- O ORE Régia FIP de Minerais Críticos busca mobilizar R$ 1 bilhão para financiar projetos de mineração de minerais essenciais à tecnologia global, com BNDESPar e Vale como investidores-âncora.
- O fundo prioriza ativos em estágios avançados de maturação e opera com pipeline de 360 oportunidades mapeadas, reduzindo riscos exploratórios iniciais e permitindo primeiros investimentos em 2026.
- A iniciativa posiciona o Brasil como participante estratégico nas cadeias de valor de minerais críticos, aproveitando estabilidade geopolítica e matriz renovável para capturar valor agregado na economia de tecnologia.
Em um momento de reorganização da cadeia global de suprimentos estratégicos, a Régia Capital, a BB Asset e a Ore Investments lançam o ORE Régia FIP de Minerais Críticos como medida para reduzir a distância entre o potencial geológico brasileiro e a geração de valor na mineração. O fundo de investimento em participações tem como objetivo financiar, desenvolver e acelerar projetos minerários voltados aos minerais críticos, essenciais para tecnologias que impulsionam o crescimento econômico e redefinem o papel de nações na geopolítica mundial.
O registro da oferta, realizado em abril de 2026, marca o início da captação junto a investidores profissionais. O fundo foi selecionado em chamada pública promovida pela BNDESPar e pela Vale, que poderão atuar como investidores-âncora com aportes entre R$ 100 milhões e R$ 250 milhões cada. A expectativa é mobilizar cerca de R$ 1 bilhão com patrimônio comprometido mínimo de R$ 400 milhões.
Apesar da diversificação mineral, das reservas expressivas em minerais críticos, da matriz elétrica predominantemente renovável e de um ambiente regulatório atento a impactos socioambientais, o Brasil enfrenta entraves na execução de projetos, sobretudo os de greenfield. Esses projetos lidam com custos de capital elevados e ciclos longos de maturação. Nesse contexto, o fundo pode atuar como ponte entre o capital institucional e ativos estratégicos de mineração.
Em nota, o consórcio gestor informou que o fundo priorizará ativos minerais em estágios mais avançados de maturação, reduzindo a exposição ao risco exploratório inicial. A estratégia contempla disciplina financeira, governança ativa e flexibilidade na estruturação de investimentos. Além disso, inclui participação societária, instrumentos de dívida estruturada, debêntures conversíveis, royalties e contratos de offtake. A participação na governança e nas decisões das empresas investidas também está prevista.
O portfólio de minerais elegíveis inclui terras raras, cobre, lítio, níquel, grafite, cobalto, manganês, silício, vanádio, tungstênio, nióbio, urânio e metais do grupo da platina, além de minerais ligados à fertilidade do solo e remineralizadores. Embora o foco inicial seja o upstream da cadeia mineral, a estratégia também contempla o fortalecimento gradual do downstream brasileiro, com o intuito de ampliar a captura de valor agregado dentro do país.
De acordo com o CEO da Ore Investments, Mauro Barros, o fundo inicia sua operação com uma base consolidada de oportunidades mapeadas ao longo dos últimos anos. “Não estamos partindo do zero. O fundo entra em operação com um pipeline proprietário de mais de 360 oportunidades mapeadas ao longo dos últimos anos, e a estrutura flexível nos permite calibrar cada investimento ao perfil de risco e ao estágio do ativo. A expectativa é realizar os primeiros investimentos ainda em 2026”, disse.
A estrutura do consórcio reflete uma tentativa de integrar diferentes competências necessárias ao desenvolvimento mineral. A Régia Capital contribuiu com a gestão de recursos, estruturação financeira, análise de risco e atuação em sustentabilidade e governança. A Ore Investments, por sua vez, aporta conhecimento técnico e regulatório. A BB Asset atua como parceira estratégica e distribuidora institucional.
Segundo as empresas, a demanda inicial pela tese já demonstrou tração no mercado, vide a captação de mais de R$ 100 milhões em menos de quatro meses.
Para os gestores, o novo cenário global abre espaço para que o Brasil avance não apenas como produtor mineral, mas também como participante estratégico das cadeias de valor associadas à economia do futuro. O entendimento é que o país possui condições de ampliar sua competitividade internacional em um momento em que governos e investidores buscam fornecedores considerados mais seguros e geopoliticamente estáveis.