Um senhor de idade, com barba e bigode brancos, fala ao microfone enquanto está sentado no palco, discutindo a liderança regenerativa na mineração. Ele está vestindo um blazer azul, camisa branca e calças de cor clara, tendo como pano de fundo uma tela azul.
Paul Polman, líder empresarial holandês, acionista e filantropo (Foto: IBRAM via Flickr)

“Oportunidade histórica da mineração brasileira começa pela liderança”, diz Paul Polman

Executivo e autor holandês afirma durante a Exposibram 2026 que as empresas precisam de líderes que tenham comportamentos alinhados aos valores que pregam e que assumam a responsabilidade pelo impacto que causam

Por Mariana Sgarioni, 3 min de leitura

Publicado em 25/08/2026

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BELO HORIZONTE – A indústria da mineração deve abandonar a zona de conforto e adotar uma liderança regenerativa, que assuma a responsabilidade por todo o seu impacto, garantindo que suas operações devolvam à natureza e à sociedade muito mais do que retiram delas.

Esta foi a mensagem deixada por Paul Polman, líder empresarial holandês, acionista e filantropo, no painel “As oportunidades históricas da mineração e seu legado no Brasil”, em que foi entrevistado por Ruben Fernandes, diretor de Operações Globais da Anglo American.

Polman ficou conhecido por sua gestão como CEO da Unilever entre 2009 e 2019, quando revolucionou o setor corporativo ao priorizar a sustentabilidade em sua gestão, defendendo que as empresas devem gerar impacto positivo e solucionar problemas globais em vez de causá-los. É coautor do livro Net Positive (lançado no Brasil como Impacto Positivo) junto com Andrew Winston, onde discute como empresas prosperam oferecendo mais ao mundo do que consomem.

Dois homens estão sentados no palco em poltronas, discutindo sobre liderança regenerativa na mineração, com uma grande tela azul atrás deles exibindo seus nomes, fotos e cargos no evento EXPOBRAM 2026, no Brasil.
Foto: IBRAM via Flickr

No painel, o executivo chamou a atenção para a urgência de a indústria mineradora ter líderes conscientes, responsáveis e transformadores. 

Ele acredita que as universidades não estão formando os líderes para as demandas dos tempos atuais e os resultados estão sendo vistos dentro das corporações, com lideranças que não inspiram o engajamento dos colaboradores. 

“Se o CEO não acredita em algo, isso se reflete na organização. Se um CEO for temeroso, a organização será focada internamente e cuidará apenas de si mesma, mas não do mundo. Se um CEO tiver um certo nível de cinismo, a organização ficará paralisada diante das mudanças. Sabemos que, nas empresas, menos de 20% das pessoas estão engajadas agora. Elas não sentem que a liderança pratica o que prega. Em um estudo, vimos que 65% das pessoas estão procurando ativamente outro emprego enquanto trabalham em uma determinada empresa. Se essa for a sua empresa, eu diria que isso é uma bomba-relógio”, afirmou.

Mineração fora da zona de conforto

Segundo o executivo holandês, a mineração precisa sair do que chama de zona de conforto e partir para uma ação diretamente ligada à conservação de recursos, uma vez que estamos em um ponto para a humanidade em que o custo de não fazer a coisa certa está saindo mais caro do que o que temos que investir para resolver o problema.

“O que vocês precisam na indústria da mineração é o que eu chamaria de um pensamento regenerativo, restaurador e reparador. Essa é a coisa mais importante. Vocês precisam de líderes que, antes de tudo, assumam a responsabilidade por esse impacto total. Isso não pode mais ficar restrito às quatro paredes do seu escritório. Você é responsável por toda a cadeia de valor”, disse.

Paul Polman, líder empresarial holandês, acionista e filantropo. No palco da Exposibram 2026

“O que vocês precisam na indústria da mineração é o que eu chamaria de um pensamento regenerativo, restaurador e reparador. Essa é a coisa mais importante. Vocês precisam de líderes que, antes de tudo, assumam a responsabilidade por esse impacto total. Isso não pode mais ficar restrito às quatro paredes do seu escritório. Você é responsável por toda a cadeia de valor”

Neste ponto, ele exemplifica de forma muito prática o que significa esse modelo mental para as operações no dia a dia, detalhando as perguntas que as empresas devem se fazer. “Tenham essa mentalidade de regeneração e, dentro de tudo o que fizerem, façam-se duas perguntas: ‘Como lucrar resolvendo os problemas do mundo, e não os criando?’ e ‘O mundo está melhor porque o seu negócio está nele? Sim ou não?’. Em tudo o que fizerem: devolvam mais água do que consomem. Usem mais energia verde. Forneçam melhores condições para as pessoas e melhorem seus padrões de vida em relação ao ambiente no qual essas pessoas operam”, apontou.

E concluiu: “Eu sempre disse que o papel do líder, o papel do CEO na empresa, é trabalhar na floresta, e não dentro da floresta”.