Indústria de alumínio celebra crescimento na produção de chapas metálicas em fábrica moderna
Foto: PhotoStock10/ Shutterstock

Indústria de alumínio comemora crescimento, mas teme desafios globais

Com recordes em faturamento, produção e geração de empregos, a indústria brasileira de alumínio celebra avanços e reforça seu papel estratégico na economia e na transição energética.

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 11/09/2025

Baixar PDF Copiar link

O faturamento da indústria brasileira de alumínio totalizou R$ 159,3 bilhões em 2024. A cifra representa aumento de 21,2% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).  O destaque, de acordo com o 54º Anuário Estatístico da Abal, veio da categoria “produtos transformados”, que atingiu recorde histórico no período analisado, totalizando 1,9 milhão de toneladas, ou 13,5% a mais do que em 2023. O impulso foi decorrente da demanda aquecida em setores como embalagens, construção civil, transportes e eletricidade.

Os números positivos do setor vão além: os investimentos brutos alcançaram R$ 6,4 bilhões, representando uma alta de 16%, e a arrecadação de tributos foi a maior já registrada, atingindo R$ 53,8 bilhões. Além disso, o setor gerou 141 mil empregos diretos em 2024, representando um crescimento de 3,4% ante o ano anterior.

O anuário também mostra que a produção de alumínio primário no Brasil cresceu 8,8%, alcançando 1,1 mil toneladas, elevando o Brasil à nona posição no ranking global. O volume de sucata recuperada (alumínio de fonte reciclada) aumentou cerca de 1,1 milhão de toneladas, compondo o suprimento nacional — o que representou aproximadamente 57% do consumo nacional de produtos de alumínio.

Cenário global preocupa setor

Lâminas de alumínio empilhadas em estoque na indústria de alumínio, destacando a produção e moagem de alumínio para diversos setores industriais.
Foto: Bjoern Wylezich/ Shutterstock

Ao mesmo tempo em que comemora o bom desempenho da indústria, a Abal expressa preocupação com o cenário global. Em comunicado à imprensa, a entidade estima que a taxação anunciada pelo governo estadunidense deve resultar em prejuízo de R$ 1,15 bilhão para o setor. “Em 2024, os Estados Unidos foram o terceiro principal destino das exportações da indústria brasileira de alumínio, atrás apenas de Canadá e Noruega”, diz a nota. 

A associação também informou que, somente no primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras de produtos de alumínio sujeitas à tarifação recuaram 28% em comparação ao mesmo período de 2024, o que já resultou em perda de US$46 milhões (R$350 milhões). Esta retração já seria consequência das tarifas de 10%, vigentes até 12 de março, e de 25%, aplicada entre 12 de março e 3 de junho. 

A Abal acrescentou que até a cadeia de reciclagem de alumínio está sendo afetada, pois com a elevação de preços do alumínio primário, os valores da sucata estão se tornando mais competitivos, impulsionando uma disputa global por esse insumo. “Essa corrida por sucata vem acendendo alertas sobre o risco de escassez de metal proveniente de material pós-consumo, especialmente em regiões como a União Europeia e o Brasil, onde o alumínio reciclado é uma fonte estratégica para a transição energética e pilar da economia circular”, destaca o comunicado.

“Seguimos cautelosamente otimistas para 2025, mas preocupados com a volatilidade do mercado internacional. O setor tem demonstrado enorme capacidade de superação, mas os riscos à frente são concretos e exigem vigilância e respostas estratégicas”, disse a presidente-executiva da Abal, Janaina Donas, à revista Mineração e Sustentabilidade. 

Dúvidas mais comuns

O faturamento da indústria brasileira de alumínio totalizou R$ 159,3 bilhões em 2024, representando um aumento de 21,2% em relação a 2023. Este crescimento foi impulsionado principalmente pela categoria de produtos transformados, que atingiu recorde histórico de 1,9 milhão de toneladas, com demanda aquecida em setores como embalagens, construção civil, transportes e eletricidade.

O Brasil ocupa a nona posição no ranking global de produção de alumínio primário. Em 2024, a produção de alumínio primário no Brasil cresceu 8,8%, alcançando 1,1 mil toneladas, consolidando o país como um importante produtor mundial do metal.

A Alcoa Poços de Caldas, localizada em Minas Gerais, é a maior fábrica de alumínio do Brasil. Além disso, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) é uma das maiores empresas de alumínio do Brasil e da América Latina, contribuindo significativamente para a produção nacional.

A indústria de alumínio gerou 141 mil empregos diretos em 2024, representando um crescimento de 3,4% em relação ao ano anterior. Este crescimento reforça o papel estratégico do setor na economia brasileira e na geração de oportunidades de trabalho.

As tarifas americanas resultaram em uma perda de US$ 46 milhões (R$ 350 milhões) apenas no primeiro semestre de 2025, com recuo de 28% nas exportações brasileiras de produtos de alumínio sujeitos à tarifação. A Abal estima que a taxação anunciada pelo governo estadunidense deve resultar em prejuízo total de R$ 1,15 bilhão para o setor, considerando que os Estados Unidos eram o terceiro principal destino das exportações brasileiras.

O alumínio reciclado é uma fonte estratégica para a transição energética e pilar da economia circular no Brasil. Em 2024, o volume de sucata recuperada atingiu aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, compondo cerca de 57% do consumo nacional de produtos de alumínio, demonstrando a relevância da reciclagem para o suprimento nacional.

O preço do alumínio reciclado varia conforme as condições de mercado. Atualmente, 1 kg de latinha de alumínio é cotado em torno de R$ 4,00 em programas de reciclagem. No entanto, com a elevação dos preços do alumínio primário, os valores da sucata estão se tornando mais competitivos, impulsionando uma disputa global por esse insumo.

Os investimentos brutos da indústria de alumínio alcançaram R$ 6,4 bilhões em 2024, representando uma alta de 16% em relação ao ano anterior. Além disso, a arrecadação de tributos foi a maior já registrada, atingindo R$ 53,8 bilhões, demonstrando a importância fiscal do setor para o Brasil.