BELO HORIZONTE – A indústria da mineração deve abandonar a zona de conforto e adotar uma liderança regenerativa, que assuma a responsabilidade por todo o seu impacto, garantindo que suas operações devolvam à natureza e à sociedade muito mais do que retiram delas.
Esta foi a mensagem deixada por Paul Polman, líder empresarial holandês, acionista e filantropo, no painel “As oportunidades históricas da mineração e seu legado no Brasil”, em que foi entrevistado por Ruben Fernandes, diretor de Operações Globais da Anglo American.
Polman ficou conhecido por sua gestão como CEO da Unilever entre 2009 e 2019, quando revolucionou o setor corporativo ao priorizar a sustentabilidade em sua gestão, defendendo que as empresas devem gerar impacto positivo e solucionar problemas globais em vez de causá-los. É coautor do livro Net Positive (lançado no Brasil como Impacto Positivo) junto com Andrew Winston, onde discute como empresas prosperam oferecendo mais ao mundo do que consomem.

No painel, o executivo chamou a atenção para a urgência de a indústria mineradora ter líderes conscientes, responsáveis e transformadores.
Ele acredita que as universidades não estão formando os líderes para as demandas dos tempos atuais e os resultados estão sendo vistos dentro das corporações, com lideranças que não inspiram o engajamento dos colaboradores.
“Se o CEO não acredita em algo, isso se reflete na organização. Se um CEO for temeroso, a organização será focada internamente e cuidará apenas de si mesma, mas não do mundo. Se um CEO tiver um certo nível de cinismo, a organização ficará paralisada diante das mudanças. Sabemos que, nas empresas, menos de 20% das pessoas estão engajadas agora. Elas não sentem que a liderança pratica o que prega. Em um estudo, vimos que 65% das pessoas estão procurando ativamente outro emprego enquanto trabalham em uma determinada empresa. Se essa for a sua empresa, eu diria que isso é uma bomba-relógio”, afirmou.
Mineração fora da zona de conforto
Segundo o executivo holandês, a mineração precisa sair do que chama de zona de conforto e partir para uma ação diretamente ligada à conservação de recursos, uma vez que estamos em um ponto para a humanidade em que o custo de não fazer a coisa certa está saindo mais caro do que o que temos que investir para resolver o problema.
“O que vocês precisam na indústria da mineração é o que eu chamaria de um pensamento regenerativo, restaurador e reparador. Essa é a coisa mais importante. Vocês precisam de líderes que, antes de tudo, assumam a responsabilidade por esse impacto total. Isso não pode mais ficar restrito às quatro paredes do seu escritório. Você é responsável por toda a cadeia de valor”, disse.

“O que vocês precisam na indústria da mineração é o que eu chamaria de um pensamento regenerativo, restaurador e reparador. Essa é a coisa mais importante. Vocês precisam de líderes que, antes de tudo, assumam a responsabilidade por esse impacto total. Isso não pode mais ficar restrito às quatro paredes do seu escritório. Você é responsável por toda a cadeia de valor”
Neste ponto, ele exemplifica de forma muito prática o que significa esse modelo mental para as operações no dia a dia, detalhando as perguntas que as empresas devem se fazer. “Tenham essa mentalidade de regeneração e, dentro de tudo o que fizerem, façam-se duas perguntas: ‘Como lucrar resolvendo os problemas do mundo, e não os criando?’ e ‘O mundo está melhor porque o seu negócio está nele? Sim ou não?’. Em tudo o que fizerem: devolvam mais água do que consomem. Usem mais energia verde. Forneçam melhores condições para as pessoas e melhorem seus padrões de vida em relação ao ambiente no qual essas pessoas operam”, apontou.
E concluiu: “Eu sempre disse que o papel do líder, o papel do CEO na empresa, é trabalhar na floresta, e não dentro da floresta”.