Após mais de três décadas de pesquisas e resultados, o Lago Batata, no oeste do Pará, tornou-se uma referência internacional em recuperação de ecossistemas amazônicos, com 120 hectares restaurados e mais de 800 mil mudas nativas plantadas.
Após mais de três décadas de pesquisas e resultados, o Lago Batata, no oeste do Pará, tornou-se uma referência internacional em recuperação de ecossistemas amazônicos, com 120 hectares restaurados e mais de 800 mil mudas nativas plantadas (Foto: MRN/ Divulgação)

Após 35 anos, área recuperada pela mineração se torna referência científica na Amazônia

Iniciativa do Lago Batata, conduzida pela MRN e UFRJ, comprova o retorno da biodiversidade na região e consolida uma das mais longevas ações de recuperação ambiental do Brasil

Por Mariana Sgarioni, 3 min de leitura

Publicado em 08/07/2026 | Atualizado em 09/07/2026

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A recuperação de áreas degradadas pela mineração é um dos maiores desafios ambientais do setor. No oeste do Pará, porém, um projeto iniciado no fim da década de 1980 demonstra que a restauração ecológica, quando baseada em ciência, monitoramento contínuo e inovação, pode produzir resultados duradouros. O Lago Batata, em Oriximiná, transformou-se de uma área impactada pela disposição de rejeitos de bauxita em uma referência internacional para estudos sobre recuperação de ecossistemas amazônicos, reunindo um dos mais completos conjuntos de dados científicos sobre biodiversidade e qualidade da água da região.

Conduzida pela Mineração Rio do Norte (MRN) em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a iniciativa acumula mais de três décadas de pesquisas e resultados. 

Ao longo desse período, foram plantadas mais de 800 mil mudas de espécies nativas de igapó, permitindo a restauração de 120 hectares de vegetação. Hoje, a área abriga 171 espécies de peixes e deu origem a 99 publicações científicas.

A força da longevidade

Uma pessoa usando capacete, óculos de proteção e luvas examina uma orquídea que cresce no tronco de uma árvore no ambiente florestal exuberante e verdejante do Lago Batata.
Trabalho de campo voltado à pesquisa e ao monitoramento ambiental no Lago Batata (Foto: MRN/ Divulgação)

Poucos projetos de restauração ecológica no país possuem uma série histórica tão extensa como a do Lago Batata. Desde 1989, pesquisadores acompanham a evolução da vegetação, da qualidade da água, dos sedimentos e da fauna aquática para compreender como um ecossistema amazônico responde às intervenções de recuperação.

Segundo Natália Lacerda, professora da UFRJ, os peixes funcionam como importantes indicadores da recuperação ambiental. À medida que as condições ecológicas melhoram, novas espécies passam a ocupar o ambiente, ampliando a biodiversidade e fortalecendo toda a cadeia alimentar.

“O aumento no número de espécies e da diversidade de peixes mostra que a qualidade ambiental vem evoluindo”, explica a pesquisadora. Ela destaca que o diferencial do projeto está justamente na continuidade do monitoramento, permitindo compreender a evolução do ecossistema ao longo de mais de 35 anos.

Para o professor Francisco de Assis Esteves, doutor em Limnologia da UFRJ, o Lago Batata ultrapassou o papel de área recuperada para se tornar uma plataforma permanente de produção de conhecimento.

O Lago Batata se tornou uma usina de conhecimentos em áreas da ciência ainda pouco conhecidas, não só no Brasil, mas também no exterior. Hoje é um modelo de gestão ambiental bem-sucedido

Francisco de Assis Esteves

Ciência acelera a regeneração da floresta

Os resultados observados atualmente são consequência de técnicas desenvolvidas especificamente para as condições do lago amazônico. Entre elas, está a instalação de barreiras físicas capazes de reter sementes transportadas pelas cheias, favorecendo a regeneração natural do igapó. 

Paralelamente, estudos sobre espécies nativas orientaram a produção de mudas em viveiros da MRN, aumentando a eficiência do reflorestamento. Hoje, a vegetação restaurada já produz flores e frutos e voltou a abrigar aves, insetos, répteis e outros organismos essenciais para o equilíbrio ecológico.

O monitoramento também se estende aos recursos hídricos da região. A empresa acompanha a qualidade da água em 301 pontos entre rios, lagos, igarapés, nascentes e águas subterrâneas. Somente em 2025 foram realizadas 95.615 análises, com índice de conformidade de 98,15% em relação aos parâmetros estabelecidos pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Os resultados são compartilhados com órgãos ambientais e comunidades locais.

Vale aposta na região

Nos últimos anos, a Vale também vem investindo na restauração ecológica do Estado do Pará. Em Canaã dos Carajás, a companhia desenvolve projetos voltados à recomposição da vegetação nativa, à conectividade florestal e ao monitoramento da fauna amazônica. Entre os destaques está o Projeto Arara Azul, realizado em parceria com o Instituto Arara Azul e o Instituto Tecnológico Vale, que já identificou mais de 200 araras-azuis na região e utiliza a espécie como indicador da qualidade ambiental.

Uma arara-azul-híacinto de cores vibrantes, com manchas amarelas, está empoleirada em um galho de árvore no Lago Batata, cercada por cachos de frutas verdes e marrons, com folhagem verde-clara no fundo desfocado.
O Projeto Arara Azul tem promovido monitoramento de ninhos naturais e artificiais, educação ambiental e manejo de habitat, o que contribuiu para triplicar a população da espécie (Foto: Instituto Tecnológico Vale/ Divulgação)

As iniciativas incluem ainda o plantio de mais de 1 milhão de mudas nativas, a restauração de mais de mil hectares de floresta e o registro de mais de 30 espécies de animais em áreas reflorestadas, entre elas onça-pintada, anta e tamanduá-bandeira. 

Os resultados obtidos pelas empresas evidenciam que a recuperação ambiental deixou de ser apenas uma exigência regulatória para assumir papel estratégico na mineração moderna. Ao combinar pesquisa científica, inovação e monitoramento de longo prazo, os projetos demonstram que a restauração de ecossistemas pode produzir ganhos concretos para a biodiversidade, gerar conhecimento e fortalecer a convivência entre atividade mineral e conservação da Amazônia.

Dúvidas mais comuns

O Lago Batata, localizado em Oriximiná no Pará, é uma área que foi impactada pela disposição de rejeitos de bauxita e se transformou em uma referência internacional para estudos sobre recuperação de ecossistemas amazônicos. Desde 1989, pesquisadores da UFRJ e da MRN acompanham sua evolução, acumulando mais de 35 anos de dados científicos sobre biodiversidade e qualidade da água, consolidando um dos mais completos conjuntos de informações sobre recuperação ambiental na Amazônia.

A restauração do Lago Batata envolveu o plantio de mais de 800 mil mudas de espécies nativas de igapó, permitindo a recuperação de 120 hectares de vegetação. Atualmente, a área abriga 171 espécies de peixes e gerou 99 publicações científicas. A vegetação restaurada já produz flores e frutos, e voltou a abrigar aves, insetos, répteis e outros organismos essenciais para o equilíbrio ecológico.

Os peixes são importantes indicadores da recuperação ambiental porque, à medida que as condições ecológicas melhoram, novas espécies passam a ocupar o ambiente, ampliando a biodiversidade e fortalecendo toda a cadeia alimentar. O aumento no número de espécies e da diversidade de peixes demonstra que a qualidade ambiental vem evoluindo, refletindo a saúde geral do ecossistema.

Entre as técnicas desenvolvidas especificamente para o Lago Batata estão a instalação de barreiras físicas capazes de reter sementes transportadas pelas cheias, favorecendo a regeneração natural do igapó. Além disso, estudos sobre espécies nativas orientaram a produção de mudas em viveiros, aumentando a eficiência do reflorestamento e garantindo o uso de espécies adequadas às condições locais.

A MRN acompanha a qualidade da água em 301 pontos entre rios, lagos, igarapés, nascentes e águas subterrâneas. Em 2025, foram realizadas 95.615 análises, com índice de conformidade de 98,15% em relação aos parâmetros estabelecidos pelo Conama. Os resultados são compartilhados com órgãos ambientais e comunidades locais, garantindo transparência e engajamento.

A continuidade do monitoramento é fundamental para compreender como um ecossistema amazônico responde às intervenções de recuperação ao longo do tempo. O Lago Batata, com mais de 35 anos de acompanhamento contínuo, ultrapassou o papel de área recuperada para se tornar uma plataforma permanente de produção de conhecimento, gerando insights que beneficiam projetos de restauração em toda a região.

A Vale desenvolve projetos em Canaã dos Carajás voltados à recomposição da vegetação nativa, conectividade florestal e monitoramento da fauna amazônica. Destaca-se o Projeto Arara Azul, realizado em parceria com o Instituto Arara Azul, que identificou mais de 200 araras-azuis e triplicou a população da espécie através de monitoramento de ninhos, educação ambiental e manejo de habitat.

A recuperação ambiental deixou de ser apenas uma exigência regulatória para assumir papel estratégico na mineração moderna. Ao combinar pesquisa científica, inovação e monitoramento de longo prazo, os projetos demonstram que a restauração de ecossistemas pode produzir ganhos concretos para a biodiversidade, gerar conhecimento e fortalecer a convivência entre atividade mineral e conservação da Amazônia.