Antes das oito da manhã, o Mercado Central de Belo Horizonte já tem gente suficiente para lembrar que ali não é lugar de passagem. Comerciantes abrem as portas de metal das lojas, arrumam potes de doce de leite, penduram ristras de pimenta, ligam liquidificadores para a primeira limonada do dia. No corredor da praça de alimentação, o cheiro de fígado com jiló se espalha — prato que nasceu ali mesmo, nos anos 1960, quando um antigo abatedouro interno fornecia miúdos aos feirantes e alguém teve a ideia de combiná-los com o jiló, hortaliça barata da época. A combinação virou tradição; hoje, calcula-se que centenas de toneladas dela sejam servidas todo mês.
Foi nesse território — 24 mil metros quadrados, cerca de 400 lojas, aberto todos os dias da semana e visitado por 15,5 milhões de pessoas por ano — que a Vale decidiu investir. Mas fez questão de deixar claro, desde o primeiro anúncio, o que não pretendia fazer: mudar o nome do lugar.
A empresa acaba de anunciar o patrocínio a este que é um dos símbolos mais reconhecíveis da identidade mineira. Como é comum nesse tipo de acordo, o contrato previa a possibilidade de a marca patrocinadora agregar seu nome ao do espaço — o chamado naming rights. A Vale optou por não exercer esse direito. Batizou o gesto de Right Naming: mantém intacto o nome “Mercado Central” e concentra o investimento na estrutura e na experiência de quem frequenta o lugar.
“Se é importante para os mineiros, é importante para a Vale”, resume Leandro Modé, diretor de Comunicação e Marca da companhia.
“Cultura é um dos pilares do nosso compromisso social. Ela promove o desenvolvimento sustentável dos territórios, amplia oportunidades, fortalece identidades e cria vínculos que transformam a sociedade." – Leandro Modé
O Mercado Central permanece com o nome que o tornou referência para gerações de belo-horizontinos e visitantes, enquanto ganha um parceiro comprometido com sua continuidade e valorização.
A decisão tem contexto. Nos últimos anos, Belo Horizonte viu diversos equipamentos culturais e esportivos ganharem, ao lado do nome original, a marca de um patrocinador — teatros, arenas, até uma estação de metrô. É uma prática cada vez mais comum no país, e nem sempre recebida sem ressalvas: quando um símbolo carrega décadas de vínculo afetivo com uma cidade, alterar seu nome, mesmo temporariamente, tende a dividir opiniões. Diante do mesmo tipo de escolha, a Vale decidiu não entrar nesse debate — e manteve o nome como estava.
O modelo de investimento segue a mesma lógica de escuta. Em vez de a empresa decidir sozinha onde aplicar os recursos, as melhorias serão definidas de forma participativa: os próprios lojistas vão levantar as demandas, discuti-las em assembleias e aprová-las por votação. À Vale caberá viabilizar o que for decidido — entre as frentes já previstas estão intervenções estruturais, projetos de sustentabilidade e ações de fortalecimento do vínculo com a comunidade. A expectativa é que as obras avancem aos poucos até 2029, ano em que o Mercado completa cem anos.
Para o presidente do Mercado Central, Geraldo Campos, o formato da parceria pesou tanto quanto o investimento em si.
“Essa parceria representa um olhar para o futuro sem perder de vista a nossa essência. Contar com uma empresa como a Vale, que respeita nossa história e valoriza a participação dos lojistas, é fundamental para seguirmos evoluindo”, afirma Geraldo Campos
Um mercado que nasceu em cima de um campo de futebol

Poucos belo-horizontinos sabem que o terreno onde hoje ficam os corredores lotados do Mercado Central já foi campo de futebol — do América Futebol Clube, entre 1923 e 1929. Foi ali que o então prefeito Cristiano Machado decidiu reunir, num só lugar, os feirantes que se espalhavam por uma cidade em crescimento acelerado. Nascia, em 7 de setembro daquele ano, o Mercado Municipal: barracas de madeira a céu aberto, sem cobertura, disputando espaço com as carroças que traziam a produção.
A estrutura fechada que existe hoje só veio depois, em 1964, quando a prefeitura decidiu vender o terreno e um grupo de comerciantes se organizou em cooperativa para comprá-lo — origem do modelo de gestão privada que o Mercado mantém até hoje. Foi nessa época que ganhou o nome atual, ergueu seu galpão coberto e recebeu a capela dedicada a Nossa Senhora de Fátima, onde ainda se celebra missa aos domingos. Ao longo de seis décadas, transformou-se em um dos poucos lugares de Belo Horizonte onde se cruzam, na mesma fila do pastel, turista estrangeiro, morador do bairro e político em campanha.
É esse caráter democrático — aberto todos os dias, sem hora marcada, sem classe social predominante — que a Vale cita como parte do que motivou o patrocínio. Cultura, no discurso da empresa, não é apenas patrimônio material: é o encontro cotidiano que sustenta o sentimento de pertencimento a um lugar.
Ao apoiar o Mercado Central, a Vale formaliza uma frente que reforça sua presença em Minas Gerais não apenas onde estão suas operações, mas onde está a memória afetiva de quem vive aqui. Não se trata de colocar uma marca em uma fachada — trata-se, segundo a empresa, de garantir que o nome que já está lá continue contando, por muitos e muitos anos, a mesma história.
Mercado Central em números
• Fundado em 7 de setembro de 1929
• 24 mil m² de área, com aproximadamente 400 lojas
• Cerca de 15,5 milhões de visitantes por ano
• Aberto todos os dias da semana, de domingo a domingo
Dúvidas mais comuns
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A Vale optou por não exercer o direito de naming rights, mantendo intacto o nome 'Mercado Central' e concentrando o investimento na estrutura e experiência dos visitantes. A empresa batizou esse gesto de 'Right Naming', reconhecendo que o nome é um símbolo importante da identidade mineira e que sua preservação é fundamental para gerações de belo-horizontinos. A decisão reflete a filosofia da Vale de que 'se é importante para os mineiros, é importante para a Vale'.
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O Mercado Central foi fundado em 7 de setembro de 1929 no terreno que era campo de futebol do América Futebol Clube. O prefeito Cristiano Machado decidiu reunir os feirantes espalhados pela cidade em crescimento acelerado em um único lugar, inicialmente com barracas de madeira a céu aberto. A estrutura fechada que existe hoje foi construída em 1964, quando um grupo de comerciantes se organizou em cooperativa para comprar o terreno, originando o modelo de gestão privada que o Mercado mantém até hoje.
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As melhorias serão definidas de forma participativa, onde os próprios lojistas levantam as demandas, discutem em assembleias e aprovam por votação. À Vale caberá viabilizar o que for decidido, com frentes previstas incluindo intervenções estruturais, projetos de sustentabilidade e ações de fortalecimento do vínculo com a comunidade. As obras devem avançar aos poucos até 2029, ano em que o Mercado completa cem anos.
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O Mercado Central possui 24 mil metros quadrados de área com aproximadamente 400 lojas, recebe cerca de 15,5 milhões de visitantes por ano e funciona aberto todos os dias da semana. Fundado em 7 de setembro de 1929, é um dos poucos lugares de Belo Horizonte onde se cruzam turistas estrangeiros, moradores do bairro e políticos em campanha, mantendo seu caráter democrático e acessível.
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O fígado com jiló é um prato tradicional que nasceu no Mercado Central nos anos 1960, quando um antigo abatedouro interno fornecia miúdos aos feirantes. Alguém teve a ideia de combinar esses miúdos com o jiló, uma hortaliça barata da época, criando uma combinação que se tornou tradição. Hoje, calcula-se que centenas de toneladas desse prato sejam servidas todo mês no Mercado.
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O Mercado Central oferece uma variedade de produtos típicos mineiros, incluindo queijos artesanais como o Minas Padrão e Canastra, linguiças artesanais, doces de leite, pimentas, cachaças com mais de 900 rótulos, cervejas artesanais e licores. Como centro de abastecimento histórico, turístico e gastronômico de Minas Gerais, o local é conhecido por seus produtos de qualidade e autenticidade, sendo eleito a cara de Belo Horizonte.
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O Mercado Central funciona de segunda a sábado das 8h às 18h, e aos domingos e feriados das 8h às 13h. Localizado na Avenida Augusto de Lima, 744, no Centro de Belo Horizonte, o mercado abre todos os dias da semana, permitindo acesso contínuo aos visitantes e mantendo seu caráter de espaço democrático e acessível.
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A Vale citou o caráter democrático do Mercado Central como parte do que motivou o patrocínio, reconhecendo que é um dos poucos lugares de Belo Horizonte aberto a todas as classes sociais sem hora marcada. A empresa vê a cultura não apenas como patrimônio material, mas como o encontro cotidiano que sustenta o sentimento de pertencimento a um lugar. Ao apoiar o Mercado, a Vale reforça sua presença em Minas Gerais não apenas onde estão suas operações, mas onde está a memória afetiva de quem vive na região.