Julevânia Olegário, diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do MME, durante a audiência pública da Comissão de Minas e Energia que discutiu os impactos da operação do ICMBio contra o garimpo em Novo Progresso - PA
Julevânia Olegário, diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do MME, durante audiência pública da Comissão de Minas e Energia que discutiu os impactos da operação do ICMBio contra o garimpo em Novo Progresso (PA) - Foto: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados

MME defende mais incentivos para quem faz garimpo legal

Gestora defende que fiscalização precisa ser acompanhada de políticas de capacitação, formalização e rastreabilidade da produção

Por Mariana Sgarioni, 3 min de leitura

Publicado em 07/07/2026

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A regularização do garimpo legal do ouro na Amazônia precisa avançar por meio de incentivos. Essa foi a principal mensagem de Julevânia Olegário, diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia (MME), durante audiência pública realizada nesta terça-feira (7/7) para discutir os impactos da operação do ICMBio contra o garimpo em Novo Progresso (PA). Segundo a representante do governo federal, combater a ilegalidade passa necessariamente por criar condições para que o pequeno garimpeiro consiga atuar dentro da legalidade.

“O Estado não pode ficar só nas ações de repressão e fiscalização, que, claro, são fundamentais. Mas cabe ao poder público oferecer alternativas para quem quer fazer o garimpo direito”, afirmou. Para ela, a atividade garimpeira é prevista na Constituição e deve ser exercida dentro de um ambiente regulatório que estimule a formalização e diferencie quem cumpre as regras daqueles que atuam na ilegalidade.

Durante a audiência, Julevânia apresentou a principal iniciativa em desenvolvimento no ministério: o Plano Nacional para a Mineração Artesanal e em Pequena Escala do Ouro (PAN-MAPE), elaborado para atender aos compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, tratado global criado pelas Nações Unidas para controlar o uso, a venda e o descarte de mercúrio em todo o mundo.

A proposta reúne estratégias para ampliar a formalização da atividade, reduzir impactos ambientais e fortalecer mecanismos de controle da cadeia produtiva do ouro.

As pessoas estão sentadas em mesas em uma sala de reuniões do governo, de frente para um painel de palestrantes. Um grande monitor exibe uma transmissão de vídeo, e alguns participantes discutem a regulamentação legal do garimpo em seus laptops. A bandeira do Brasil está visível perto do painel.
A audiência pública foi intitulada “Operação do ICMBio contra o garimpo em Novo Progresso (PA)” – Foto: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados

Segundo a diretora, o desafio é especialmente complexo na Amazônia Legal. Embora o Brasil possua reservas de ouro em diversas regiões, é nessa área que se concentra praticamente todo o ouro em forma garimpável. Ao mesmo tempo, trata-se da região ambientalmente mais sensível do país, marcada pela sobreposição entre áreas com potencial mineral, unidades de conservação e terras indígenas.

Para a representante do MME, esse cenário exige atuação integrada entre diferentes órgãos públicos. “Não existe uma bala de prata. É um trabalho conjunto”, afirmou, ao defender mais articulação entre União, estados e municípios para distinguir a exploração legal da atividade clandestina.

Formalização, capacitação e rastreabilidade

A estratégia do ministério está estruturada em três pilares. O primeiro é acelerar a formalização da atividade. Atualmente, segundo Julevânia, existem cerca de 14 mil requerimentos aguardando análise, e a burocracia acaba elevando custos e dificultando a regularização dos pequenos produtores.

O segundo eixo é a capacitação técnica. A diretora defendeu mais apoio aos garimpeiros para adoção de boas práticas ambientais, recuperação de áreas degradadas e cumprimento das exigências legais. Ela também chamou atenção para a ausência de linhas de crédito específicas para o setor, o que, segundo sua avaliação, acaba empurrando parte dos trabalhadores para fontes informais e até ilegais de financiamento.

“O MME não tem compromisso com quem está errado. Quem faz o certo tem que ter uma vantagem competitiva”, afirmou. Para ela, é preciso criar incentivos concretos para quem decide cumprir a legislação, inclusive em relação ao acesso ao crédito e à redução da burocracia.

O terceiro pilar é a implantação de mecanismos de rastreabilidade, permitindo acompanhar a origem do ouro desde a produção até sua comercialização, fortalecendo o combate ao mercado ilegal.

Cooperativismo

Além do plano nacional, o MME informou ainda que trabalha em outras duas frentes relacionadas ao setor: o apoio às ações de desintrusão — retirada de invasores ilegais — em terras indígenas e o fortalecimento do cooperativismo como instrumento de regularização da mineração artesanal.

Na avaliação da diretora, as cooperativas podem facilitar o acesso dos garimpeiros à legalidade e ampliar a capacidade de cumprimento das exigências ambientais e regulatórias. “Uma andorinha só não faz verão”, finalizou a representante do MME.

Dúvidas mais comuns

O Plano Nacional para a Mineração Artesanal e em Pequena Escala do Ouro (PAN-MAPE) é uma iniciativa do Ministério de Minas e Energia desenvolvida para atender aos compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção de Minamata sobre o Mercúrio. O plano reúne estratégias para ampliar a formalização da atividade garimpeira, reduzir impactos ambientais e fortalecer mecanismos de controle da cadeia produtiva do ouro, especialmente na Amazônia Legal.

Sim, o garimpo é uma atividade prevista na Constituição brasileira e é permitido, desde que realizado dentro de um ambiente regulatório adequado e com a devida formalização. No entanto, existem restrições em terras indígenas e em áreas de unidades de conservação. O desafio atual é criar condições para que pequenos garimpeiros consigam atuar dentro da legalidade, com incentivos e apoio do Estado.

A estratégia do Ministério de Minas e Energia está estruturada em três pilares principais: (1) Formalização - acelerar a regularização da atividade, reduzindo a burocracia que atualmente afeta cerca de 14 mil requerimentos em análise; (2) Capacitação técnica - oferecer apoio aos garimpeiros para adoção de boas práticas ambientais, recuperação de áreas degradadas e cumprimento das exigências legais; (3) Rastreabilidade - implementar mecanismos para acompanhar a origem do ouro desde a produção até sua comercialização, fortalecendo o combate ao mercado ilegal.

A Amazônia Legal concentra praticamente todo o ouro em forma garimpável do Brasil, mas é também a região ambientalmente mais sensível do país. Essa complexidade ocorre pela sobreposição entre áreas com potencial mineral, unidades de conservação e terras indígenas, exigindo uma atuação integrada entre diferentes órgãos públicos e articulação entre União, estados e municípios para distinguir a exploração legal da atividade clandestina.

As cooperativas são consideradas um instrumento importante para regularização da mineração artesanal, pois podem facilitar o acesso dos garimpeiros à legalidade e ampliar a capacidade de cumprimento das exigências ambientais e regulatórias. O MME trabalha no fortalecimento do cooperativismo como estratégia complementar para apoiar a formalização do setor.

Os principais desafios incluem a burocracia elevada que dificulta a regularização, a ausência de linhas de crédito específicas para o setor, e a falta de incentivos concretos que diferenciem quem cumpre as regras. Segundo o MME, esses obstáculos acabam empurrando parte dos trabalhadores para fontes informais e até ilegais de financiamento, tornando necessário criar vantagens competitivas para quem decide atuar dentro da legalidade.

O combate ao garimpo ilegal passa por uma abordagem integrada que vai além da repressão e fiscalização. O governo federal propõe criar condições para que pequenos garimpeiros consigam atuar legalmente, oferecendo alternativas como formalização facilitada, capacitação técnica, acesso a crédito e redução da burocracia. Além disso, trabalha em ações de desintrusão (retirada de invasores ilegais) em terras indígenas e na implementação de mecanismos de rastreabilidade para fortalecer o combate ao mercado ilegal.

A Convenção de Minamata é um tratado global criado pelas Nações Unidas para controlar o uso, a venda e o descarte de mercúrio em todo o mundo. O Brasil assumiu compromissos nessa convenção que motivaram a criação do PAN-MAPE, uma vez que o garimpo artesanal frequentemente utiliza mercúrio no processo de extração do ouro, tornando necessário desenvolver estratégias para reduzir esses impactos ambientais.