Sala de controle com profissionais em mesas, monitores e painéis de comunicação, equipamentos eletrônicos e iluminação de segurança, usada para monitoramento e gestão operacional.
Foto: Codelco via Flickr

IA, IoT, 5G e edge computing transformam operações na mineração

Capacidade de orquestrar sensores, equipamentos autônomos e inteligência artificial em tempo real eleva produtividade, segurança e sustentabilidade no setor

Por Redação, 4 min de leitura

Publicado em 15/05/2026

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Com índices de maturidade digital de 61,9 em tecnologia da informação e 67,3 em adoção de tecnologias operacionais, em uma escala de 100, o setor de mineração vê o uso de inovações despontar como diferencial estratégico, segundo estudo global da Nokia com a consultoria ABI Research. Embora vários fatores influam nesse resultado, é possível identificar a convergência de quatro vertentes tecnológicas que, combinadas, redefinem as atividades, o fluxo de trabalho e a gestão operacional, da lavra ao processamento de minérios.

A conjugação de inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT), conectividade 5G e processamento local de dados (edge computing) permite a criação de ecossistemas nos quais sensores, sistemas de análise e equipamentos automatizados conversam entre si. Mais do que os ganhos de agilidade e economia obtidos com a automação, as plataformas de IA viabilizam otimizações imediatas em cada momento da operação.

5G como habilitador tecnológico

O 5G assume a função de “via” nesse ambiente de troca de dados. Essa atualização não implica apenas aumento de velocidade, pois a tecnologia traz uma série de funcionalidades para redes empresariais privadas, particularmente importantes para comunicação móvel em sítios de mineração.

Um dos avanços em relação a redes anteriores está na densidade de dispositivos conectados. A capacidade de conectar uma quantidade expressiva de sensores, câmeras, veículos e equipamentos industriais de forma simultânea proporciona expansões e mudanças rápidas no parque de produção, sem necessidade de alterações em cabeamento ou reconfiguração complexa de toda a rede de telecom. 

Vista aérea de equipamentos pesados em área de lavra, imagem compatível com inspeção por drones e monitoramento operacional.
Foto: Shane McLendon/ Unsplash

“Em uma planta industrial ou em projetos de cidade inteligente, onde sensores estão espalhados por todo o ambiente, essa densidade muda completamente o que é possível fazer”, afirma o diretor de desenvolvimento de negócios da integradora Sonda IT, Fernando Freitas.

Velocidade de “raciocínio” e ação com processamento local

Mesmo com uma grande quantidade de conexões, pequenas variações no tempo de resposta, imperceptíveis para a maioria das aplicações, fazem toda diferença nas operações digitalizadas. Uma latência (o tempo que o pacote trafega na rede entre a origem e o destino) de milissegundos pode determinar o avanço de metros ou centímetros de um veículo autônomo que recebe um comando de frenagem, por exemplo.

Junto à vantagem da baixa latência do 5G, outra tendência é levar a infraestrutura de dados e processamento para onde a operação acontece. Conforme estimativas da Claro Empresas, a latência em um acesso à nuvem pública chega a 80 milissegundos. Caso o servidor esteja próximo ao núcleo da rede da operadora, fica em 20 ms. Com edge computing, isso varia entre 1 a 5 ms (até 20 vezes menos).

A descentralização do processamento garante a velocidade que a inteligência artificial precisa para interpretar dados e disparar comandos. “Esse ecossistema permite que as tarefas pesadas sejam divididas de maneira inteligente. Quando uma aplicação de IA precisa de inferências em tempo real, migra-se o processamento para a borda e o treinamento continua na nuvem”, exemplifica a Claro Empresas.

Segurança e sustentabilidade

A infraestrutura digital se converteu em ferramenta indispensável para as estratégias de segurança do trabalho e mitigação de riscos. À medida que os canais de informação se tornam menos vulneráveis a interrupções ou atrasos, empresas como a Usiminas investem em redes móveis privativas para automatizar funções perigosas e afastar funcionários de áreas de exposição.

A mineradora e siderúrgica passou a instalar detectores de vazamento de gás conectados e a criar “cercas eletrônicas” com câmeras inteligentes, mecanismos que bloqueiam o acesso e paralisam máquinas caso pessoas entrem em locais inseguros. Além disso, os técnicos de campo passaram a usar câmeras acopladas ao corpo (bodycams) para transmitir imagens e receber orientação remota em manutenções delicadas.

Globalmente, a conectividade possibilita também a adoção plena de veículos autônomos e drones nas inspeções de galerias após grandes detonações de rocha. “A mineração autônoma e de alta eficiência é alcançável hoje. Não é apenas um objetivo teórico”, enfatiza o especialista da AFRY, Eskil Bendz, sobre projetos recentes de redes subterrâneas.

Caminhão fora de estrada Caterpillar Cat 794 AC com caçamba basculante amarela em área de mineração, vista lateral traseira em ambiente externo.
Caterpillar Cat 794 AC (Foto: Caterpillar)

Além das prioridades de segurança, a produtividade atinge novos patamares com a orquestração da inteligência artificial, que monitora e otimiza processos em tempo real, evitando perdas e paradas. Em diversos casos no Brasil, recursos analíticos já são aplicados na produção. A Vale, por exemplo, utiliza IA para direcionar a priorização de circulação de composições de trens carregados em trechos críticos de suas ferrovias. Já nas plantas de beneficiamento mineral, o uso de sensores e câmeras inteligentes acompanha o trabalho dos britadores, com efeito relevante no desempenho operacional.

Os desdobramentos comerciais e financeiros do uso dessa malha tecnológica chegam até os terminais portuários de exportação. Substituindo testes manuais e lentos, operações logísticas brasileiras adotaram IA para aferir, com precisão, a umidade das cargas de minério de ferro já nos navios. Essa leitura rápida e automatizada economiza horas de avaliação, previne o risco de liquefação da carga durante a viagem ao mercado asiático e preserva ganhos financeiros expressivos.
A digitalização também atende diretamente a propósitos ambientais e sociais, pilares ESG para as práticas da mineração contemporânea. Projetos como a estruturação da conectividade 5G pela Gerdau na Mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG), ilustram esse retorno local, abrindo caminhos para robôs e gêmeos digitais e, ao mesmo tempo, distribuindo sinal de internet de qualidade para o posto de saúde e para a comunidade vizinha.

Dúvidas mais comuns

Essas quatro tecnologias convergem para criar ecossistemas integrados onde sensores, sistemas de análise e equipamentos automatizados se comunicam em tempo real. A IA otimiza processos continuamente, o IoT conecta dispositivos em larga escala, o 5G fornece conectividade de baixa latência e alta densidade, e o edge computing processa dados localmente com latência de 1 a 5 milissegundos. Juntas, essas tecnologias ampliam produtividade, segurança operacional e automação, redefinindo o fluxo de trabalho desde a lavra até o processamento de minérios.

O 5G funciona como a 'via' de troca de dados nesse ambiente digital, permitindo conectar uma quantidade expressiva de sensores, câmeras, veículos e equipamentos industriais simultaneamente. Diferentemente de redes anteriores, o 5G oferece alta densidade de dispositivos conectados, possibilitando expansões e mudanças rápidas no parque de produção sem necessidade de alterações em cabeamento ou reconfiguração complexa da rede de telecom. Essa capacidade é particularmente importante para comunicação móvel em sítios de mineração.

O edge computing reduz drasticamente a latência do processamento de dados, variando entre 1 a 5 milissegundos, comparado aos 80 milissegundos de acesso à nuvem pública. Essa velocidade é crítica para aplicações que exigem respostas imediatas, como comandos de frenagem em veículos autônomos, onde milissegundos determinam metros ou centímetros de diferença. O edge computing também permite que tarefas pesadas sejam divididas inteligentemente, com processamento de IA em tempo real na borda e treinamento continuando na nuvem.

A infraestrutura digital se converteu em ferramenta indispensável para estratégias de segurança do trabalho. Empresas como a Usiminas investem em redes móveis privativas para automatizar funções perigosas e afastar funcionários de áreas de exposição. Implementam detectores de vazamento de gás conectados, 'cercas eletrônicas' com câmeras inteligentes que bloqueiam acesso e paralisam máquinas em locais inseguros, e bodycams para transmitir imagens e receber orientação remota em manutenções delicadas. A conectividade também possibilita veículos autônomos e drones em inspeções de galerias.

A Vale utiliza IA para priorizar a circulação de composições de trens carregados em trechos críticos de suas ferrovias. Nas plantas de beneficiamento mineral, sensores e câmeras inteligentes acompanham o trabalho dos britadores, melhorando significativamente o desempenho operacional. Nos terminais portuários, a IA aferição automatizada da umidade das cargas de minério de ferro nos navios, economizando horas de avaliação manual, prevenindo riscos de liquefação durante viagens e preservando ganhos financeiros expressivos.

O IoT na mineração refere-se à rede de objetos físicos conectados à internet através de sensores, câmeras, veículos e equipamentos industriais que trocam informações continuamente. Esses dispositivos coletam dados em tempo real sobre as operações, desde a lavra até o processamento, alimentando sistemas de análise e inteligência artificial. A alta densidade de dispositivos conectados via 5G permite monitoramento abrangente e automação de processos sem necessidade de reconfiguração complexa da infraestrutura de rede.

O edge computing reduz a latência para 1 a 5 milissegundos, comparado aos 20 milissegundos de um servidor próximo ao núcleo da rede da operadora e aos 80 milissegundos de acesso à nuvem pública. Essa redução de até 20 vezes na latência é crucial para operações que exigem respostas imediatas, como comandos de frenagem em veículos autônomos ou processamento de IA em tempo real. A descentralização do processamento garante a velocidade necessária para que a inteligência artificial interprete dados e dispare comandos instantaneamente.

A digitalização atende diretamente a propósitos ambientais e sociais, pilares ESG da mineração contemporânea. Projetos como a estruturação da conectividade 5G pela Gerdau na Mina de Miguel Burnier em Ouro Preto abrem caminhos para robôs e gêmeos digitais, enquanto distribuem sinal de internet de qualidade para o posto de saúde e comunidade vizinha. Além disso, a automação de funções perigosas reduz riscos ocupacionais, e a otimização de processos reduz perdas e paradas operacionais, minimizando impactos ambientais.