Mercado de carbono é oportunidade para a mineração responsável
A mineração consciente pode se beneficiar do mercado de carbono, tanto para compensar emissões decorrentes da atividade quanto para gerar créditos
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Redação, 2min de leitura
Publicado em 09/09/2025
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Mercado de carbono é oportunidade para a mineração responsável
9 de setembro de 2025
A Lei 15.042/24 estabeleceu o marco regulatório do mercado de carbono no Brasil em dezembro de 2024, permitindo que empresas de mineração compensem emissões comprando créditos de organizações com práticas sustentáveis.
Mineradoras com emissões acima de 25 mil tCO2e anuais devem enviar relatórios de conciliação ao governo comprovando ações de redução e conformidade com limites de aquisição de créditos.
O setor de mineração pode gerar créditos próprios através de eficiência energética, reflorestamento, restauração de ecossistemas e geração de energia renovável, transformando práticas ambientais em ativos comercializáveis.
Resumo revisado pela redação.
A modernização do setor de extração mineral introduziu novas práticas voltadas ao uso sustentável dos recursos naturais e à preservação de ecossistemas. Além da adoção de medidas ambientalmente responsáveis, a compensação de danos por meio do mercado de carbono é uma possibilidade para o setor garantir a sustentabilidade. O sistema estabelece que empresas potencialmente poluentes comprem créditos daquelas que desenvolvem estratégias de preservação, como atividades de reflorestamento, projetos de captura de carbono ou produção de energia renovável.
Essa possibilidade existe desde dezembro de 2024, quando foi aprovada a Lei 15.042/24, que estabelece diretrizes para a criação do mercado de carbono no Brasil. Antes, o conceito de mercado de carbono já estava presente na economia e o mercado voluntário funcionava, mas sem bases legais.
O novo marco regulatório definiu diretrizes para quantificar e auditar as emissões e transações de créditos, com o objetivo de garantir maior transparência e confiabilidade.
Como funciona o crédito de carbono na mineração
O marco legal estabelece que organizações (privadas ou não) com maior índice de emissões de gases de efeito estufa (GEE) devem comprar créditos gerados por aquelas que oferecem alternativas para essa questão, como forma de compensação. Cada crédito (ou cota) adquirido representa uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) que deixou de ser emitida. O dióxido de carbono equivalente (CO2e) é uma medida internacionalmente padronizada, utilizada para representar os demais gases com efeito de estufa (GEE) em forma de dióxido de carbono (CO2).
No caso da indústria de mineração, os impactos ambientais podem ser mitigados por meio de abordagens distintas, como maior atenção às características do solo, adoção de estratégias de preservação e reflorestamento, uso de energias renováveis, entre outras iniciativas.
Se, mesmo com a adoção dessas estratégias, a empresa permanecer com emissões superiores aos limites estabelecidos, a compra de créditos no mercado de carbono é uma forma de compensação.
Com a nova regulação do mercado de carbono, empresas que emitem acima de 25 mil tCO2e por ano devem enviar ao governo os chamados relatórios de conciliação. Nesse documento, as companhias devem relatar as ações de redução de emissões para que alcancem as metas estabelecidas, além de confirmar que os créditos comprados estão dentro das metas de permissão de aquisição.
Mineração pode gerar créditos de carbono?
Além da compensação das emissões por meio da aquisição de créditos, as empresas do segmento também podem ser emissoras de créditos. As organizações que conseguem reduzir as emissões associadas às suas operações por meio de melhorias na eficiência energética, uso de equipamentos de baixa emissão e práticas avançadas de gestão de resíduos podem ser exemplos desta possibilidade.
Além disso, empresas que promovam a restauração de áreas degradadas por meio de projetos de reflorestamento, recuperação de solos e restauração de ecossistemas impactados podem ser elegíveis para a geração de créditos.
Outra possibilidade é a geração própria de energia limpa, como solar ou eólica, para alimentar as operações de mineração, o que contribui para a redução da pegada de carbono e pode gerar créditos.
Práticas que podem resultar na geração de créditos de carbono também estão na mineração de baixo impacto ambiental e na parceria com projetos de redução de emissões (por exemplo, com geradores de energia renovável para alimentar as operações).
Dúvidas mais comuns
O mercado de carbono é um sistema onde empresas com altas emissões de gases de efeito estufa (GEE) compram créditos de organizações que desenvolvem estratégias de preservação ambiental, como reflorestamento, captura de carbono ou produção de energia renovável. Cada crédito representa uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) que deixou de ser emitida. Na mineração, esse sistema permite que as empresas compensem suas emissões quando não conseguem reduzi-las apenas com medidas operacionais.
A Lei 15.042/24, aprovada em dezembro de 2024, estabeleceu o marco regulatório oficial do mercado de carbono no Brasil. Antes dessa lei, o mercado funcionava de forma voluntária sem bases legais. O novo marco definiu diretrizes para quantificar e auditar emissões e transações de créditos, garantindo maior transparência, confiabilidade e segurança jurídica para as operações no setor de mineração e outros segmentos.
As empresas de mineração podem gerar créditos de carbono através de várias estratégias: melhorias na eficiência energética, uso de equipamentos de baixa emissão, práticas avançadas de gestão de resíduos, restauração de áreas degradadas por reflorestamento, recuperação de solos, geração própria de energia limpa (solar ou eólica), e parcerias com projetos de redução de emissões. Essas ações demonstram compromisso com a mineração de baixo impacto ambiental e podem gerar créditos comercializáveis.
Empresas de mineração que emitem acima de 25 mil tCO2e por ano devem enviar relatórios de conciliação ao governo. Nesses documentos, as companhias devem relatar as ações de redução de emissões implementadas para alcançar as metas estabelecidas e confirmar que os créditos comprados estão dentro dos limites de aquisição permitidos pela regulação.
tCO2e significa tonelada de dióxido de carbono equivalente e é uma medida internacionalmente padronizada utilizada para representar todos os gases de efeito estufa (GEE) em forma de dióxido de carbono (CO2). Essa padronização é fundamental para o mercado de carbono, pois permite comparações consistentes entre diferentes tipos de emissões e facilita a comercialização de créditos de carbono de forma transparente e confiável.
Sim, é possível ganhar dinheiro com crédito de carbono. Empresas de mineração que implementam práticas sustentáveis e conseguem reduzir suas emissões podem vender os créditos gerados para outras organizações que precisam compensar suas emissões. O valor dos créditos varia conforme as condições de mercado, o tipo de projeto de redução de emissões e a demanda por compensações, criando uma oportunidade de receita adicional para empresas comprometidas com a sustentabilidade.
As principais estratégias incluem maior atenção às características do solo, adoção de práticas de preservação e reflorestamento, uso de energias renováveis, melhorias na eficiência energética, uso de equipamentos de baixa emissão, práticas avançadas de gestão de resíduos, e restauração de ecossistemas impactados. Essas abordagens permitem que as empresas de mineração reduzam suas emissões de carbono e, quando necessário, compensem as emissões remanescentes através da compra de créditos no mercado de carbono.
O mercado de carbono oferece à mineração responsável a oportunidade de monetizar seus esforços de sustentabilidade. Empresas que adotam práticas ambientalmente responsáveis podem gerar créditos comercializáveis, criando uma fonte de receita que incentiva ainda mais investimentos em tecnologias limpas e projetos de restauração ambiental. Simultaneamente, o sistema pressiona empresas com altas emissões a investirem em redução, promovendo uma transição do setor para operações mais sustentáveis e alinhadas com objetivos climáticos globais.