Uma mão usando luva usando pegando várias pedras pequenas, com fundo de mais pedras, ideal para indicar a extração ou armazenamento de pedras.
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Geopolítica da mineração: a nova corrida global por cobre e níquel

Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals (VBM), teceu críticas sobre as posturas do Ocidente em relação à mineração; empresas do setor têm buscado um contato mais conservador para escapar das tensões políticas.

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 07/11/2025

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  • Empresas de mineração priorizam desenvolvimento em áreas já exploradas (brownfields) em vez de novos projetos, reduzindo riscos geopolíticos e acelerando a produção de metais estratégicos como cobre e níquel.
  • A Vale Base Metals planeja dobrar produção de cobre até 2035 aproveitando infraestrutura consolidada, enquanto enfrenta entraves regulatórios no Ocidente que podem levar duas décadas para aprovação de projetos.
  • Níquel de alta pureza tornou-se crítico para defesa dos EUA, e interrupções no fornecimento poderiam forçar dependência chinesa, evidenciando a necessidade de segurança nas cadeias de suprimentos de metais estratégicos.
Resumo revisado pela redação.

Diante da crescente demanda por metais estratégicos e da busca por estabilidade nas cadeias globais de suprimentos, as empresas de mineração têm adotado uma postura mais cautelosa em suas estratégias de expansão. A prioridade tem sido o aproveitamento de ativos já existentes, com foco na redução de riscos e na eficiência operacional.

Tradicionalmente vista como uma atividade essencialmente extrativa, a mineração passou a ocupar um papel central na geopolítica internacional, frequentemente associada à segurança nacional. Para Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals (VBM), o setor ainda enfrenta desafios de escala. “Para entregar resultados e aproveitar a inovação e a capacidade instalada, acredito que, no fim das contas, vamos atrair talentos e expertise de outros setores”, afirmou durante sua participação no FT Mining Summit 2025.

A nova dinâmica global tem impulsionado a demanda por metais como cobre e níquel a níveis inéditos, levando grandes corporações a reavaliar seus modelos de crescimento e a reconfigurar suas cadeias de suprimentos. 

Segundo Usmar, a preferência atual é pelo desenvolvimento de projetos em áreas já exploradas — os chamados brownfields — por oferecerem menor risco e maior previsibilidade. Em contrapartida, os greenfields, que envolvem operações iniciadas do zero, são mais suscetíveis a atrasos e estouros de orçamento.

A meta da VBM é ambiciosa: dobrar a produção de cobre até 2035, priorizando a infraestrutura já consolidada. “O histórico do setor com projetos greenfield não é dos melhores. Os brownfields representam uma oportunidade de risco e retorno que ainda é subestimada”, destacou Usmar.

Essa abordagem permite acelerar novos empreendimentos sem comprometer a continuidade das operações já em curso, especialmente em momentos de escassez de oferta.

De acordo com dados da Reuters, o Chile lidera a produção mundial de cobre, com cerca de 1,328 milhão de toneladas métricas em 2024. Outros países que se destacam nesse cenário incluem Peru, Congo, China, Estados Unidos e Rússia, reforçando a importância estratégica do metal na nova ordem econômica global.

Níquel e segurança nacional

Caminhões de mineração em uma lavra de carvão, representando a importância da mineração na geopolítica mundial e seus impactos.
Foto: Reyhan Reynardot / Shutterstock

O níquel também entrou no radar geopolítico, especialmente por seu papel crítico na indústria de defesa. Segundo Usmar, mais de 60% do níquel de alta pureza fornecido pela empresa é destinado aos setores aeroespacial e de defesa dos Estados Unidos. Embora isso represente uma vantagem competitiva, Usmar destaca que não há subsídios envolvidos — o que torna essencial operar com máxima eficiência. “A única forma de sobreviver é estar na metade inferior da curva de custos”, afirmou.

No entanto, um dos principais entraves enfrentados pela companhia está na morosidade dos processos regulatórios. Usmar critica a lentidão dos sistemas de licenciamento no Ocidente, onde, segundo ele, um projeto pode levar até duas décadas para entrar em operação, mesmo em um cenário otimista.

Em contraste, ele elogiou a agilidade da China, que tem se destacado pela rapidez na aprovação de projetos. “Eles têm uma enorme vantagem. Não estão focados em recompras de ações, estão realmente construindo coisas”, disse.

Desbloquear valor em tempos de instabilidade

A postura cautelosa da VBM diante da expansão não é apenas uma questão de eficiência operacional, mas também uma resposta ao cenário global. Conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia, tensões no Oriente Médio e disputas por mineração ilegal evidenciam os riscos crescentes nas cadeias de suprimentos e na estabilidade do capital. Em tempos de incerteza, apostar em projetos brownfield é uma forma de proteger não apenas os resultados financeiros, mas também os empregos e a continuidade das operações.

Usmar fez referência ao que chama de “momento Sputnik” dos Estados Unidos, uma metáfora para a urgência em reconhecer a importância dos materiais estratégicos. Segundo ele, esse reconhecimento está atrasado e precisa ser acelerado pelas autoridades.

A dependência de níquel de alta pureza é um exemplo: uma eventual interrupção no fornecimento poderia forçar os EUA a recorrer à China, país que mantém relações comerciais com nações como Rússia e Coreia do Norte. Isso abriria espaço para dilemas políticos e econômicos complexos.

Mais do que uma reação direta aos conflitos, essa estratégia representa uma resposta tática à volatilidade global, buscando garantir resiliência e autonomia em um cenário cada vez mais imprevisível.

Dúvidas mais comuns

A mineração ganhou importância geopolítica central devido à crescente demanda por metais estratégicos como cobre e níquel, essenciais para tecnologias de defesa, aeroespacial e transição energética. Conflitos globais como a guerra entre Rússia e Ucrânia, tensões no Oriente Médio e disputas comerciais evidenciam os riscos nas cadeias de suprimentos, levando governos e empresas a reconhecerem esses materiais como questões de segurança nacional.

As empresas de mineração estão adotando uma postura mais cautelosa, priorizando o desenvolvimento de projetos em áreas já exploradas, conhecidos como brownfields, em vez de iniciar operações do zero (greenfields). Essa abordagem oferece menor risco, maior previsibilidade e permite acelerar empreendimentos sem comprometer operações já em curso, especialmente em momentos de escassez de oferta.

O Chile lidera a produção mundial de cobre com aproximadamente 1,328 milhão de toneladas métricas em 2024, representando quase um quarto da produção global e detendo as maiores reservas do mundo com 190 milhões de toneladas métricas. Outros países importantes incluem Peru, Congo, China, Estados Unidos e Rússia, reforçando a importância estratégica do metal na nova ordem econômica global.

O níquel é crítico para a indústria de defesa e aeroespacial, especialmente em sua forma de alta pureza. Mais de 60% do níquel de alta pureza fornecido pela Vale Base Metals é destinado aos setores aeroespacial e de defesa dos Estados Unidos, tornando-o essencial para a segurança nacional e criando dependências geopolíticas complexas.

Um dos principais entraves é a morosidade dos processos regulatórios, onde um projeto pode levar até duas décadas para entrar em operação, mesmo em cenários otimistas. Em contraste, a China demonstra agilidade na aprovação de projetos, oferecendo vantagem competitiva significativa. Além disso, as empresas enfrentam pressão para operar com máxima eficiência, mantendo-se na metade inferior da curva de custos para sobreviver sem subsídios.

A dependência de níquel de alta pureza e outros materiais estratégicos cria vulnerabilidades geopolíticas. Uma eventual interrupção no fornecimento poderia forçar os EUA a recorrer à China, país que mantém relações comerciais com nações como Rússia e Coreia do Norte, abrindo espaço para dilemas políticos e econômicos complexos que comprometem a autonomia nacional.

Brownfields referem-se ao desenvolvimento de projetos em áreas já exploradas, oferecendo menor risco e maior previsibilidade, enquanto greenfields envolvem operações iniciadas do zero e são mais suscetíveis a atrasos e estouros de orçamento. O histórico do setor mostra que brownfields representam uma oportunidade de risco e retorno ainda subestimada, permitindo acelerar novos empreendimentos com maior segurança operacional.

A Vale Base Metals tem como objetivo ambicioso dobrar a produção de cobre até 2035, priorizando a infraestrutura já consolidada e projetos em brownfields. Essa estratégia busca aproveitar a inovação e a capacidade instalada existente, atraindo talentos e expertise de outros setores para entregar resultados em um cenário de demanda crescente por metais estratégicos.