O Ibama concluiu, na última semana de junho, a Operação Xapiri Mebêngôkré, ação de fiscalização ambiental que desarticulou frentes ativas de garimpo ilegal na bacia hidrográfica do Xingu, no sudoeste do Pará. O prejuízo causado às organizações criminosas que operam na região foi estimado em R$ 33 milhões em maquinários, insumos e estruturas de apoio destruídos. A operação atuou nas Terras Indígenas (TIs) Kayapó e Kuruaya, onde a mineração ilegal contamina rios, suprime floresta nativa e ameaça as comunidades que habitam esses territórios.
Escala da destruição de equipamentos
A inutilização de equipamentos foi o eixo central da operação. Ao todo, 45 escavadeiras hidráulicas foram destruídas, interrompendo a abertura de cavas e a movimentação de sedimentos. Também foram inutilizados 81 motores e uma balsa, cortando o ciclo de extração de ouro e o despejo de mercúrio e rejeitos químicos nos cursos d’água da região.
Além do maquinário de extração, a ação atingiu a infraestrutura de suporte da atividade ilícita. Foram destruídos tratores, caminhões, caminhonetes, motocicletas, quadriciclos, geradores, acampamentos e oficinas. Aproximadamente 10,2 mil litros de combustível foram inutilizados. Entre os itens apreendidos estão 23 g de ouro, duas armas de fogo, munições e uma antena de acesso à internet por satélite, equipamento que indica o nível de organização das redes criminosas presentes na área.
Logística em área remota
A localização dos alvos impôs desafios operacionais ao Ibama. Grande parte das frentes de garimpo estava em áreas sem acesso rodoviário, no interior da Floresta Amazônica. Para alcançá-las, o Instituto empregou helicópteros para reconhecimento, transporte de equipes e apoio logístico, além de montar bases em municípios da região.
Na primeira fase da operação, realizada em junho, o Ibama atuou em conjunto com a Polícia Federal e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Nessa etapa, foram inutilizadas 31 escavadeiras hidráulicas, além de caminhões, tratores, motores, motocicletas, geradores, acampamentos e estruturas de apoio.
Crime organizado e impacto ambiental

O garimpo ilegal nas TIs Kayapó e Kuruaya não opera de forma isolada. Segundo o Ibama, organizações criminosas financiam e mantêm redes de logística e abastecimento que sustentam as frentes de extração. A operação foi desenhada para atingir não apenas os pontos de mineração, mas toda a cadeia produtiva da atividade, reduzindo sua viabilidade econômica e dificultando a retomada.
Os danos ambientais documentados incluem perda de vegetação nativa, assoreamento de rios e igarapés, degradação de áreas de preservação permanente e contaminação por mercúrio, combustíveis e resíduos oleosos. A TI Kayapó integra um dos maiores mosaicos contínuos de áreas protegidas da Amazônia brasileira e abriga cabeceiras e cursos d’água associados à bacia do Xingu.
O nome da operação reflete o contexto territorial da ação: “Xapiri” é o termo institucional do Ibama para iniciativas de combate ao garimpo em terras indígenas — referência aos espíritos protetores da floresta na cosmologia Yanomami — e “Mebêngôkré” é a autodenominação do povo Kayapó. As informações coletadas durante a fiscalização serão usadas para subsidiar investigações e a responsabilização dos envolvidos na exploração ilegal de recursos minerais na região.
Dúvidas mais comuns
-
-
A Operação Xapiri Mebêngôkré foi uma ação de fiscalização ambiental realizada pelo Ibama em junho de 2024 nas Terras Indígenas Kayapó e Kuruaya, na bacia hidrográfica do Xingu, no sudoeste do Pará. A operação desarticulou frentes ativas de garimpo ilegal, destruindo equipamentos e infraestrutura de apoio avaliados em R$ 33 milhões, com o objetivo de interromper a cadeia produtiva da mineração ilegal e reduzir sua viabilidade econômica.
-
-
A operação inutilizou 45 escavadeiras hidráulicas, 81 motores, uma balsa, tratores, caminhões, caminhonetes, motocicletas, quadriciclos, geradores e acampamentos. Além disso, aproximadamente 10,2 mil litros de combustível foram destruídos, e foram apreendidos 23 gramas de ouro, duas armas de fogo, munições e uma antena de acesso à internet por satélite.
-
-
O garimpo ilegal contamina rios e igarapés com mercúrio, combustíveis e resíduos oleosos, além de causar perda de vegetação nativa, assoreamento de cursos d'água e degradação de áreas de preservação permanente. Na região do Xingu, esses danos afetam as cabeceiras e cursos d'água associados à bacia, comprometendo um dos maiores mosaicos contínuos de áreas protegidas da Amazônia brasileira.
-
-
O garimpo ilegal não opera de forma isolada, mas é financiado e mantido por organizações criminosas que sustentam redes de logística e abastecimento. Essas redes utilizam equipamentos sofisticados como antenas de internet por satélite para coordenar as operações, indicando um alto nível de organização das estruturas criminosas presentes na região.
-
-
A localização remota das frentes de garimpo no interior da Floresta Amazônica, sem acesso rodoviário, impôs desafios operacionais significativos. O Ibama utilizou helicópteros para reconhecimento, transporte de equipes e apoio logístico, além de montar bases em municípios da região para alcançar os alvos da operação.
-
-
A Terra Indígena Kayapó integra um dos maiores mosaicos contínuos de áreas protegidas da Amazônia brasileira e abriga cabeceiras e cursos d'água associados à bacia do Xingu. Essa região é fundamental para a preservação da biodiversidade amazônica e para as comunidades indígenas que habitam o território.
-
-
As informações coletadas durante a fiscalização serão usadas para subsidiar investigações e a responsabilização dos envolvidos na exploração ilegal de recursos minerais na região. Essa documentação fortalece as ações judiciais contra as organizações criminosas e contribui para o combate contínuo ao garimpo ilegal nas terras indígenas.