- A indústria brasileira de alumínio atingiu faturamento recorde de R$ 159,3 bilhões em 2024, com crescimento de 21,2% impulsionado pela demanda em embalagens, construção, transportes e eletricidade.
- As tarifas estadunidenses de até 25% causaram queda de 28% nas exportações brasileiras de alumínio no primeiro semestre de 2025, gerando prejuízo estimado de R$ 1,15 bilhão ao setor.
- A competição global por sucata de alumínio reciclado intensifica-se devido aos preços elevados do alumínio primário, criando risco de escassez crítica para a transição energética na Europa e Brasil.
O faturamento da indústria brasileira de alumínio totalizou R$ 159,3 bilhões em 2024. A cifra representa aumento de 21,2% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). O destaque, de acordo com o 54º Anuário Estatístico da Abal, veio da categoria “produtos transformados”, que atingiu recorde histórico no período analisado, totalizando 1,9 milhão de toneladas, ou 13,5% a mais do que em 2023. O impulso foi decorrente da demanda aquecida em setores como embalagens, construção civil, transportes e eletricidade.
Os números positivos do setor vão além: os investimentos brutos alcançaram R$ 6,4 bilhões, representando uma alta de 16%, e a arrecadação de tributos foi a maior já registrada, atingindo R$ 53,8 bilhões. Além disso, o setor gerou 141 mil empregos diretos em 2024, representando um crescimento de 3,4% ante o ano anterior.
O anuário também mostra que a produção de alumínio primário no Brasil cresceu 8,8%, alcançando 1,1 mil toneladas, elevando o Brasil à nona posição no ranking global. O volume de sucata recuperada (alumínio de fonte reciclada) aumentou cerca de 1,1 milhão de toneladas, compondo o suprimento nacional — o que representou aproximadamente 57% do consumo nacional de produtos de alumínio.
Cenário global preocupa setor

Ao mesmo tempo em que comemora o bom desempenho da indústria, a Abal expressa preocupação com o cenário global. Em comunicado à imprensa, a entidade estima que a taxação anunciada pelo governo estadunidense deve resultar em prejuízo de R$ 1,15 bilhão para o setor. “Em 2024, os Estados Unidos foram o terceiro principal destino das exportações da indústria brasileira de alumínio, atrás apenas de Canadá e Noruega”, diz a nota.
A associação também informou que, somente no primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras de produtos de alumínio sujeitas à tarifação recuaram 28% em comparação ao mesmo período de 2024, o que já resultou em perda de US$46 milhões (R$350 milhões). Esta retração já seria consequência das tarifas de 10%, vigentes até 12 de março, e de 25%, aplicada entre 12 de março e 3 de junho.
A Abal acrescentou que até a cadeia de reciclagem de alumínio está sendo afetada, pois com a elevação de preços do alumínio primário, os valores da sucata estão se tornando mais competitivos, impulsionando uma disputa global por esse insumo. “Essa corrida por sucata vem acendendo alertas sobre o risco de escassez de metal proveniente de material pós-consumo, especialmente em regiões como a União Europeia e o Brasil, onde o alumínio reciclado é uma fonte estratégica para a transição energética e pilar da economia circular”, destaca o comunicado.
“Seguimos cautelosamente otimistas para 2025, mas preocupados com a volatilidade do mercado internacional. O setor tem demonstrado enorme capacidade de superação, mas os riscos à frente são concretos e exigem vigilância e respostas estratégicas”, disse a presidente-executiva da Abal, Janaina Donas, à revista Mineração e Sustentabilidade.