Indústria de alumínio celebra crescimento na produção de chapas metálicas em fábrica moderna
Foto: PhotoStock10/ Shutterstock

Indústria de alumínio comemora crescimento, mas teme desafios globais

Com recordes em faturamento, produção e geração de empregos, a indústria brasileira de alumínio celebra avanços e reforça seu papel estratégico na economia e na transição energética.

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 11/09/2025

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  • A indústria brasileira de alumínio atingiu faturamento recorde de R$ 159,3 bilhões em 2024, com crescimento de 21,2% impulsionado pela demanda em embalagens, construção, transportes e eletricidade.
  • As tarifas estadunidenses de até 25% causaram queda de 28% nas exportações brasileiras de alumínio no primeiro semestre de 2025, gerando prejuízo estimado de R$ 1,15 bilhão ao setor.
  • A competição global por sucata de alumínio reciclado intensifica-se devido aos preços elevados do alumínio primário, criando risco de escassez crítica para a transição energética na Europa e Brasil.
Resumo revisado pela redação.

O faturamento da indústria brasileira de alumínio totalizou R$ 159,3 bilhões em 2024. A cifra representa aumento de 21,2% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).  O destaque, de acordo com o 54º Anuário Estatístico da Abal, veio da categoria “produtos transformados”, que atingiu recorde histórico no período analisado, totalizando 1,9 milhão de toneladas, ou 13,5% a mais do que em 2023. O impulso foi decorrente da demanda aquecida em setores como embalagens, construção civil, transportes e eletricidade.

Os números positivos do setor vão além: os investimentos brutos alcançaram R$ 6,4 bilhões, representando uma alta de 16%, e a arrecadação de tributos foi a maior já registrada, atingindo R$ 53,8 bilhões. Além disso, o setor gerou 141 mil empregos diretos em 2024, representando um crescimento de 3,4% ante o ano anterior.

O anuário também mostra que a produção de alumínio primário no Brasil cresceu 8,8%, alcançando 1,1 mil toneladas, elevando o Brasil à nona posição no ranking global. O volume de sucata recuperada (alumínio de fonte reciclada) aumentou cerca de 1,1 milhão de toneladas, compondo o suprimento nacional — o que representou aproximadamente 57% do consumo nacional de produtos de alumínio.

Cenário global preocupa setor

Lâminas de alumínio empilhadas em estoque na indústria de alumínio, destacando a produção e moagem de alumínio para diversos setores industriais.
Foto: Bjoern Wylezich/ Shutterstock

Ao mesmo tempo em que comemora o bom desempenho da indústria, a Abal expressa preocupação com o cenário global. Em comunicado à imprensa, a entidade estima que a taxação anunciada pelo governo estadunidense deve resultar em prejuízo de R$ 1,15 bilhão para o setor. “Em 2024, os Estados Unidos foram o terceiro principal destino das exportações da indústria brasileira de alumínio, atrás apenas de Canadá e Noruega”, diz a nota. 

A associação também informou que, somente no primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras de produtos de alumínio sujeitas à tarifação recuaram 28% em comparação ao mesmo período de 2024, o que já resultou em perda de US$46 milhões (R$350 milhões). Esta retração já seria consequência das tarifas de 10%, vigentes até 12 de março, e de 25%, aplicada entre 12 de março e 3 de junho. 

A Abal acrescentou que até a cadeia de reciclagem de alumínio está sendo afetada, pois com a elevação de preços do alumínio primário, os valores da sucata estão se tornando mais competitivos, impulsionando uma disputa global por esse insumo. “Essa corrida por sucata vem acendendo alertas sobre o risco de escassez de metal proveniente de material pós-consumo, especialmente em regiões como a União Europeia e o Brasil, onde o alumínio reciclado é uma fonte estratégica para a transição energética e pilar da economia circular”, destaca o comunicado.

“Seguimos cautelosamente otimistas para 2025, mas preocupados com a volatilidade do mercado internacional. O setor tem demonstrado enorme capacidade de superação, mas os riscos à frente são concretos e exigem vigilância e respostas estratégicas”, disse a presidente-executiva da Abal, Janaina Donas, à revista Mineração e Sustentabilidade. 

Dúvidas mais comuns

O faturamento da indústria brasileira de alumínio totalizou R$ 159,3 bilhões em 2024, representando um aumento de 21,2% em relação a 2023. Este crescimento foi impulsionado principalmente pela categoria de produtos transformados, que atingiu recorde histórico com 1,9 milhão de toneladas, 13,5% acima do ano anterior.

Os principais setores que impulsionaram a demanda por produtos de alumínio em 2024 foram embalagens, construção civil, transportes e eletricidade. Estes segmentos contribuíram significativamente para o crescimento de 13,5% na produção de produtos transformados, que atingiu recorde histórico.

O Brasil ocupa a nona posição no ranking global de produção de alumínio primário. Em 2024, a produção de alumínio primário no país cresceu 8,8%, alcançando 1,1 mil toneladas, consolidando a importância estratégica do país no mercado internacional.

Dentre as principais empresas produtoras de alumínio no Brasil destacam-se a Albras no Pará, a Alcoa e a Novelis em Minas Gerais, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) em São Paulo e a Alumar no Maranhão. Estas empresas são responsáveis pela exploração de bauxita e produção de alumínio no país.

As tarifas anunciadas pelo governo estadunidense devem resultar em prejuízo estimado de R$ 1,15 bilhão para o setor. No primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras de produtos de alumínio sujeitas à tarifação recuaram 28% em comparação ao mesmo período de 2024, resultando em perda de US$ 46 milhões (R$ 350 milhões).

O alumínio reciclado é uma fonte estratégica para a transição energética e pilar da economia circular no Brasil. Em 2024, o volume de sucata recuperada atingiu aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, compondo cerca de 57% do consumo nacional de produtos de alumínio, demonstrando a relevância da reciclagem no suprimento nacional.

A indústria de alumínio gerou 141 mil empregos diretos em 2024, representando um crescimento de 3,4% ante o ano anterior. Além disso, os investimentos brutos alcançaram R$ 6,4 bilhões, com alta de 16%, e a arrecadação de tributos atingiu R$ 53,8 bilhões, a maior já registrada.

A indústria enfrenta desafios significativos relacionados à volatilidade do mercado internacional, especialmente com as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Além disso, há preocupação com a escassez global de sucata de alumínio, que está se tornando mais competitiva devido à elevação de preços do alumínio primário, afetando a disponibilidade de material pós-consumo para reciclagem.