A infraestrutura é um dos principais gargalos que a mineração encontra para acelerar no Brasil. Para que esta agenda avance, porém, é preciso conciliar o debate entre o desenvolvimento da indústria e a preservação ambiental.
Essa foi uma das conclusões dos especialistas que participaram do painel “Infraestrutura e Competitividade”, em fórum realizado em Brasília, nesta terça-feira (18), para apresentar a proposta “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”. Elaborado pela Vale com a consultoria da Accenture, o documento traça diretrizes e caminhos para orientar políticas públicas que fortaleçam e modernizem os fundamentos da mineração brasileira, além de ampliar a atratividade do país para novos investimentos e projetos minerários no ciclo de 2026 a 2035.
Participaram do painel Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança do Clima do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social); Roberto Muniz, diretor de relações institucionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e Guilherme Theo Sampaio, diretor da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
O novo marco de licenciamento ambiental levou 20 anos para ser desenvolvido e mesmo assim ainda pode ser judicializado. Portanto, é preciso avançar nestas conversas entre as instituições. Há oportunidades, sim, de o Brasil ser uma potência mineral, mas na vida real temos obstáculos que não estão indo ao encontro do mercado internacional competitivo que vivemos. Não se trata de pessimismo, e sim de realismo das indústrias.
Roberto Muniz, diretor de relações institucionais da CNI
Luciana Costa lembrou que a infraestrutura é uma pauta que rompe barreiras ideológicas e que une setores. Ela defendeu as entregas dos últimos anos, lembrando do investimento de mais de R$ 1 trilhão em infraestrutura nos últimos quatro anos, além do volume de financiamento de rodovias, que saltou de R$ 25 bilhões para R$ 30 bilhões por ano. “Podemos ser otimistas com cautela”, ponderou.

Na área de financiamento, ela concordou sobre a importância de unir as agendas ambientais e de desenvolvimento e ressaltou modelagens que podem ser incluídas antes das concessões. “Contrapartidas sociais e ambientais podem e devem ser discutidas antes dos leilões de concessões, e não depois”, sugeriu.
A infraestrutura não é um fim, ela é um meio para o desenvolvimento. Ela é indutor do desenvolvimento, e não o contrário.
Guilherme Theo Sampaio, diretor da ANTT
Rigor ambiental
Ao conversar com jornalistas no final do evento, Gustavo Pimenta, CEO da Vale, lembrou que é preciso, sim, acelerar a indústria, porém com todo o rigor ambiental.
Muitas vezes esta discussão fica entre preservação e não preservação. A gente acha, como temos o exemplo da Floresta Nacional de Carajás (FNC), que é possível fazer um desenvolvimento em mineração com preservação ambiental. Nesta área da FNC, usamos 2% do território e preservamos 98%. Ou seja: viabilizamos economicamente a floresta. E viabilizando a floresta de pé ela vai permanecer de pé. A discussão é a responsabilização de preservação líquida positiva, além da questão social. Essa agenda pode convergir e é preciso acelerar isso.
Gustavo Pimenta, CEO da Vale
Mudança de cultura
Logo após o painel, Anderson Barreto Arruda, Secretário Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Interino, trouxe a reflexão sobre a importância de dados e estudos concretos para demonstrar a importância de cada cadeia da mineração e em qual é preciso investir.

E lançou um convite: “Identificamos que é preciso uma mudança cultural no que diz respeito à mineração. A sociedade precisa ver valor nesta atividade. Hoje, todo mundo fala em minerais críticos. Então, devemos aproveitar essa oportunidade e desenvolver uma mudança cultural para que toda a sociedade entre nesta discussão. Convido a Vale para estar nesta liderança”.