Líderes globais discutem oportunidades para padronizar a mensuração de carbono, promovendo sustentabilidade e energia limpa em uma reunião importante.
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Líderes globais se articulam para padronizar mensuração de carbono

Associação reúne líderes de quatro regiões e diversos setores para avançar na contabilidade global de emissões

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 06/11/2025

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  • Dezoito corporações globais fundaram a Carbon Measures para estabelecer um modelo técnico, verificável e comparável de contabilização de emissões, substituindo o sistema baseado em estimativas voluntárias.
  • A coalizão reúne empresas líderes de quatro regiões e setores estratégicos, incluindo mineração, energia, química e logística, conferindo peso para orientar cadeias de valor e reguladores internacionais.
  • O padrão de mensuração de carbono proposto pela associação visa estruturar mercados de carbono robustos, precificar externalidades ambientais e orientar investimentos em tecnologias de baixo carbono de forma eficiente.
Resumo revisado pela redação.

Um grupo de 18 corporações globais anunciou em outubro a Carbon Measures, uma associação constituída para estabelecer um modelo mais preciso e transparente de contabilização de emissões e impulsionar soluções de mercado voltadas à descarbonização. A iniciativa reúne companhias líderes em suas áreas de atuação e de quatro regiões do mundo, formando um grupo diverso de setores estratégicos. O grupo inaugural inclui oito companhias dos EUA, cinco da União Europeia, três do Japão, uma do Reino Unido e uma da América Latina.

A amplitude geográfica e setorial da coalizão confere peso singular ao movimento. Como referências globais, essas empresas estabelecem balizadores que orientam não apenas suas cadeias de valor e as demais organizações associadas, mas também agentes econômicos e reguladores nas regiões onde operam. 

A proposta é transformar a medição e a comparação das emissões em um processo técnico, verificável e comparável, garantindo o funcionamento eficiente dos mercados de carbono.

Alinhamento global para accountability climático

Líderes apertando as mãos em sinal de acordo, simbolizando compromisso com políticas de responsabilidade climática global.
Foto: weedezign/ Adobe Stock

Em comunicado, o grupo relatou que o trabalho se apoiará em princípios de contabilidade financeira e científica para viabilizar um modelo de ledger (livro-razão) de carbono, para mitigar redundâncias, inconsistências e lacunas de informação. “Boas decisões exigem bons dados”, afirmou a CEO da Carbon Measures, Amy Brachio, ex-diretor global de Sustentabilidade da EY. “Por décadas, o rastreamento de emissões foi um sistema baseado em estimativas e compromissos voluntários. A Carbon Measures quer criar um sistema que libere o potencial competitivo dos mercados e acelere o ritmo das reduções de carbono”, define.

A coalizão propõe também o desenvolvimento de padrões de intensidade de carbono por produto, aplicáveis a insumos como eletricidade, aço, cimento e combustíveis . A ideia é incentivar o investimento em tecnologias de baixo carbono e permitir que governos adotem políticas mais alinhadas à realidade industrial.

A presença da Vale entre as fundadoras reflete o protagonismo da empresa brasileira em agendas de sustentabilidade e de accountability ambiental. Em 2025, a mineradora foi uma das primeiras companhias do mundo a publicar um relatório financeiro climático conforme o padrão internacional IFRS S1 e S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB) — norma já incorporada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ao marco regulatório brasileiro.

No documento, a empresa detalhou riscos e oportunidades ligados à transição energética, metas de redução de emissões e investimentos em tecnologias de baixo carbono, consolidando-se como referência global na integração entre finanças e sustentabilidade.

Métricas e precificação como fundamentos da descarbonização

metrricas e precificacao como fundamentos da descarbonizacao
Imagem: Megane Ad/ Shutterstock

A vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale, Grazielle Parenti, reforçou recentemente a importância de estruturar um mercado de carbono robusto e confiável. Durante o projeto COP30 Amazônia, realizado por O Globo, Valor Econômico e CBN, Grazielle destacou que “o Brasil tem todas as condições de ser um grande ator nesse mercado”, mas que é necessário alcançar escala e previsibilidade para torná-lo sustentável e atrativo ao setor privado.

A executiva lembrou que o país combina biodiversidade, capacidade tecnológica e instrumentos regulatórios para liderar a agenda de restauração e conservação florestal, o que reforça a credibilidade de iniciativas como a Carbon Measures no cenário internacional.

Ao reunir empresas que já atuam como referências globais, a Carbon Measures define um norte comum para a mensuração de carbono, elemento importante para um mercado capaz de precificar externalidades e orientar investimentos de forma eficiente. Dessa forma, seu papel deve transcender o das companhias signatárias e o avanço da coalizão tende a estabelecer parâmetros técnicos e éticos para o setor privado, formuladores de políticas e agentes financeiros em todo o mundo.

Empresas fundadoras da Carbon Measures e suas origens

Air Liquide – gases industriais e tecnologia – França

Banco Santander – serviços financeiros – Espanha

BASF – química – Alemanha

Bayer – farmacêutica e biotecnologia – Alemanha

CF Industries – fertilizantes e produtos químicos – Estados Unidos

EQT Corporation – energia (gás natural) – Estados Unidos

ExxonMobil – energia e petroquímica – Estados Unidos

EY (Ernst & Young) – consultoria e auditoria – Reino Unido

Global Infrastructure Partners (parte da BlackRock) – investimentos em infraestrutura – Estados Unidos

Honeywell – tecnologia e manufatura industrial – Estados Unidos

Linde – gases industriais e engenharia – Irlanda / Estados Unidos

Mitsubishi Heavy Industries – engenharia e manufatura – Japão

Mitsui & Co. – conglomerado de comércio e investimentos – Japão

Mitsui O.S.K. Lines – transporte marítimo e logística – Japão

NextEra Energy – energia elétrica renovável – Estados Unidos

Nucor Corporation – siderurgia – Estados Unidos

Port of Rotterdam Authority – infraestrutura portuária e logística – Países Baixos

Vale – mineração – Brasil

Dúvidas mais comuns

A Carbon Measures é uma associação constituída por 18 corporações globais líderes em seus setores, anunciada em outubro, com o objetivo de estabelecer um modelo mais preciso e transparente de contabilização de emissões de carbono. A iniciativa busca impulsionar soluções de mercado voltadas à descarbonização, transformando a medição e comparação de emissões em um processo técnico, verificável e comparável, garantindo o funcionamento eficiente dos mercados de carbono.

A coalizão inaugural reúne 18 corporações globais: oito dos EUA, cinco da União Europeia, três do Japão, uma do Reino Unido e uma da América Latina (Vale, do Brasil). As empresas representam setores estratégicos como energia, mineração, química, tecnologia, serviços financeiros, transporte e infraestrutura, conferindo peso singular ao movimento pela sua amplitude geográfica e setorial.

A Carbon Measures se apoiará em princípios de contabilidade financeira e científica para viabilizar um modelo de ledger (livro-razão) de carbono, mitigando redundâncias, inconsistências e lacunas de informação. O sistema busca transformar o rastreamento de emissões de um processo baseado em estimativas e compromissos voluntários para um sistema técnico e verificável que libere o potencial competitivo dos mercados e acelere o ritmo das reduções de carbono.

A Vale é a única empresa brasileira fundadora da Carbon Measures, refletindo seu protagonismo em agendas de sustentabilidade e accountability ambiental. Em 2025, a mineradora foi uma das primeiras companhias do mundo a publicar um relatório financeiro climático conforme o padrão internacional IFRS S1 e S2, consolidando-se como referência global na integração entre finanças e sustentabilidade.

A Carbon Measures propõe o desenvolvimento de padrões de intensidade de carbono por produto, aplicáveis a insumos como eletricidade, aço, cimento e combustíveis. Esses padrões utilizarão princípios de contabilidade financeira e científica para criar métricas comparáveis e verificáveis, permitindo que governos adotem políticas mais alinhadas à realidade industrial e incentivando investimentos em tecnologias de baixo carbono.

A padronização de mensuração de carbono é fundamental para que os mercados funcionem de forma eficiente e possam precificar externalidades corretamente. Ao reunir empresas que atuam como referências globais, a Carbon Measures define um norte comum para a mensuração, estabelecendo parâmetros técnicos e éticos que orientam investimentos de forma eficiente e transcendem as companhias signatárias, influenciando formuladores de políticas e agentes financeiros em todo o mundo.

Segundo a vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale, o Brasil tem todas as condições de ser um grande ator no mercado de carbono, combinando biodiversidade, capacidade tecnológica e instrumentos regulatórios para liderar a agenda de restauração e conservação florestal. Para tornar o mercado sustentável e atrativo ao setor privado, é necessário alcançar escala e previsibilidade, o que reforça a credibilidade de iniciativas como a Carbon Measures no cenário internacional.

A Carbon Measures contribui para a accountability climática ao estabelecer um sistema baseado em bons dados e princípios científicos, em vez de estimativas voluntárias. Ao definir padrões de mensuração verificáveis e comparáveis, a coalizão permite que empresas, governos e agentes financeiros tomem decisões mais informadas sobre redução de emissões, criando um ambiente de mercado mais transparente e eficiente para a descarbonização global.