para esta questão. “Soberania do território não é só exportar commodities e matérias-primas e sim estimular a indústria de minerais aqui”, observou.

Dario Durigan, ministro da Fazenda
Dario Durigan, ministro da Fazenda (Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil)

Durigan reforçou ainda o terceiro leilão do programa Eco Invest, que, pela primeira vez, focou em equity (participação societária) para inovação e sustentabilidade, com forte ênfase em minerais críticos. A rodada foi homologada pelo Ministério da Fazenda, viabilizando cerca de R$ 53 bilhões em investimentos privados para empresas de base tecnológica, startups e projetos de longo prazo.

“O Brasil virou, de certa forma, a bola da vez em minerais críticos, porém, se não conseguirmos atrair investimentos, as empresas podem ir para outros lugares”, alertou, por fim, José Gordon, Diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES.

Dúvidas mais comuns

O Fundo Clima é um instrumento de financiamento do BNDES que apoia projetos relacionados a minerais críticos, com investimento previsto de R$ 50 bilhões. O fundo está condicionado a uma mineração limpa e responsável, que reduz danos ao ambiente, garante a segurança dos trabalhadores e protege as comunidades locais, exigindo que todos os projetos comprovem suas boas práticas ambientais.

Os minerais críticos do Brasil incluem lítio, cobalto, níquel, terras raras e nióbio. Esses elementos são fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores, desempenhando papel essencial na transição energética global.

O BNDES está investindo em minerais críticos porque eles são essenciais para a soberania econômica, segurança alimentar e transição energética do Brasil. Com mais de 50 projetos selecionados e possibilidade de R$ 50 bilhões em investimento, o banco busca posicionar o Brasil como líder neste setor estratégico, desde que mantidas as boas práticas ambientais.

O Brasil possui uma matriz energética 100% limpa e desenvolveu uma tecnologia única de biocombustíveis que permite a fabricação de veículos híbridos, parcialmente elétricos e parcialmente movidos a biocombustíveis. Esta solução completa é viável para países que dependem de transporte coletivo, como ônibus, oferecendo ao Brasil a oportunidade de liderar a transição global para mobilidade elétrica.

Refinar e explorar minerais críticos localmente, em vez de apenas exportá-los como commodities, é fundamental para a soberania do território e para agregar valor à produção nacional. Isso permite que o Brasil desenvolva uma indústria de minerais mais robusta, atraia mais investimentos e crie oportunidades econômicas duradouras no país.

A taxonomia de sustentabilidade no contexto de mineração refere-se a um conjunto de critérios e classificações que definem quais práticas de mineração são consideradas responsáveis e sustentáveis. O BNDES utiliza essa taxonomia, juntamente com monitoramento contínuo, para garantir que os projetos financiados pelo Fundo Clima atendam aos padrões ambientais e sociais exigidos.

O programa Eco Invest, em seu terceiro leilão, focou pela primeira vez em equity (participação societária) para inovação e sustentabilidade, com forte ênfase em minerais críticos. A rodada viabilizou cerca de R$ 53 bilhões em investimentos privados para empresas de base tecnológica, startups e projetos de longo prazo, demonstrando o compromisso do Brasil em atrair capital para o setor.

Os minerais críticos enfrentam riscos de abastecimento devido à concentração geográfica da produção, dependência externa de alguns países, instabilidade geopolítica e limitações tecnológicas. Por isso, o Brasil busca desenvolver sua própria capacidade de produção e refino desses minerais para garantir segurança de abastecimento e soberania econômica.