- O governo federal criou o Grupo de Trabalho Inovação para o Setor Mineral (GT-ISM) para fortalecer a soberania tecnológica brasileira na cadeia global de minerais críticos, reduzindo dependência em etapas de transformação e refino.
- O GT-ISM reúne instituições estratégicas como CNPq, Finep e Embrapii para elaborar o programa Inova+Mineral em três meses, integrando universidades, institutos de pesquisa e empresas em torno de seis eixos temáticos prioritários.
- A liderança em minerais críticos depende do domínio tecnológico e estruturação de cadeias industriais, não apenas de reservas, com investimentos previstos de R$ 2 bilhões e 40 propostas selecionadas de empresas e instituições científicas.
O governo federal, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou, nesta quarta-feira (13), a criação do Grupo de Trabalho Inovação para o Setor Mineral (GT-ISM). Coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (SETEC), a iniciativa tem como objetivo promover a soberania tecnológica da mineração brasileira na corrida global por minerais críticos.
O GT-ISM nasce alinhado às diretrizes de transformação ecológica, transição energética, segurança alimentar e industrialização do governo brasileiro, e tem como finalidade elaborar a proposta do programa Inova+Mineral. Este, por sua vez, deve fortalecer a inovação no setor, com foco na agregação de valor, ampliação do conteúdo nacional e inserção do Brasil em cadeias globais de valor. A proposta também busca reduzir a dependência tecnológica em etapas de transformação, como separação, refino, transformação e industrialização dos recursos minerados.
Durante o lançamento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, disse que a mineração precisa ser vista pela ótica da inovação, e não mais pela da exploração. Segundo ela, isso significa ampliar o debate para incluir aspectos relacionados à ciência, tecnologia, sustentabilidade e responsabilidade ambiental. “O Brasil precisa transformar sua riqueza mineral em conhecimento, valor agregado e futuro para o próprio povo”, disse.
Estrutura do GT-ISM
O GT-ISM foi criado no âmbito do MCTI e reunirá instituições estratégicas ligadas à ciência, tecnologia e inovação. Entre elas estão a Setec (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), o Cetem (Centro de Tecnologia Mineral), o CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos), o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial). Sob coordenação da Setec, o grupo terá a missão de elaborar, em até três meses, a proposta do programa Inova+Mineral.
O grupo também deve integrar diferentes instrumentos de fomento à inovação, aproximando universidades, institutos de pesquisa e empresas. Entre os temas prioritários do GT-ISM estão:
- Fortalecimento da infraestrutura científica e tecnológica dos Institutos de Ciência e Tecnologia e dos centros de pesquisa.
- Formação e capacitação de recursos humanos.
- Pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação.
- Extensionismo tecnológico e empreendedorismo.
- Industrialização, agregação de valor e ampliação do conteúdo nacional.
- Fortalecimento de cadeias produtivas de base mineral prioritárias e estratégicas para o país.
Ao defender a criação do grupo, os representantes pontuaram que a liderança global em minerais críticos não depende apenas da posse de reservas, mas também da capacidade de dominar tecnologias e estruturar cadeias industriais de maior intensidade tecnológica.
A ministra Luciana Santos destacou que a iniciativa se insere em uma estratégia mais ampla de reindustrialização e fortalecimento da soberania nacional. Segundo ela, isto está inserido entre as missões do Nova Indústria Brasil (NIB), especialmente no que diz respeito à articulação de uma unidade política no governo que caminhe em uma só direção.
Ela ainda pontuou que o programa Inova+Mineral já prevê mais de R$ 2 bilhões em investimentos e conta com mais de 40 propostas selecionadas, advindas de dezenas de empresas brasileiras e instituições científicas.